Avanço da IA impulsiona modelo de startups que entregam o serviço pronto

Avanço da IA impulsiona modelo de startups que entregam o serviço pronto

Em março, a Sequoia Capital publicou a tese de que a próxima empresa de US$ 1 trilhão pode se parecer mais com uma empresa de serviços do que com uma companhia tradicional de software. A avaliação parte de uma mudança impulsionada pela inteligência artificial. Em vez de vender apenas ferramentas, começa a ganhar força o modelo de empresas que entregam o trabalho pronto, como contratos redigidos, balanços fechados ou apólices processadas.

O debate reflete um dado relevante do mercado. Para cada US$ 1 gasto em software, cerca de US$ 6 ainda são destinados a serviços, o que amplia o espaço para negócios capazes de automatizar tarefas intensivas em conhecimento.

Para Rafael Assunção, fundador e Managing Partner da Questum, esse movimento já começa a influenciar investidores e compradores no Brasil. “Durante muito tempo, o mercado premiou quem conseguia vender software com margem alta e receita recorrente. Agora, com a IA avançando em velocidade muito maior, ganha relevância quem consegue transformar essa inteligência em entrega concreta para o cliente. Em vez de vender mais uma ferramenta para um time que já resolve o problema manualmente, a tendência passa a ser vender o próprio trabalho feito, com mais rapidez, menor custo e mais previsibilidade”, afirma.

Rafael foi mentor de mais de 500 startups no programa Startup SC e eleito por seis vezes consecutivas um dos três melhores mentores de startups do Brasil pela ABStartups. No exterior, fundos e empreendedores já tratam esse movimento como uma nova frente de crescimento baseada em serviços habilitados por inteligência artificial. A lógica é simples. O mercado mais promissor não está apenas no orçamento de software, mas também na folha de pagamento e nos contratos terceirizados de áreas como jurídico, seguros, contabilidade, saúde, operações e backoffice.

No Brasil, porém, esse avanço ainda é inicial. Muitas startups de IA seguem focadas na venda de licenças, assentos ou copilotos para empresas que continuam executando essas tarefas internamente.

Na avaliação de Rafael, a principal oportunidade está em identificar serviços profissionais de alta intensidade intelectual que já são terceirizados, mas ainda não contam com soluções nativas de automação disputando esse orçamento. “O ponto mais interessante não é apenas o que a Sequoia publicou, mas o efeito disso sobre a lógica do mercado. O comprador corporativo passa a priorizar menos o charme da ferramenta e mais a capacidade de resolver uma operação inteira com eficiência, controle e responsabilidade. Quem entender esse deslocamento antes pode encontrar espaço relevante em setores onde já existe orçamento, dor clara e dificuldade real de escala”, diz.

Imagem: https://br.freepik.com/vetores-gratis/ilustracao-de-negocios-de-inicializacao-do-lancamento-de-foguetes-ou-projeto_3266638.htm

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