Empresas têm chance de registrar extensões próprias na internet após 14 anos

Empresas têm chance de registrar extensões próprias na internet após 14 anos

Empresas interessadas em fortalecer sua presença digital terão uma nova oportunidade de criar extensões próprias de domínio na internet. No dia 30 de abril, a Internet Corporation for Assigned Names and Numbers (ICANN), organização responsável pela coordenação global do sistema de nomes de domínio, abrirá uma nova rodada para que companhias e empreendedores proponham extensões inéditas.

A última vez que isso aconteceu foi em 2012. Na ocasião, o número de extensões disponíveis saltou de cerca de 22, como.com, .net e .org, para mais de 1.200. Além de termos genéricos, como .online, .bank e .xyz, também surgiram extensões associadas a marcas, como .amazon,.bradesco e .bmw.

Nesse modelo, conhecido como domínio “.marca”, a extensão costuma ser utilizada exclusivamente pela empresa titular, sem possibilidade de registro por terceiros. Para especialistas, esse formato pode trazer vantagens tanto do ponto de vista estratégico quanto de segurança digital.

“Uma extensão própria permite que a empresa tenha controle total sobre sua presença online. Além de facilitar a organização de serviços e plataformas digitais, também cria um ambiente mais seguro para clientes, que passam a reconhecer com facilidade os endereços oficiais da marca”, afirma Rodrigo Azevedo, coordenador da área de Propriedade Intelectual e Direito Digital de Silveiro Advogados.

Outro fator que tem impulsionado o interesse por esse tipo de domínio é a crescente escassez de nomes disponíveis nas extensões tradicionais. Em domínios populares, como.com ou.com.br, encontrar endereços livres para novos produtos ou serviços se tornou cada vez mais difícil. Com uma extensão própria, a empresa passa a ter liberdade para criar novos endereços vinculados diretamente à sua marca.

O processo, porém, é bem diferente do registro convencional de um domínio. Na prática, as empresas precisam se candidatar a operar uma nova extensão dentro da própria infraestrutura da internet. A taxa inicial para participação é de US$ 227 mil (cerca de R$ 1,2 milhão), além da exigência de comprovação de capacidade técnica, jurídica e financeira para administrar a operação.

Atuação na ICANN

Na rodada anterior, em 2012, o escritório Silveiro Advogados liderou na América Latina a estruturação de candidaturas desse tipo, representando três empresas (Itaú, Ipiranga e Telefônica) das sete marcas brasileiras que apresentaram candidaturas aprovadas perante a ICANN.

“Empresas com presença digital relevante, atuação internacional ou forte preocupação com proteção de marca e segurança da informação tendem a se beneficiar mais desse modelo. Não há previsão de uma nova rodada, então as marcas que tiverem interesse precisam correr contra o tempo”, afirma Leonardo Braga Moura, advogado da área de Propriedade Intelectual e Direito Digital de Silveiro Advogados.

A expectativa é que a janela para apresentação de candidaturas permaneça aberta entre 12 e 15 semanas. Qualquer entidade legalmente estabelecida pode participar do processo, desde que cumpra os requisitos técnicos, jurídicos e operacionais previstos no guia oficial.

Imagem: Gemini/divulgação.

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