Apesar de não substituir determinados processos, a IA tem se mostrado uma ferramenta que corrobora com a otimização de operações e com a melhoria de desempenho das unidades franqueadas
O que separa franquias que crescem de forma consistente daquelas que apenas sobrevivem em um mercado cada vez mais competitivo? Em muitos casos, a resposta está na forma como as empresas organizam informações, tomam decisões e ganham eficiência no dia a dia. É nesse ponto que a Inteligência Artificial tem se consolidado como chave para a ascensão orgânica dos negócios. Presente em sistemas de atendimento, análise de dados, gestão operacional e apoio à tomada de decisão, a IA já integra a realidade de 9 milhões de empresas brasileiras, número que representa 40% do total do país, segundo o relatório “Desbloqueando o Potencial da IA no Brasil – 2025”, da AWS Amazon Web Services. Dentro desse cenário, o franchising encontra um terreno especialmente fértil, já que seu modelo depende diretamente de padronização, escala e desempenho replicável.
“A Inteligência Artificial passou a apoiar a estratégia e a gestão da rede no dia a dia, ajudando a organizar processos, orientar decisões e dar suporte aos franqueados, da operação ao marketing e à gestão de pessoas, sempre com foco em melhorar a performance e sustentar o crescimento”, afirma Jéssica Ramalho, CEO da Acuidar, maior rede de franquias da América Latina no segmento de cuidados domiciliares. Partindo da empresa como exemplo, essa visão impulsionou a criação de duas frentes complementares: a Acuidar Labs, voltada ao desenvolvimento e à experimentação de soluções, e a Acuidar Nexus, responsável por levar a aplicação prática da Inteligência Artificial às unidades franqueadas.
Na prática, a Acuidar Nexus estrutura o uso da IA a partir de uma base sólida. A primeira etapa envolve a escolha e configuração das plataformas, a organização dos históricos de conversa, o aprendizado de técnicas avançadas de prompts e a construção de bibliotecas de comandos e assistentes iniciais. “Quando a equipe aprende a dialogar melhor com a Inteligência Artificial, o tempo economizado se transforma em foco no que realmente importa: pessoas e gestão”, destaca Jéssica. Esse processo aumenta a precisão das informações e traz mais fluidez para a rotina dos franqueados.
O avanço ocorre com aplicações mais estratégicas, como a criação de assistentes personalizados, a análise de contratos, a triagem de currículos e o apoio à tomada de decisão em áreas sensíveis. Em seguida, a tecnologia passa a apoiar a construção de scorecards, checklists e manuais operacionais, reforçando a padronização e a qualidade dos serviços. “A IA ajuda a transformar conhecimento disperso em processos claros, fáceis de acompanhar e replicáveis”, reforça a CEO. O ciclo se completa com uma etapa voltada ao crescimento, na qual a Inteligência Artificial contribui para estratégias de marketing, definição de personas, desenvolvimento de campanhas e análise contínua de performance orientada por dados.
Mesmo com avanços evidentes, a Inteligência Artificial não assume um papel de substituição das pessoas. O estudo Uso da Inteligência Artificial pelas Redes de Franquias 2025, realizado pela ABF – Associação Brasileira de Franchising, revela que 37% das franqueadoras ainda estão em fase de testes na aplicação da tecnologia e 22% a utilizam de forma não estruturada. Os dados indicam um setor em transição, no qual a IA se consolida como ferramenta de apoio, enquanto a atuação humana permanece essencial para dar sentido às informações geradas.
Imagem: divulgação.