A Check Point Software alerta que o avanço da computação quântica já representa um risco concreto para empresas e governos, com potencial de comprometer os sistemas criptográficos que sustentam a segurança digital atual e expor dados sensíveis nos próximos anos.
O tema ganha relevância no contexto do Dia Mundial da Computação Quântica, em um momento em que lideranças de tecnologia passam a tratar o risco quântico como prioridade estratégica. Em 2025, o Gartner elevou a migração para criptografia pós-quântica (Post-Quantum Cryptography - PQC) como prioridade para o conselho de administração, recomendando preparação antes do horizonte de 2030. Mais recentemente, a divisão de pesquisa em IA quântica do Google publicou análise indicando que sistemas criptográficos amplamente utilizados podem ser mais vulneráveis do que se estimava.
Ou seja, o que antes era visto como um desafio distante passa a ter implicações práticas no curto prazo. Avanços em algoritmos e a redução do poder de processamento quântico necessário aceleram o chamado “Q-Day”, momento em que sistemas quânticos poderão quebrar padrões de criptografia atuais.
Nesse cenário, uma ameaça já está em curso. O principal risco segue uma lógica já em prática que é a de coletar dados agora para decifrá-los no futuro. Cibercriminosos vêm armazenando grandes volumes de informações criptografadas, incluindo transações financeiras, registros de saúde, propriedade intelectual e comunicações corporativas e governamentais, com o objetivo de acessá-las quando a tecnologia permitir sua quebra. Esses dados permanecem protegidos por criptografia clássica, como RSA e curvas elípticas, mas podem se tornar acessíveis quando a capacidade quântica atingir maturidade.
“O risco não é apenas futuro. Dados estão sendo coletados hoje com o objetivo de serem expostos depois, o que cria uma janela de vulnerabilidade com impacto diferido e potencialmente irreversível”, afirma Pete Nicoletti, CISO global da Check Point Software.
A transição para a criptografia pós-quântica não se resume à substituição de algoritmos. Ambientes corporativos apresentam desafios estruturais, como dependências criptográficas desconhecidas, sistemas legados com chaves incorporadas, certificados não gerenciados e uso de aplicações não documentadas. Esse cenário reduz a visibilidade e dificulta a execução de uma migração completa.
Para enfrentar esse cenário, especialistas apontam a necessidade de desenvolver agilidade criptográfica. O conceito envolve a capacidade de identificar, gerenciar e substituir rapidamente mecanismos criptográficos em ambientes distribuídos, incluindo nuvem, infraestrutura local e sistemas de borda. A adaptação contínua passa a ser um requisito, considerando a evolução dos padrões e o avanço das ameaças.
A adoção de abordagens híbridas também se consolida como caminho prático. A combinação de algoritmos pós-quânticos recomendados por entidades como o Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia dos Estados Unidos (NIST) com técnicas criptográficas já consolidadas permite manter desempenho, compatibilidade e continuidade operacional durante a transição.
A avaliação é que organizações que iniciam esse movimento de forma antecipada conseguem mapear ativos críticos, priorizar dados sensíveis de longo prazo e reduzir riscos associados a exposição futura. O atraso amplia a possibilidade de vazamento de informações, impactos regulatórios e danos reputacionais. “O Dia Mundial da Computação Quântica reforça uma mudança estrutural. A base criptográfica atual não será suficiente para proteger os dados no futuro. A preparação precisa começar agora”, conclui Nicoletti.
Imagem: divulgação.