Empresas avançam com IA, mas ignoram como recuperar esses ambientes em caso de falha, alerta Check Point Software

Empresas avançam com IA, mas ignoram como recuperar esses ambientes em caso de falha, alerta Check Point Software

Quando a inteligência artificial avança rapidamente nas empresas, um risco crítico começa a ganhar relevância, especialmente no contexto do Dia Mundial do Backup: a incapacidade de recuperar ambientes de IA após falhas ou ataques. Segundo a Check Point Software, a IA já sustenta operações críticas, mas ainda está fora das estratégias tradicionais de recuperação.

Dados do relatório AI Security 2025 mostram que 7,5% dos prompts contêm informações potencialmente confidenciais e que um em cada 80 interações apresenta alto risco de vazamento de dados. Ao mesmo tempo, o uso da tecnologia por cibercriminosos acelera ataques em escala.

“Uma pergunta que poucas empresas têm feito é: ‘se o ambiente de IA falhar hoje, o que será possível recuperar, em quanto tempo e com qual nível de fidelidade?’”, afirma Fernando de Falchi, gerente de Engenharia de Segurança da Check Point Software Brasil, ao levantar uma reflexão sobre a era da IA no contexto do Dia Mundial do Backup.

Ativos críticos fora do radar

Modelos treinados, pipelines e bases de conhecimento já representam ativos estratégicos, mas não foram considerados quando a maioria dos planos de recuperação de desastres foi criada. “Esses ativos carregam uma vantagem competitiva relevante. Perder esse tipo de informação não é uma opção”, alerta Falchi.

Apesar disso, ainda é comum que esses ambientes não tenham classificação como ativos críticos, responsável definido ou cobertura adequada em políticas de backup. “O que vemos é que muitas empresas reconhecem esse risco, mas ainda não adaptaram suas estratégias”, acrescenta.

Backup não acompanhou a evolução da IA

O avanço da IA também expôs limitações dos modelos tradicionais de proteção. O volume de dados cresce de forma exponencial, enquanto processos como janelas de backup, escopo de proteção e testes de recuperação permanecem inalterados em sua maioria até o momento.

Além disso, persiste a confusão entre armazenamento em nuvem e backup, o que pode comprometer a recuperação em caso de exclusão ou corrupção de dados. Em ambientes críticos, a indisponibilidade de IA pode interromper operações.

“Se um agente de IA depende de uma base de conhecimento e essa informação não está disponível, ele simplesmente para. Em alguns casos, isso significa parar o negócio”, explica Falchi.

A perda de modelos treinados agrava o cenário, já que esses ativos concentram dados e aprendizado difíceis de reconstruir.

O que muda na prática

O especialista da Check Point Software recomenda revisar as estratégias de resiliência para incluir IA de forma explícita:

  • Classificar ativos de IA como críticos;
  • Incluir modelos e dados nos planos de recuperação de desastres;
  • Revisar o tempo máximo aceitável para restaurar um sistema ou operação após uma falha (RTO - Recovery Time Objective) e o quanto de dados a empresa pode perder em termos de tempo (RPO - Recovery Point Objective) considerando o volume de dados;
  • Implementar backups gerenciados e testados;
  • Não depender apenas de armazenamento em nuvem.

“O Dia Mundial do Backup reforça que não basta armazenar dados, porém é preciso garantir recuperação efetiva, inclusive em ambientes de IA”, conclui Fernando de Falchi.

Imagem: divulgação.

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