O avanço da digitalização nas empresas industriais esbarra em limitações estruturais. Dados da Sondagem Especial Indústria 4.0, da Confederação Nacional da Indústria (CNI), mostram que a infraestrutura de rede e conectividade está entre as principais barreiras para a digitalização de 25% das empresas. Esse cenário ocorre em um momento de maior maturidade do setor, em que as organizações começam a avançar para modelos operacionais mais estruturados, segundo o levantamento Technology, Media & Telecommunications Predictions (TMT Predictions), da Deloitte.
Para William Cavalcanti, CEO da RGL Solutions, o problema está na capacidade da operação de sustentar a tecnologia. “Hoje, a indústria já investe em automação, sensores e sistemas conectados, mas muitas operações ainda não têm uma infraestrutura capaz de suportar esse volume de dados em tempo real. Isso gera instabilidade, perda de eficiência e, em alguns casos, até retrabalho, porque a estrutura operacional não consegue sustentar o nível de digitalização que foi implementado”, afirma.
Após um período de experimentação com Inteligência Artificial (IA), empresas avançam para uma fase mais complexa, com foco na geração de resultados em escala. Segundo a Pesquisa de Inovação Semestral (Pintec Semestral 2024), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o uso da tecnologia na indústria brasileira cresceu mais de 160% em apenas dois anos.
Na prática, esse descompasso aparece no chão de fábrica. Sistemas que dependem de dados em tempo real operam com atraso, equipamentos conectados perdem eficiência e processos automatizados passam a exigir intervenção manual, reduzindo o ganho esperado com a digitalização.
Ao mesmo tempo, a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) estima que a digitalização plena poderia reduzir custos em R$ 73 bilhões ao ano no país, potencial que depende diretamente da modernização das redes industriais.
“Não é só uma questão de adotar tecnologia, mas de garantir que a base operacional acompanhe esse movimento. Quando a infraestrutura não evolui no mesmo ritmo, o retorno sobre o investimento nessas tecnologias fica comprometido e a empresa perde competitividade”, complementa o executivo.
A evolução para redes de alta performance e baixa latência, como o 5G privado, passa a ser vista como essencial para viabilizar esse avanço. “Tecnologias como o 5G privado passam a ter um papel estratégico porque permitem mais controle, estabilidade e baixa latência dentro do ambiente industrial. Isso é fundamental para que aplicações críticas funcionem de forma contínua e segura”, finaliza Cavalcanti.
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