Futuro do trabalho: por que é fundamental engajar os funcionários a aderirem às novas tecnologias?

Futuro do trabalho: por que é fundamental engajar os funcionários a aderirem às novas tecnologias?

Por Edgar Garcia, VP da UiPath para a América Latina

A automação é uma realidade e vem contribuindo positivamente para ganho de produtividade, mitigação de erros e riscos e melhora das entregas para os clientes em empresas de todos os portes e segmentos de mercado no mundo todo. Mas, evidentemente, ela gera uma preocupação dos funcionários: como será o futuro do meu trabalho?

Há tempos temos falado sobre a importância do engajamento dos colaboradores no processo de automação. Envolvê-los para que eles se tornem desenvolvedores cidadãos e consigam detectar de forma assertiva quais processos podem ser automatizados e que poderão gerar benefícios para toda a cadeia produtiva, a começar por suas próprias rotinas. Liberando suas horas de trabalho repetitivo e burocrático, esses trabalhadores terão mais tempo para desenvolver novas competências e cabe às corporações justamente devolver-lhes essas horas na forma de treinamento, de preparo para um futuro que bate à porta.

O capítulo 2 do relatório The Future of Jobs Report 2020, elaborado pelo World Economic Forum, dedica-se às previsões para o mercado de trabalho entre 2020 e 2025. Estamos, digamos, no “meio” deste caminho, então vale lançar um olhar sobre o que estamos vivenciando hoje e o que vem por aí e avaliarmos, enquanto empresas / empregadores como podemos contribuir para um futuro do trabalho com oportunidades de evolução para a força de trabalho. Algumas previsões que gostaria de destacar:

  • Aceleração da adoção de tecnologias: especialmente computação em nuvem, big data e e-commerce continuam sendo altas prioridades, seguindo uma tendência estabelecida em anos anteriores. No entanto, também houve um aumento significativo no interesse em criptografia, refletindo as novas vulnerabilidades da nossa era digital, e um aumento significativo do número de empresas que esperam adotar robôs não humanóides e inteligência artificial, com ambas as tecnologias lentamente se tornando um suporte de trabalho em todas as indústrias.
  • Tais padrões de adoção tecnológica variam de acordo com a indústria. A inteligência artificial está encontrando mais adesão entre atividades como Informação Digital e Comunicações, Serviços Financeiros, Saúde, e indústrias de transporte.
  • A realocação de tarefas atuais entre humanos e a máquina já está em movimento.
  • Entre as atividades que os humanos são esperados para manter sua vantagem comparativa estão administrar, aconselhar, tomar decisões, raciocinar, comunicar e interagir.

Outras previsões importantes a serem mencionadas: em 2025, o pensamento analítico, a criatividade e flexibilidade estarão entre as habilidades mais demandadas dos funcionários e as empresas mais competitivas serão aquelas que investirem em requalificação dos seus colaboradores atuais.

Neste sentido, empresas como J.P. Morgan, Cox e Wells Fargo já estão preparando seus times para o futuro do trabalho. Em um debate sobre o tema, Gautam Oza, vice-presidente, chefe de transformação de processos e automação inteligente da Wells Fargo, disse que a automação nos contact centers trouxe benefícios para todos. Os funcionários aprenderam a usar a automação ao invés de precisarem memorizar centenas de páginas de prompts. Além disso, ele destacou que os contact centers normalmente têm muita rotatividade de funcionários, e reduzir o tempo de treinamento de novos colaboradores tem sido um foco importante para a equipe de automação. A integração dos novos funcionários à operação foi simplificada com a ajuda dos robôs. Por fim, ele cita que a empresa tem conseguido formar, com as mudanças, uma força de trabalho mais feliz e engajada – o que acaba por diminuir a rotatividade.

Já na Cox, as lideranças priorizaram a disseminação de uma cultura de automação inteligente, inteligência artificial (IA) e desenvolvimento do cidadão. A companhia conta que, inicialmente, encontrou resistência dos funcionários que temiam que seus empregos seriam “exterminados” por robôs. No encontro, Monterio Woodson, Assistant Vice President (AVP) of Intelligent Automation na Cox Enterprises destacou que “uma forte base de funcionários de longa data fornece uma boa base para uma força de trabalho à prova de futuro”. Ou seja, a empresa priorizou seus colaboradores, devolveu-lhes horas de trabalho na forma de treinamento e desenvolvimento de competências que farão mais sentido para o futuro da companhia e também para o futuro de suas carreiras.  

O J.P Morgan, que opera em muitas regiões e linhas de negócios diferentes, pontuou no debate, por sua vez, que o departamento de TI tem um grande acúmulo de questões a serem resolvidas e que, com a ajuda de uma força de trabalho digital, conseguiu reduzir significativamente a carteira de pedidos. Aqui, engana-se quem acredita que, com isso, o número de funcionários foi reduzido.  

Dupe Witherick, Head of Automation do J.P. Morgan, mencionou que o banco está sempre pensando em como reter as pessoas, especialmente em ambientes difíceis de contratação como o atual. Eles oferecem cursos para ajudar os funcionários a continuar se qualificando e crescer em suas carreiras no banco. O que eles fizeram foi disseminar uma cultura de automatização em que os próprios colaboradores identificassem o que faria sentido automatizar. A fórmula encontrada pelo JP Morgan para se preparar e preparar seus colaboradores para o futuro do trabalho foi reduzir da carga de trabalho manual e proporcionar o desenvolvimento de novas habilidades aos funcionários.

 Ou seja, me parece claro qual é o papel das empresas no futuro do trabalho: desenvolver uma cultura digital na qual os colaboradores entendam a tecnologia como aliada e não como vilã, capacitar os funcionários para que trabalhem lado a lado com essas tecnologias que lhe auxiliarão a diminuir horas desperdiçadas em trabalhos manuais, burocráticos e sem valor agregado e também acompanhar as tendências de mercado, capacitando seus colaboradores para as mudanças, viabilizando que se tornem peças fortes e fundamentais para suas companhias, com um olhar analítico e de alto valor agregado. Afinal, o futuro das empresas também demanda uma forte base de colaboradores.

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