Golpes digitais exploram falhas de conectividade e telefonia, e ampliam riscos para usuários e empresas

Golpes digitais exploram falhas de conectividade e telefonia, e ampliam riscos para usuários e empresas

Por Jander César Albuquerque Faria, especialista em infraestrutura de redes e conectividade

Os golpes digitais avançam de forma acelerada no Brasil e passam a alcançar, com cada vez mais frequência, falhas na infraestrutura de conectividade e de telefonia. Tecnologias como VoIP, números virtuais, spoofing de chamadas e redes Wi-Fi inseguras têm sido exploradas por criminosos para ocultar identidades, enganar usuários e dificultar o rastreamento dessas fraudes.

Dados da Kaspersky's Threat Landscape, um site de levantamentos de ameaças cibernéticas, indicam que o Brasil enfrentou cerca de 553 milhões de tentativas de phishing (incluindo SMS, e-mail e ligações telefônicas) entre 2024 e 2025. Isso indica que o avanço dos golpes acompanha diretamente a evolução da própria tecnologia de telecomunicações. Golpistas vêm se aproveitando de redes mal configuradas, equipamentos desatualizados ou até mesmo da falta de mecanismos de autenticação mais robustos.

Tecnologias como o spoofing permitem que o número exibido na tela não corresponda à origem real da chamada, o que facilita golpes como o falso suporte bancário, falsas cobranças e o chamado “golpe do falso advogado”. Com isso, sem mecanismos de validação mais avançados e sem uma gestão adequada da infraestrutura, o usuário fica exposto e, na maioria das vezes, sem perceber.

Além disso, a falta de atualização de roteadores, centrais telefônicas e sistemas corporativos ampliam o risco de exploração e fragilidade, já que boa parte das fraudes poderiam ser mitigadas com práticas básicas, como atualização de firmware, segmentação de redes, autenticação em dois fatores e monitoramento do tráfego de voz e dados.

O combate aos golpes digitais passa por uma combinação de educação do usuário, investimentos em infraestrutura segura e maior atuação das operadoras e órgãos reguladores, com mecanismos mais eficientes de identificação e bloqueio de chamadas e mensagens fraudulentas. Porém, enquanto a conectividade não for tratada como um ativo estratégico de segurança, e não apenas como um serviço, os golpes vão continuar evoluindo. E a pergunta que fica é: até quando?

Imagem: https://br.freepik.com/imagem-ia-gratis/conceito-de-ciberseguranca-escudo-protegendo-dados_419063296.htm

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