Apresentação

A automação robótica de processos, origina-se da sigla RPA (Robotic Process Automation), já é uma realidade e está trazendo resultados transformadores para muitas empresas. RPA é o nome dado às soluções de automação com o uso de softwares (robôs) que navegam na camada de interface dos sistemas. Eles tem o objetivo de substituir tarefas repetitivas, operacionais e de baixa importância, assim eles deixam as pessoas livres para atuar em atividades que exigem o uso de julgamentos, da razão, de sentimentos e de fatores humanos que contribuem para a inovação de qualquer empresa.

Essa é uma ferramenta que atua na área de automação cognitiva de processos utilizando as mais recentes ferramentas de inteligência artificial para trazer novas soluções para o mundo empresarial. Assim, diversos processos da empresa são otimizados e a mão de obra humana em tarefas repetitivas é reduzida. Com isso, o capital intelectual dos seus colaboradores pode ser utilizado em atividades mais nobres e criativas.

Todos os seus sistemas que operam sem a mínima integração e que demandam toda uma equipe para tabular dados e preencher planilhas serão manipulados por robôs, que executarão cada tarefa com uma velocidade muito maior do que uma pessoa. A automação robótica de processos cria força de trabalho digital baseada em software inteligente, com ganho de escala e redução de custos e de erros, haja vista que pelo menos 30% das atividades de qualquer função podem ser automatizadas.

Neste artigo explicaremos o que é robotização de processos corporativos e quais são as vantagens em adotá-la na sua empresa. Boa leitura!

 

Lenildo Morais.

 

  1. O QUE É A AUTOMAÇÃO ROBÓTICA DE PROCESSOS?

Atualmente, existem inúmeras rotinas e tarefas burocráticas que tomam boa parte dos recursos humanos de muitas empresas. Esse tipo de atividade consome o tempo e o talento dos colaboradores, limitando o seu potencial de ação. Exemplos dessas tarefas incluem a digitação e o tratamento de dados, serviços de alertas, envio e recebimento de emails e integrações e interações entre sistemas diferentes. Mas essas e muitas outras atividades podem ser completamente automatizadas com a RPA.

Este processo consiste em desenvolvimento de um software que será capaz de executar exatamente as mesmas tarefas administrativas que eram realizadas repetitivamente por colaboradores humanos. A cada dia, mais avanços nas áreas de inteligência artificial permitem que mais tarefas sejam automatizadas. Já existem robôs capazes de, por exemplo, ler processos jurídicos e cuidar de todas as burocracias envolvidas na advocacia, exigindo que os advogados interfiram apenas na hora de tomar decisões importantes.

O princípio do RPA é a utilização de robôs, que são códigos de computador com algoritmos capazes de aprender novas funções, por isso, eles não se limitam a repetir somente aquilo que foram programados para fazer. Eles são capazes de automatizar tarefas repetitivas e processos sistemáticos em ambientes digitais. Eles buscam imitar as interações que os usuários fariam ao lidar com seus sistemas de gestão, por exemplo. No entanto, eles podem ser aplicados em diversas áreas e funções. O RPA nada mais é do que uma solução capaz de habilitar as empresas a criar um software robô especialmente para a automação de processos empresariais, monitorar essas operações e realizar a governança desses robôs. Essas soluções possuem as seguintes características:

  • Entrada de dados automática: Em sistemas de automação tradicionais, é necessário que um funcionário insira os dados no sistema em algum momento. Somente a integração e os cálculos são automatizados. Por outro lado, no RPA, o próprio robô fica responsável por coletar os dados e trabalhá-los;
  • Integração multissistema: Com o RPA, qualquer plataforma (ERPs, CRMs, sistemas de gestão financeira, navegadores) pode ser automatizada. Afinal, o RPA não funciona influindo diretamente no código dessas aplicações, ele atua imitando os comandos que uma pessoa faria em um sistema digital. Então, ele é simplesmente a substituição de uma pessoa por um robô;
  • Performance previsível e picos de demanda: Outra característica muito interessante é que ele pode ficar cada vez mais rápido à medida que o volume de trabalho aumenta. Embora um robô trabalhe de 3 a 10 vezes mais rápido que um humano, mais robôs podem ser provisionados rapidamente para multiplicar a performance e atender picos de demanda;
  • Validação e qualidade de dados: Enquanto está fazendo as suas funções, ele também é capaz de estruturar os dados transacionados e analisar a qualidade dos seus dados e, ao final, produzir um relatório capaz de oferecer um panorama do que está acontecendo na empresa.

Explicando melhor, as plataformas de software RPA são não-intrusivas e, portanto, não interferem em nenhum outro sistema de já implantado. Os robôs de software podem acessar sistemas de computadores como um usuário final da mesma forma que um ser humano faz: usando a interface do usuário com um mecanismo de controle de acesso estabelecido, isto é, nome de usuário e senha. Portanto, nenhuma programação de sistemas subjacente é necessária.

Por isso, os robôs de software são configurados usando etapas demonstrativas, em vez de serem programados utilizando instruções baseadas em código. Isso significa que os funcionários das operações comerciais sem experiência em programação podem ser treinados para automatizar processos operacionais e a retaguarda utilizar ferramentas RPA.

Alguns dos fatores que podem sinalizar a adoção da RPA pelas empresas estão descritos da Figura 1.

 

  Figura 1: Fatores para adoção da RPA

 

  1. QUAIS OS BENEFÍCIOS DA RPA?

Sem a interferência manual, os processos automatizados são mais rápidos, baratos e com uma chance de falha reduzida. Um robô não comete erros humanos e nunca se distrai ou se cansa de uma tarefa repetitiva, portanto ele é capaz de fazer esse tipo de trabalho com muito mais confiabilidade. Além disso, a velocidade que os robôs executam essas rotinas é imensamente maior que a de uma pessoa, encurtando os prazos de entrega dos processos produtivos de uma empresa que envolvam esse tipo de tarefa repetitiva.

Outra grande vantagem da robotização de processos está na economia. O software será bem mais barato que um colaborador, o que significa que a empresa poderá reduzir seus gastos com atividades administrativas burocráticas e direcionar seus recursos humanos para áreas que realmente exijam o seu talento. É um desperdício de potencial deixar um advogado plenamente capacitado protocolando processos e navegando nos sites de tribunais atrás de informações atualizadas. Com um robô nesse papel, não é necessário mais gastar um profissional talentoso nesse tipo de atividade, liberando-o para outras tarefas que irão gerar mais valor ao negócio.

Com sistemas inteligentes, as empresas também são capazes de reestruturar alguns dos seus processos produtivos para utilizar melhor a tecnologia e conseguir enxugar seus custos. A performance é otimizada pela exatidão inerente aos robôs e os resultados são maximizados.

A RPA tem entre seus muitos benefícios o fato de ser uma solução de rápida implementação, de baixo impacto de mudança e de altíssimo poder de transformação e geração de valor para os negócios. Ainda como exemplo de vantagens da RPA, tem-se:

  • Os funcionários podem se concentrar no trabalho de maior exigência intelectual não perdendo tempo com tarefas repetitivas. Os funcionários que passam menos tempo em tarefas repetitivas geralmente relatam um maior envolvimento com o trabalho, o que certamente melhora a motivação e a produtividade;
  • O potencial de erro humano é eliminado. É fácil cometer erros na entrada de dados, como transposição, omissão ou adição de letras e números. No entanto, um robô não comete esses erros;
  • A produtividade aumenta à medida que o ciclo e os tempos de transação caem. O RPA reduz drasticamente o tempo necessário para completar uma grande variedade de processos de negócios, incluindo processamento de compras, atendimento ao cliente e qualquer outro processo que requer acesso a múltiplos sistemas existentes;
  • As análises de negócios são mais robustas e de fácil acesso. Toda transação concluída por uma RPA é gravada em um registro detalhado. Esses dados podem ser manipulados para produzir uma análise profunda de praticamente qualquer processo concluído. Se a indústria estiver sujeita aos regulamentos governamentais, esses dados também podem ser utilizados para garantir a conformidade;
  • O software RPA é melhor usado quando é implantado em toda a empresa e permite que vários departamentos se concentrem no trabalho de valor agregado, não apenas em um único computador executando um único processo;
  • Em vez de mexer com programação personalizada ou codificação de integração direta, o software RPA integra-se à interface do sistema para uma fácil configuração e fácil passagem de parâmetros entre sistemas;
  • Os usuários podem automatizar tarefas em algumas horas com uma ferramenta de RPA;
  • O RPA se integra bem a sistemas legados de ERP, aplicativos em nuvem, Microsoft, entre outros;
  • Uma ferramenta RPA deve, no mínimo, incluir recursos que seja possível criar e executar tarefas de forma rápida e eficiente.

As características mais relevantes dos robôs estão descritas na Tabela 1.

INDEPENDENTE DA TECNOLOGIA EM OPERAÇÃO NÃO INVASIVA ESCALÁVEL E RASTREÁVEL
O RPA pode funcionar em sistemas de ERP. Soluções Fiscais, mainframes, aplicações customizadas ou standard e em qualquer outro tipo de plataforma de TI. O RPA aproveita a interface já  existente dos aplicativos para poder operar, contudo, não estabelece tecnicamente uma integração entre eles. O Staff pode ser treinado para dar manutenção, e se for o caso evoluir com os robôs instalados.
Qualquer plataforma de tecnologia que puder ser utilizada por um ser humano também pode ser por um robô de automação. Uma vez que não requer integrações complexas, um

robô de automação pode ser lançado em poucos dias ou

semanas, resultando em baixo custo de implementação e alto retorno sobre o investimento.

Os robôs estão sujeitos à auditoria completa com visibilidade ao acesso de segurança e modificações realizadas. Os robôs trazem ao conhecimento de todo o passo a passo das atividades em um processo.

Tabela 1: Características relevantes dos robôs

 

  1. RPA: O FANTASMA QUE ROUBA POSTO DE TRABALHO?

 

Depois da evolução dos robôs, o receio de ser substituído por uma máquina passou a assombrar as pessoas. Os robôs, contudo, ao contrário do que se imagina, serão grandes aliados dos profissionais. Quando a tecnologia da informação implementa um sistema e precisa testar alterações, o RPA entra em cena para realizar testes funcionais e de regressão.

O RPA pode, ainda, ser usado no lugar de solicitações de modificação e aprimoramento que os usuários possam demandar. Outra aplicação está na execução de tarefas repetitivas no desenvolvimento, como manutenção de registros, consultas, cálculos e operações. O McKinsey Global Institute, braço de pesquisa da McKinsey, prevê que até 30% das tarefas na maioria das ocupações podem ser automatizadas, e a robótica é o caminho. Para empresas que geram uma série de dados ou efetuam diversas tarefas repetitivas, robôs podem, por exemplo, responder a emails de clientes.

Muitas empresas, lembrou já estão em fase de experimentação do RPA. Afinal, são poucas as companhias com expertise real na tecnologia. Além do mais, sua implementação, apesar de simples, requer um alinhamento profundo entre os líderes da área de tecnologia da informação e a área de operações, já que é necessário aplicar mudanças técnicas, organizacionais e de processo. O RPA, portanto, apresenta-se como uma oportunidade para fortalecer a relação tão almejada entre a área de tecnologia e as áreas de negócios.

Assim como os robôs industriais estão refazendo a indústria de fabricação, criando taxas de produção e qualidade melhoradas, os robôs do RPA estão revolucionando a maneira de pensar e de administrar processos de negócios, processos de suporte de informatizados, fluxos de trabalho, infraestrutura remota e trabalho de home office.

Alguns dos benefícios em adotar RPA estão descritos na Tabela 2.

 

  FINANCEIRO TECNOLÓGICO / OPERACIONAL        PESSOAS
Redução de operações terceirizadas Não requer desenvolvimento de novas interfaces Mais tempo disponível para atividades de alto valor agregado
Redução de custos com operações internas Implementação rápida e de baixa demanda da área de informática Aumento do conhecimento sobre processos internos
Alcance rápidos de resultados Soluções escaláveis Alta qualidade de trabalho realizado e menos retrabalho
Não requer customização de sistemas ou upgrade de sistemas existentes Agilidade para responder às mudanças processos e rotinas Redução de conflitos
Redução de erros e consequentemente dos custos para corrigí-los Melhora na eficiência dos processos e redução de riscos Novo conceito de carreira para times operacionais

Tabela 2: Benefícios em aplicar RPA

 

  1. AUTOMAÇÃO TRADICIONAL E RPA: QUAL A DIFERENÇA?

Ao falar em RPA, é comum pensar que se trata de uma simples automação. A verdade, contudo, é que o RPA conta com uma característica única que o diferencia da automação tradicional: a adaptabilidade.

Por agregar recursos de inteligência artificial, o RPA se adapta às novas necessidades e situações. Ele pode aprender e se modificar conforme a demanda, tornando o processo bastante eficaz. Assim, o RPA chega para diminuir a necessidade de intervenção humana em processos, ao contrário da automação tradicional, que alerta o tempo todo o profissional sobre a necessidade de ações. O RPA toma decisões e corrige problemas sem a necessidade, em grande parte das vezes, de uma pessoa no processo. Por exemplo, se em uma fábrica. uma máquina aumenta sua temperatura e apresenta sinais de parada, a automação emite um alerta para que a pessoa tome a decisão. Com RPA, o robô toma a decisão e desliga o aparelho ou promove seu resfriamento imediato evitando problemas.

Uma evolução natural do RPA é o RPA as a service (RPAssS). Isso porque, esse

é o caminho do serviço fim a fim, liberando companhias para pensar efetivamente no negócio e não em informatização por informatização. O passo seguinte é o RPA com inteligência artificial, aprendendo o contexto e tomando decisões.

As escalas de graus de automação dos robôs estão resumidas na Tabela 3.

 

GRAUS DE AUTOMAÇÃO
GRAU 0 GRAU 1 GRAU 2 GRAU 3
MANUAL

(Processamento de Documentos)

PROCESSOS SEMI-AUTOMATIZADOS AUTOMATIZAÇÃO

(Robótica)

INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

(Machine Learning)

Trabalhos repetitivos, não especializados, executados por pessoas em vez de sistemas. Fluxo de trabalho centrado na força de trabalho humana é executado em processo colaborativo entre homem e sistemas. Exige supervisão humana constante. Manipula softwares

existentes (ERP, CRM, Helpdesk, etc.) da mesma forma que um humano usa estes sistemas. Utiliza robôs em formato de software que são configurados para realizar atividades

repetitivas de retaguarda, baseadas em regras.

Aprendizagem cognitiva complexa através de sistemas que monitoram a força de trabalho e recomendam automatização de processos. Os processos evoluem com sistemas de aprendizagem para simular e substituir a mão de obra por robôs que podem ser monitorados. Requer grande quantidade de dados para funciona.

Tabela 3:  Escalas de graus de automação de robôs

5. QUAL O PAPEL DO RPA NA TRANSFORMAÇÃO DIGITAL?

O RPA é uma ferramenta crucial na transformação digital da sua empresa, uma vez que acelera a digitalização dos projetos, migrando o que é analógico e operado por pessoas em telas de sistemas por robôs. Tudo isso é feito em um curto espaço de tempo, pois todo o legado de seu sistema será aproveitado, não necessitando de nenhum processo de adaptação. Uma das principais vantagens do RPA na digitalização da empresa é sua abordagem simples e pouco interventiva.

Ao optar por uma solução de RPA, a empresa não precisa mais de longos projetos com a participação de muitos profissionais da informática para readaptar o legado. Em vez disso, ela utilizará todo o legado atual com agilidade e um custo bem menor, pois o RPA não atua no nível profundo dos programas ele simplesmente faz suas transações utilizando as telas dos sistemas, assim como os colaboradores da própria empresa. Substituindo uma tarefa manual humana por uma tarefa robotizada, será observado um melhor aproveitamento da infraestrutura atual e obtendo mais tempo na execução dos projetos.

Desse modo, com o tempo, a empresa terá um catálogo vasto de transações digitais, o que certamente acelerará o seu processo de transformação digital. Uma vez que, o tempo de criação de novos serviços digitais será bastante reduzido podendo-se investir na entrega de uma melhor experiência ao usuário.

Entre as categorias de robôs há primeira, segunda, terceira, quarta e quinta geração. Os robôs de primeira geração são responsáveis por aproximadamente 60% das oportunidades de redução de custos com robotização de processos através da automatização de funções de natureza repetitiva e operacional.

Já a segunda geração robótica adiciona funções mais complexas, processando dados não estruturados como leitura de PDFs e códigos de barras.

A terceira e quarta gerações incluem ferramentas avançadas de análises de dados, permitindo a tomada de decisões através de algoritmos de previsão.

A quinta geração utiliza algoritmos de inteligência cognitiva, podendo fazer interação humana como ligações telefônicas e reconhecimento de imagens complexas.

Robôs de gerações superiores têm a capacidade de “aprender” com a experiência, convergindo cada vez mais para a solução correta nos casos de problemas que envolvam decisão, envolvendo algoritmos heurísticos e outras ferramentas de inteligência artificial. A Tabela 4 consolida as cinco gerações de robôs.

1ª GERAÇÃO 2ª GERAÇÃO 3ª GERAÇÃO 4ª GERAÇÃO 5ª GERAÇÃO
A 1ª onda robótica automatiza funções de natureza repetitiva e operacional, encapsulando essas ações em funções como:

1) Acessar sites governamentais;

2) Executar transações no SAP;

3) Definir campos e informações em sistemas legados.

A 2ª onda robótica utiliza e estende as funções definidas e pelos primeiros robôs (que será persistida em uma estrutura nas nuvens, através de bibliotecas API).

A 2ª onda robótica irá adicionar funções mais complexas em sua estrutura nas nuvens como:

1) Ler dados de PDFs;

2) Processar dados não estruturados.

A 3ª onda robótica desenvolve funções avançadas de análise e também irá permitir a componentização de atividades específicas de análise de negócios, permitindo um enorme aumento na biblioteca de funções com o uso de algoritmos de previsão. A 4ª onda robótica faz uso de funções complexas de análises avançadas de dados para recomendar a melhor ação a ser tomada em situações de difícil parametrização, tais como:

1) Máquinas de vetores de suporte;

2) Redes neurais artificiais.

A 5 onda robótica utiliza algoritmos de inteligência cognitiva para abordar atividades e processos que dependem da simples interação humana, permitindo a componentização de ações como:

1) Ligações telefônicas;

2) Compreensão de e-mails.

Tabela 4: Geração de Robos

 

6. COMO IMPLEMENTAR RPA NAS EMPRESAS?

A implementação de um RPA, ao contrário de outras ferramentas de informática, é bem simples. Existem processos de pequenas e médias empresas, para as quais desburocratizar e cortar algumas fases é essencial para alcançar rápidos resultados. Para isso basta ter acesso aos sistemas nos quais os robôs transacionarão (a partir de login, senha e conectividade de rede), além de dados para desenvolvimento e validação dos resultados.

Encerrando essa fase, a própria empresa inicia a operação aumentando gradativamente o volume de dados a ser transacionado, como em uma operação assistida. O cenário acima fica claro em situações nas quais os processos incluem apenas algumas telas e que, às vezes, pelo volume da operação atual, já ocupa o tempo integral de uma ou mais pessoas.

Incluir as demais fases de avaliação abaixo em projetos simples, tratando-os como projetos mais complexos, pode ser contraditório, visto que RPA apresenta credenciais de entrega de soluções ágeis.

O processo é dividido em 4 fases, que incluem o planejamento da sua empresa e a preparação das partes envolvidas, conforme descrito abaixo:

Fase 1: Elencar as necessidades internas da empresa

Uma implementação bem-sucedida começa por encontrar os processos em sua empresa que poderiam se beneficiar do RPA. Para começar, deve-se realizar uma avaliação de alto nível de quais processos e tarefas são bons candidatos para a robotização.

Além disso, essas ferramentas devem oferecer resultados mensuráveis para que você possa comparar o antes e o depois da implementação do RPA em relação ao custo, às oportunidades criadas e ao aumento de eficiência resultante. Esse passo inicial determina quais áreas se beneficiarão mais ao mudar para o RPA. Isso será o ponto de partida para discussões internas com as partes interessadas para despertar interesse e obter direcionamentos. Mais importante ainda, essa fase inclui demonstrações de tecnologia por fornecedores de RPA selecionados para servir como prova de conceito.

Uma vez delineado o escopo para aplicar essa tecnologia, o próximo passo crucial é definir os objetivos da iniciativa RPA. É importante obter o acordo de todos os gestores sobre os objetivos do projeto, que determinam os papéis do projeto, as responsabilidades e os planos para as fases restantes.

Abaixo estão listadas as principais tarefas da Fase 1:

  1. Conduzir pesquisas sobre serviços RPA e as capacidades de fornecedor;
  2. Identificar detalhes do projeto;
  3. Elencar membros e responsabilidades da equipe do projeto;
  4. Plano de projeto / governança / riscos;
  5. Definir objetivos do projeto;
  6. Informar periodicamente as partes interessadas para orientação e direção estratégica;
  7. Revisar um conjunto preliminar de processos para fazer cases de uso e documentar os benefícios da robotização;
  8. Identificar lista preliminar de candidatos e fornecedores de software do RPA.

Fase 2: Selecionar um fornecedor

A fase 2 envolve as etapas para selecionar um provedor de RPA, começando por obter informações sobre os requisitos técnicos e os critérios de avaliação. O processo de seleção, muitas vezes, é uma oportunidade para que os fornecedores mostrem como eles atendem aos seus requisitos. Durante essa fase, deve ser aperfeiçoada a estratégia de compras convidando os fornecedores de RPA (que atendem à lista de requisitos técnicos e critérios obrigatórios da empresa) para participar de apresentações no local. Muitos fornecedores concordarão em demonstrar a aplicação de RPA aos processos selecionados como prova de conceito.

Essas apresentações no local devem incluir uma demonstração técnica com foco específico na funcionalidade a ser otimizada ou no processo que o RPA está substituindo, para que possam ser avaliadas as diferentes soluções.

Em seguida, selecione um fornecedor baseado no que melhor se ajustou aos seus requisitos técnicos, à apresentação na sua empresa e à prova de conceito.

As principais tarefas durante a Fase 2 são:

  1. Estabelecer requisitos de processo, critérios de avaliação de fornecedores e requisitos de tecnologia, por exemplo, direitos de acesso e sistemas de origem (necessários para apoiar a iniciativa);
  2. Desenvolver e emitir um pedido de proposta para fornecedores selecionados;
  3. Avaliar as respostas (critérios obrigatórios / requisitos técnicos) para selecionar provedores elegíveis para serem convidados para a apresentação no local e a demonstração técnica do processo de aquisição;
  4. Executar apresentações no local com fornecedores designados e utilizar a proposta financeira dos fornecedores selecionados para criar o caso comercial da RPA;
  5. Implementar o piloto do fornecedor mais bem avaliado.

Fase 3: Implementar o projeto piloto

Essa fase inclui as atividades necessárias para preparar e executar a solução RPA selecionada. Nessa fase, será necessário garantir que os recursos de capital humano sejam treinados e estejam prontos para executar o plano de implementação. Essa fase também envolve o suporte e o teste do ambiente de informática. Além disso, as atividades de implementação precisarão ser documentadas, rastreadas e concluídas de acordo com o plano inicial.

A Fase 3 inclui a facilitação do projeto piloto para as áreas de processos selecionados durante a Fase 1 e a Fase 2. Durante essa fase, será explorada a robotização de ponta a ponta para mostrar toda a extensão da tecnologia RPA. Caso ocorram inconsistências, este é o momento de aprimorar e fazer modificações finais antes da revisão das partes interessadas. Assim, estabelece-se as bases para futuros modelos operacionais de transição suave para uma estratégia RPA de longo prazo definida na Fase 1 e gerenciada na Fase 4.

São tarefas da Fase 3:

  1. Apoiar o gerenciamento do projeto de implementação detalhado;
  2. Determinar requisitos adicionais, se houver, necessários para suportar o piloto;
  3. Executar o piloto com o fornecedor selecionado;
  4. Mitigar quaisquer problemas resultantes, conforme necessário;
  5. Finalizar o business case da empresa.

Fase 4: Gerenciar o ciclo de vida do RPA

Agora é a hora de lançar a solução RPA bem-sucedida. A Fase 4 inclui o lançamento inicial do seu RPA, bem como o planejamento do sucesso contínuo do software RPA por meio da manutenção proativa.

A estratégia deve incluir um modelo de governança, um modelo operacional, uma estrutura organizacional e uma estratégia de gerenciamento de mudanças de sua solução RPA. As principais tarefas desta 4ª fase são:

  1. Colocar o modelo estratégico final em vigor;
  2. Determinar o modelo operacional, a governança e o sistema de priorização de processos;
  3. Fazer a gestão do plano de gerenciamento e de comunicação de mudanças em curso.

Com todas essas informações, deve-se observar que uma RPA pode ser uma solução definitiva para a otimização dos processos de uma empresa. Com ele, você não precisa atualizar seus sistemas para outros mais pesados e complexos. A RPA é uma solução definitiva, que aproveitará todo o legado dos sistemas atuais da empresa. Dessa forma, em vez de contratar um ERP que faz tudo, pode-se aproveitar a ferramenta de CRM e integrá-la aos sistemas de pagamento e de cadastro de clientes. Assim, não será necessário preocupar-se em ter a tecnologia mais recente e mais completa de gestão empresarial. Basta investir em uma boa RPA e contratar novos sistemas à medida que uma demanda real surgir.

 

  1. O HORIZONTE PROMISSOR DO RPA

 

A adoção massiva de RPA ainda não aconteceu. Mas a tecnologia está no caminho certo e seu próximo desafio é fazer com que as empresas descubram a grande vantagem de identificar onde podem aplicar capacidades inteligentes em suas estruturas.

Nesse cenário, empresas de software, consultorias e prestadores de serviços deverão criar parcerias muito mais dinâmicas para ajudar companhias a chegarem nessa fase.

A plenitude do RPA dependerá de alguns fatores. Antes, ela terá de superar algumas barreiras. Ainda há muito desconhecimento sobre seu uso e seus benefícios. Além disso, determinadas ações e processos hoje feitos manualmente dependem muito da confiança no funcionário que os executa. Quanto maior o conhecimento e a confiança dos empresários e gestores em sistemas robotizados, mais rápido acontecerá a popularização e o aproveitamento dos ganhos que o RPA proporciona. Há muito espaço para a tecnologia no Brasil. Diversos segmentos podem usufruir dos benefícios do RPA, como bancos, entidades de ensino, segmento de marketing, atendimento ao cliente, entre outros.

Independentemente do uso do RPA na empresa, é preciso ter em mente que a tecnologia precisa fazer parte de uma estratégia mais ampla para automatizar e racionalizar o trabalho, onde pessoas, processos, ferramentas de análise, plataformas na nuvem, modelos de terceirização e procedimentos de governança são cuidadosamente desenvolvidos como parte de um plano de transformação mais amplo.

 

CONCLUSÃO

 

O uso de RPA, quando bem planejado e adaptado aos processos do negócio, é capaz de gerar economias em escala na operação. Enquanto os robôs customizados atuam

na linha de frente das rotinas burocráticas, oferecendo mais resultados em menos tempo em relação a um agente humano, os funcionários podem se dedicar às atividades que geram valor para os clientes e lucro para a empresa.

O RPA é uma tecnologia que oferece um diferencial competitivo para os negócios especialmente aqueles que tem a transformação digital no planejamento estratégico para os próximos anos. Com a automação dos processos transacionais via software, uma empresa consegue se mover rapidamente para atender às demandas com maior eficiência e sem sobrecarregar os funcionários.

Conforme diversos relatórios de casos e pesquisas tem demonstrado, o RPA caminha para se tornar uma ferramenta padrão do mercado. À medida que grandes players de indústrias de ponta adotam o RPA como parte fundamental de seus processos, aumentando as margens de lucro e ganhando vantagem competitiva, outros negócios tendem a acompanhar o amadurecimento e consolidação da tecnologia.

 

REFERÊNCIAS

 

[1] Abreu, J. V. V. Uma Experiência no uso da Robótica Pedagógica - Revista Educativa. Vol. 2 - N.º 1. Nova Odessa – Brasil - 2017

 

[2] Ribeiro, C., Coutinho. O Papel Interdisciplinar da Robótica - Conferência Internacional de TIC – USP – 2016

 

AUTOR

 

Lenildo Morais

Mestre em Ciência da Computação pelo Centro de Informática da UFPE – (Universidade Federal de Pernambuco). Graduado em Ciência da Computação pela UNICAP – (Universidade Católica de Pernambuco). Tem experiência em Engenharia de Software, atuando nos seguintes tópicos de pesquisa: qualidade de software, metodologias e processos de desenvolvimento de software, engenharia de requisitos, testes de software e gerência de projetos. Atualmente, é Gerente de Projetos da Ustore, empresa do Porto Digital de Pernambuco.