decreto 9235 e a portaria 315 têm sido o maior assunto no momento. Todas as Instituições de Ensino Superior têm se preocupado em como vão cumprir o prazo de 24 meses para ter todo seu acervo acadêmico em formato digital. Considerando que temos várias IES com mais de 50 anos de história em papel, imagino sim o desespero dessas instituições.


O que há por traz desse decreto? O que o MEC tanto quer com esse prazo tão curto e investimento tão alto?

 

Podemos entender esse decreto e portaria como um fator de transformação das IES. O Ministérios da Educação (MEC) está nos dando a oportunidade de pensar a transformação digital em nossas instituições como nunca antes. Temos a oportunidade de repensar e automatizar nossos processos e nos aproveitar dessa mudança “imposta”.

 

Se olharmos para o mercado atual, enxergamos que vários setores foram impactados pela transformação digital. Mercado de transporte, mercado de hotelaria, mercado de mídia, etc. Todos foram impactados e, com enorme resiliência, estão se adequando a esta nova realidade. Não só o mercado, como nós, que usufruímos desses mercados. E porque o mercado da educação não pode também surfar esta onda?

 

Quando voltamos um pouquinho no tempo, o mercado educacional foi o grande precursor de uma enorme mudança com o advento das disciplinas virtuais e depois com os cursos EAD. Isso, muito antes de qualquer entrada no mercado de Uber, Airbnb, Netflix, etc. Isso mostra o poder de transformação que o mercado educacional tem e pode ainda fazer.

Nosso público hoje é um público nato-digital. Os jovens nascidos do ano 2000 para cá, não sabem o que é viver sem internet, sem streaming e todas essas tecnologias disponíveis. São conectados 24 horas por dia. E nós estamos deixando de aproveitar esse insumo atuando com processos lentos, morosos e cheios de papel. Poderíamos oferecer aos nossos “clientes” tudo aquilo que eles querem: agilidade e resolução rápida de problemas.

Existem muitas tecnologias disponíveis e acessíveis que podem transformar radicalmente a operação de uma IES. Temos inteligência artificial, RPA, Machine Learning, etc. Mas tudo isso é tecnologia, é o meio. Nossa principal preocupação tem que ser com nossos processos. Usar tecnologias avançadíssimas em processos ruins só tornará o ruim mais rápido e entregaremos coisas piores, mais rápido.

Por isso, esse é o momento de reflexão e de aproveitar essa exigência para novamente transformarmos nossa operação e nosso mercado. Vamos lembrar que 40% do que nossos “clientes” avaliam em nossa instituição, diz respeito a trabalho administrativo. Então, temos agora uma riqueza enorme em mãos, com muitos dados que podem ser transformados em informação. E toda essa informação pode ser usada para conhecermos melhor nossos alunos e tornarmos o engajamento deles cada vez maior com nossa instituição.

 

Leonardo Carvalho

Gerente de Projetos Stoque