Por que tantas empresas erram ao comprar Firewall de nova geração (e como evitar esse erro)

Por que tantas empresas erram ao comprar Firewall de nova geração (e como evitar esse erro)

Por Ulisses Penteado, CEO da BluePex

Se você trabalha com cibersegurança, é possível que conheça alguém que comprou um firewall com um nome “bonito” e caríssimo e, ainda assim, teve sua empresa invadida. Talvez conheça também alguém que, na tentativa de economizar, comprou um firewall barato, ficou sem licença ativa e viu toda a operação ser paralisada na hora da renovação.

Se você é um profissional de infraestrutura, um gestor de TI ou um empresário que já ouviu indicações de firewall sem critérios técnicos claros, este texto é para você. A boa notícia é que, ao final da leitura, você saberá decidir qual firewall é realmente certo para sua empresa (mesmo sem ser um especialista em segurança).

Antes de quebrarmos o mito de que “quanto mais caro, melhor”, é preciso entender que firewall não é item de moda ou grife, mas sim engenharia, contexto e visão de futuro. Não importa o nome da marca no equipamento se você não conhece a própria rede.

Então, esse é o ponto de partida: entender profundamente o seu ambiente. Saber quantos usuários você tem hoje e projetar isso para os próximos anos faz toda a diferença. A partir daí, levantar quais são as aplicações críticas para o seu negócio: ERP, nuvem, VPN, VoIP? Quantas filiais existem? E o tipo de tráfego predominante - web, aplicações, VPN? São perguntas simples, mas que quase ninguém faz antes de decidir.

Antes de escolher, reflita também: você precisa de relatórios? Compliance? Auditoria? E quem vai operar esse firewall: sua equipe interna de TI, um provedor de serviços gerenciados ou uma consultoria? A partir dessas respostas, você consegue tomar decisões técnicas e inteligentes, mas muitos compradores sequer pensam nisso. Como pode confiar em alguém que recomenda um produto sem sequer conhecer sua rede?

Outro ponto crítico que poucos consideram é a diferença entre a “lata” e o “cérebro” do firewall. O hardware é apenas o invólucro. O que realmente faz a proteção acontecer, que o difere de ser um simples roteador para se tornar um firewall de nova geração (conhecido como NGFW) capaz de identificar e bloquear ameaças são os módulos presentes no licenciamento. Comprar um firewall sem licença é como comprar um carro sem combustível - pode até parecer um bom negócio na hora, mas não vai levá-lo a lugar algum. E daqui a três anos, quando sua empresa crescer, o dólar subir e sua licença expirar, será que você trocará apenas a licença ou terá de substituir o equipamento inteiro? Licenças em dólar ou em real? Renovações anuais ou trienais? São detalhes que impactam diretamente no custo total de propriedade.

Suporte, idioma e disponibilidade de atendimento também são fatores emocionais e práticos que definem o sucesso ou o fracasso de um projeto. Quando seu firewall falha, você precisa de suporte de verdade, em português, 24×7, com SLA claro e eficaz, e não de alguém que apenas anota seu problema e promete retorno na próxima segunda-feira.

Problemas com suporte nascem, muitas vezes, de uma pergunta não feita. Pode acontecer de você precisar de suporte em um sábado e, ao acionar o fornecedor, ele informa que não tem atendimento no Brasil por telefone de final de semana, mas que você pode enviar um e-mail para abertura de chamado. A partir daí é rezar para alguém te retornar antes de você conseguir a solução lendo um blog ou pedindo ajuda a um amigo.

O dimensionamento correto também pede visão de futuro. Firewall não deve ser dimensionado para o agora, mas para onde sua empresa estará daqui a três anos. Por isso é interessante envolver a alta direção da empresa na decisão.

Uma história simples ilustra bem esse ponto: uma empresa economizou 20 mil reais ao comprar um firewall básico. Dois anos depois, gastou 80 mil reais para trocar tudo e ainda acabou pagando a multa para cancelar um contrato mal planejado.

Pensar em modelo de custo mensal pode livrar sua empresa de grandes desembolsos de capital e da necessidade de pagamento de multas no futuro. Firewall é peça fundamental da segurança, mas não pode ser tratado como despesa surpresa nem como aposta. Escolher e dimensionar o firewall certo é, antes de tudo, saber onde você está, para onde vai e quais perguntas fazer, com coragem e com critério.

Não podemos tornar Firewall um “produto de prateleira”. Segurança tem que ser sob medida para cada empresa. Segurança é inegociável.

Imagem: https://br.freepik.com/imagem-ia-gratis/acesso-negado-alerta-de-ciberseguranca_416728249.htm

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