A Transformação digital não é um processo futuro, elas já ocorre no momento em que são definidas ferramentas, se desenvolve projetos de sistemas, de portais, de sites e aplicações de negócio.

Apesar de ser um esforço de empresas que já existiam antes do advento da informatização, hoje mesmo empresas que já nasceram com a realidade digital popularizada como é agora, precisam pensar na transformação digital. Afinal, muitas vezes a definição de sistemas e ferramentas digitais são desestruturadas, até sem vínculo estratégico. É muito comum das grandes corporações áreas definirem sistemas de apoio ao desempenho sem um vínculo com plataformas corporativas.

Assim, a transformação digital é um processo condicionado a melhoria efetiva de performance empresarial ou institucional, objetivando apoiar ganhos de competitividade e melhoria de desempenho. Ela é uma mudança radical na estrutura das organizações, a partir da qual a tecnologia passa a ter um papel estratégico central, e não apenas uma presença superficial ou desestruturada. Além disso, dois aspectos são importantes para o entendimento da transformação digital, que vão além da questão do alinhamento tecnológico.

O primeiro aspecto é em relação ao usuário. A transformação digital só é possível quando o fator humano for priorizado. Para isso a experiência do usuário (e a uX - user eXperience, também) deve ser empregada, tanto no sentido de definição de requisitos para atendimento de um requisito quanto a interação do usuário com um conjunto de ferramentas digitais, objetivando criar interfaces de fato intuitivas e que atendam as necessidades do usuário.

O segundo aspecto é quanto a própria estrutura de sistemas e ferramentas capazes de apoiar a interação humana com o computador. Nesse sentido, os aplicativos devem apoiar os processos de trabalho, e não criar novas formas de se relacionar os processos de trabalho e a realização destes. Aqui o requisito é a interação ser a extensão da ação do humano.

Além disso, é necessário considerar a amplitude dado, informação e conhecimento e aplicar as diferentes formas de gerenciar estes diferentes registros. Por exemplo, para gerenciar informação o mais importante é a estruturação desse informação, ou seja a sua taxonomia (e a classificação por consequência). De outro lado, ao gerenciar os diferentes tipos de conhecimento, devemos aplicar determinadas técnicas. O conhecimento explícito, por exemplo, registrado em documentos, precisam de um tratamento arquivístico. Se o documento registrar, além de tudo, direitos e obrigações então estamos falando, inclusive, de manutenção de autenticidade e garantia de fidedignidade.

Neste sentido, a transformação digital é, antes de tudo, a possibilidade de se enxergar as empresas e instituições como entidades informacionais, usando a tecnologia como base de apoio à sua estratégia, consumindo e gerando informações orgânicas. E que cada tipo diferente de registro tenha seu tratamento adequado, utilizando-se de métodos consagrados para a gestão de dados, a gestão de informação e a gestão de documentos de forma integrada e de alto impacto nos resultados das organizações.

 

Charlley Luz

Arquivologia pela UFRGS e Mestre em Ciência da Informação pela ECA-USP. Empreendedor, consultor, professor e palestrante. Especialista em sistemas e serviços de informação, desenvolvo projetos em arquivos e de planejamento e arquitetura de informação de ambientes e repositórios digitais. Junto à Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo - FESPSP é professor da Pós-Graduação em Gestão de Documentos de Arquivos e de Gestão da Informação Digital, disciplinas de Gestão de Repositórios Digitais e Arquitetura da Informação, além da disciplina de Inteligência Competitiva no MBA de Gestão e Coaching da SLAC/FESPSP