No passado, as tecnologias eram ditadas pelas necessidades das empresas e o funcionário tinha pouca influência na mudança dos processos e produtos. Ao longo do tempo, os funcionários passaram a participar cada vez mais, dando sua contribuição para a melhoria das organizações onde trabalham.

[private] Nos últimos anos, com a democratização do acesso digital – o Brasil é hoje o quinto país com maior número de conexões à Internet, segundo o site Internet World Stats – houve um avanço tecnológico no setor de dispositivos móveis e uma consequente revolução dentro das empresas, já que as novas tecnologias são rapidamente absorvidas pelas pessoas.

Algumas vezes, utilizo o transporte público para ir ao trabalho e vejo nos trens, por exemplo, a quantidade e a qualidade dos dispositivos móveis, como os smartphones, que estão sendo usados pelas classes C,D e E. No entanto, noto que as empresas não conseguem acompanhar a velocidade de implementações em produtos e serviços no mesmo compasso que o consumidor final tem disponível hoje em seu ambiente pessoal.

À essa tendência, damos o nome de “Consumerização de TI”, um movimento que reflete a demanda de bilhões de pessoas ao redor do mundo por inovações em seus próprios equipamentos. Essas pessoas querem utilizar seus dispositivos móveis dentro das companhias onde trabalham, pois assim conseguem manter fora dali – em casa, em uma viagem ou em qualquer outro lugar – a mesma produtividade, velocidade, flexibilidade e mobilidade que possuem quando estão na empresa.

Muitos profissionais da Geração Y – ou a chamada geração da Internet – já levam em consideração, durante o processo seletivo para uma oportunidade de trabalho, qual o grau de aceitação da nova empresa com relação ao uso de dispositivos móveis no ambiente corporativo, uma vez que esse comportamento já se tornou relevante no dia-a-dia dessas pessoas. Uma matéria publicada no site “The Root” revela que em 2025 mais de 70 % da força de trabalho nos EUA será formada pela geração Y, nascidos após 1980 e meados da década de 1990.

Diante desse cenário, as companhias não podem – e não devem – fechar os olhos para este tsunami tecnológico. De acordo com um estudo realizado pela Unisys este ano com a IDC, já existe inclusive uma desconexão entre os equipamentos que os funcionários julgam ser permitidos e o que os empregadores na verdade autorizam.

Neste sentido, surgem a cada dia novos casos de problemas causados pela falta de uma política clara sobre o que é permitido, e o mais importante, do que não é permitido. Nenhuma política de TI vai inibir essa tendência. Não podemos mais proibir que estas tecnologias sejam utilizadas pelos funcionários, mas sim mostrar qual é a melhor maneira de utilizá-las. Não vale somente desenhar uma política e divulgá-la na Intranet. O trabalho das empresas vai além. É preciso conscientizar a equipe sobre os riscos em postar algo relacionado à companhia nas redes sociais, de fazer downloads de vídeos e músicas durante o expediente e até da própria conexão de dispositivos móveis na rede da empresa sem os devidos cuidados.

Nas apresentações que faço sobre este tema nas organizações, os CIOs me perguntam como as companhias ao redor do mundo estão trabalhando a consumerização. Não existe um padrão, mas o fato é que este assunto não é mais de responsabilidade somente dos departamentos de tecnologia e sim uma decisão estratégica de toda a empresa

O impacto das tecnologias móveis no mundo corporativo não diz respeito apenas a um posicionamento tecnológico. Este assunto envolve, hoje, o poder de decisão das principais áreas de uma organização, como Recursos Humanos, Jurídico, Marketing e Comercial/Negócios. Definida a estratégia, é hora do setor de Tecnologia e Telecomunicações avaliar todos os impactos e investimentos em recursos e ferramentas que suportem a nova realidade com segurança e bom senso.

As companhias que conseguirem mais rapidamente se adequar a esta tendência, desenvolvendo um plano estratégico que envolva todas as suas áreas e se ajustando de forma dinâmica à movimentação do mercado, serão aquelas que se diferenciarão no mercado, vendendo mais, satisfazendo seus clientes e atraindo mais talentos, ansiosos não somente por tecnologia, mas satisfeitos por fazer parte de uma empresa que busca inovação. [/private]

 

* Texto escrito por Dimas Barros Moura, Gerente de Marketing para América Latina Unisys América Latina.