Pode parecer que as fitas ficaram no passado, mas elas ainda desempenham papel fundamental no mundo digital. Usadas para guardar grandes volumes de dados com segurança, as fitas LTO (Linear Tape-Open) funcionam como cofres digitais capazes de armazenar enormes quantidades de informação — muito além do que caberia em um HD ou servidor comum. Bancos, hospitais, órgãos públicos e, até mesmo, provedores de serviços em nuvem, também recorrem a essa tecnologia para preservar dados por décadas. Agora, as fitas LTO da FUJIFILM - líder mundial em imagens e produtos fotográficos -, acabam de ganhar produção nacional, direto da Zona Franca de Manaus.
Quando ouvimos a palavra “fita”, é comum lembrar dos tempos de fitas cassete. Mas existe uma versão tecnológica e atualizada desse formato que segue indispensável: as fitas LTO (Linear Tape-Open). Mas por que estas fitas ainda são tão relevantes na era da nuvem? A resposta está no custo mais baixo por terabyte armazenado, na maior segurança contra-ataques cibernéticos — já que as fitas ficam “offline” e imunes a hackers — e na escalabilidade, que cresce a cada nova geração. Hoje, uma única fita LTO pode armazenar até 30 terabytes de dados nativos (o equivalente a 6 mil filmes 4K de duas horas ou mais de 9 milhões de fotos), e estima-se que futuras gerações, como a LTO-14, possam chegar a impressionantes 576/1,44 petabytes.
Um dos protagonistas desse segmento é a Fujifilm, que entrou no mercado de LTO no início dos anos 2000. Desde então, tornou-se a maior fabricante mundial da tecnologia, responsável por cerca de 60% da produção global. Além do Japão, apenas o Brasil produz o item, reforçando assim seu compromisso com tecnologia e posicionando o país de forma estratégica no mercado de armazenamento de dados.
Atualmente, a unidade de Manaus produz as fitas LTO 5 a LTO 9 (LTO 5, LTO 6, LTO 7, LTO 8 e LTO 9) e já conta em seu portfólio com a LTO Ultrium 10, com capacidade de 30 TB nativos e até 75 TB de dados comprimidos. A marca também se prepara para a próxima evolução da tecnologia, uma versão aprimorada da LTO-10, também produzida na unidade industrial brasileira, com upgrade de memória, capaz de armazenar 40 TB nativos e até 100 TB de dados comprimidos, com lançamento global previsto para janeiro de 2026.
O interesse por essa tecnologia segue em alta. Em 2024, foi registrado um recorde histórico de 176,5 exabytes de capacidade comprimida vendidos mundialmente, segundo o consórcio LTO.org. Este foi o quarto ano consecutivo de crescimento, impulsionado pela explosão de dados gerados por inteligência artificial, serviços de streaming e pela necessidade de compliance em setores regulados.
Outro aspecto curioso é o impacto ambiental. Ao contrário dos discos rígidos (HDDs), que precisam ficar ligados o tempo todo para manter os dados acessíveis, as fitas podem ser guardadas sem consumir energia. Um estudo da Brad Johns Consulting, LLC mostrou que, ao comparar o armazenamento de 100 petabytes em HDDs e em fitas LTO por 10 anos, o uso das fitas reduz em até 95% as emissões de CO2, o que equivale a cerca de 2.400 toneladas a menos de carbono na atmosfera.
Com mais de 50 anos de durabilidade comprovada, criptografia avançada e versões que impedem a alteração dos dados (recurso conhecido como WORM, muito usado em auditoria, saúde e governo), as fitas LTO seguem como uma solução confiável e cada vez mais indispensável. E, agora, com a produção nacional da Fujifilm, o Brasil passa a ser não só consumidor, mas também protagonista nessa história que mostra como tecnologia pode continuar relevante na era da inteligência artificial e da nuvem.
"O Brasil é um mercado estratégico para a Fujifilm, não apenas pelo seu tamanho, mas pela maturidade crescente na gestão e preservação de dados. A decisão de implementar a fabricação local das fitas LTO reforça nosso compromisso de longo prazo com o país, ampliando nossa capacidade de atendimento, reduzindo prazos e fortalecendo a proximidade com clientes de setores críticos. Esse movimento está alinhado à nossa visão global de eficiência e inovação, com soluções cada vez mais aderentes às necessidades do mercado nacional", destaca Emerson Stein, Diretor Comercial e de Negócios das áreas de Recording Media, Healthcare, Imaging e Graphic da Fujifilm Brasil.
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