Na nossa mais recente publicação falamos sobre o futuro das profissões, especialmente sobre como se preparar para conviver com as novas tecnologias e com os robôs.

Agora vamos tratar do perfil desejado para o profissional de informática, no momento em que se descortinam horizontes mais ampliados em relação ao seu papel tradicional.

Para começar nada mais oportuno do que a mensagem que recebi nesta ultima semana de Ivan Accioly: "dependendo do interlocutor, a inteligência artificial (IA) é promessa ou ameaça, benção ou maldição", ou seja, "no admirável mundo novo da inteligência artificial há que se aprender o que funciona e o que não funciona".

Ele se referia ao debate sobre o impacto da IA no futuro da humanidade, que tem envolvido personalidades relevantes no mundo da tecnologia, como Elon Musk (Tesla), Mark Zuckerberg (Facebook) e Sundar Pichal (Google): foi ainda Accioly que gentilmente nos encaminhou a matéria a respeito, intitulada "Google tenta acabar com a 'estupidez' na inteligência artificial.

Por meio da mesma também tomamos conhecimento que pesquisadores do Google acabam de lançar o projeto PAIR (sigla para People + AI Research), iniciativa para melhorar a interação entre os humanos e os sistemas de inteligência artificial.

Esta preocupação vem ao encontro de nossa afirmação de que o principal desafio do profissional de informática hoje é prover sistemas aplicativos dotados de mecanismos de interação e de inteligência que estejam totalmente sintonizados com as características e necessidades daqueles usuários para os quais estão sendo construídos.

Alguma novidade nisso? Aparentemente não, de há muito já se fala na figura do analista de negócios nas organizações, envolvendo no entanto interpretações distintas quanto ao papel deste profissional:

> uns dizem que ele atua vinculado à alta direção, ajudando-a a pensar a estratégia e o modelo do negócio,

> outros afirmam que ele trabalha com a equipe de desenvolvimento de software, intermediando as demandas corporatvas e a entrega dos aplicativos,

> finalmente, mais recentemente, ele atuaria na modelagem, implementação e acompanhamento do desempenho dos processos de negócio.

Em qualquer dessas situações existe hoje uma necessidade de forte interação deste profissional, no desempenho de um ou mais dos papéis acima elencados, com as tecnologias que emergem a cada dia, tais como analytics, big data, inteligência artificial, internet das coisas e, mais recentemente, blockchain, para ficarmos naquelas mais recorrentemente ofertadas no mercado.

Além do domínio das tecnologias específicas que serão aplicadas ao negócio, quais são as competências essenciais que o profissional de informática, no seu papel de analista de negócios, deve ter para contribuir para o alcance de resultados efetivos para a empresa?

Pesquisa recente nos dá uma resposta parcial a este respeito. Ao falar sobre como a tecnologia vai mudar a dinâmica no mercado de trabalho, ela aponta algumas especialidades em alta no mercado de informática: cientista de dados, desenvolvedor mobile, especialista em UI (interface do usuário), e especialista UX (experiência do usuário).

Mas a revolução das competências no domínio das profissões ligadas à informática não se restringe aos métodos e tecnologias inerentes à função: como no caso das demais profissões especializadas, a capacitação para o futuro que já é hoje exigirá novas habilidades ligadas ao comportamento e ao modelo mental das pessoas, dentre as quais salientamos as três que se seguem:

Inteligência emocional: as máquinas não tem empatia, não conseguem criar relacionamento entre as pessoas e, a partir daí, prover insights derivados da exploração das motivações e modelos mentais de cada um e dos grupos orientados para resolução de problemas e geração de idéias;

Pensamento crítico: o potencial das aplicações da inteligência artificial nos negócios depende da alavancagem das habilidades das pessoas em conceituar, sintetizar, analisar e aplicar o conhecimento derivado da observação, experiência, raciocínio e comunicação no ambiente de trabalho e junto a clientes e parceiros do negócio.

Adaptabilidade: esta habilidade nos capacita a enfrentar de forma proativa as novas circunstâncias decorrentes das mudanças nos ambientes tecnológicos e de novos entrantes no mercado de trabalho e associados à oferta de novos produtos e serviços.

O tema sobre o futuro dos profissionais de informática também estará sendo discutido no painel sobre o futuro das profissões, que ocorrerá na próxima semana no contexto do RioInfo 2017.

Conforme abordamos na publicação precedente sobre o mesmo tema, o ciclo de vida das competências é agora mais curto do que nunca e a mudança está acontecendo em todas as profissões em uma escala sem precedentes.

O profissional de informática está no olho deste furacão, e para sua sobrevivência deverá estar pronto para a Revolução das Competências, para sua sobrevivência e crescimento no mercado de trabalho.

 

Newton Fleury

Autor, consultor e professor com foco em inovação e estratégia, processos de negócio, gestão da informação e do conhecimento e tecnologias de apoio à gestão.