No dinâmico mundo das operações dentro das empresas o futuro já está presente. A Internet das Coisas chegou e começa a ocupar lugar de destaque em toda a cadeia produtiva.

Além da interação homem-máquina, implantada há algum tempo por meio de softwares avançados, a interação entre as peças a serem agregadas ao produto final e o processo necessário para esta ação atualmente também “conversam” entre si.

O Warehouse Management já se consolidou nas empresas, portanto a garantia da disponibilidade de peças e sua correta alocação nos depósitos não é motivo de preocupação.

Agora o processo produtivo começa a se conectar com essa base de dados e realiza a chamada das peças no tempo correto.

Depois de agregadas ao produto final, este, por sua vez, envia informações necessárias para sua rastreabilidade, bem como faz a conexão com o sistema de entrega até o cliente final.

Os equipamentos consequentemente avaliam sua performance e informam antecipadamente problemas que possam ocorrer, enviando as informações ao sistema de gerenciamento de manutenção que emite ordens de compra de peças de reposição no tempo adequado.

Como base de apoio para o desenvolvimento dessa realidade, a digitalização tem lugar de destaque no planejamento e simulação de todas as interfaces do processo produtivo.

A fábrica virtual tem o percurso entre a concepção e sua aplicação cada vez mais reduzido, comprovando a necessidade de atualização das cadeias como forma de reduzir custos e potencializar a produtividade.

Esse cenário nos processos operacionais é observado em muitos países desenvolvidos em maior ou menor grau, dependendo dos investimentos realizados para adequar recursos.

No Brasil, também em grau infelizmente menor, se observam tais práticas em algumas indústrias e segmentos. Pelos investimentos e interfaces indispensáveis à concretização desse panorama dificilmente veremos em curto espaço de tempo a abrangência que todas as tecnologias juntas podem alcançar.

Como exemplo de ações em prática nas indústrias brasileiras a questão do Warehouse Management é bastante conhecida e utilizada, bem como a interface entre equipamentos dedicados ao processo produtivo. Sistemas de aparafusamento com rastreabilidade há muito habitam nossas linhas de produção.

Contudo, certamente a infraestrutura de Internet no Brasil ainda pode ser um fator crítico no desenvolvimento e aprimoramento das interfaces. Em qualquer segmento que se queira apontar, a idade média dos equipamentos na maioria das empresas também poderá restringir suas interconexões.

A questão dos investimentos também é um fator a ser analisado na efetividade das ações, embora na existência de uma infraestrutura adequada os valores requeridos não sejam de grande monta. Sensores e hardware são encontrados com preço acessível e muitas software houses conseguem desenvolver boas soluções de integração.

Dada a sua importância, esse é precisamente o tema a ser discutido por especialistas no Painel de Manufatura e Logística do Congresso SAE BRASIL, em novembro próximo, que certamente nos trará uma visão bem diferente do futuro em que nos acostumamos a pensar.

 

Marcelo Martin

co-chairperson do Comitê Manufatura, Logística e Qualidade do Congresso SAE BRASIL 2017