Especialista da FEI explica como pequenas ações de interação e tempo de tela definem o que a pessoa vê e dá dicas para retomar o controle do seu feed
Praticamente tudo o que se vê nas redes sociais hoje é filtrado por algoritmos. Embora pareça um mecanismo invisível, o usuário tem mais poder sobre ele do que imagina. Segundo Melby Huertas, professora de Administração da FEI, Centro Universitário pioneiro, ao criar o primeiro curso de Administração do Brasil e da América Latina, é possível "ensinar" as plataformas sobre o que realmente deve ganhar espaço na timeline através de comportamentos simples.
De acordo com a especialista, a inteligência das redes sociais se baseia em três pilares principais para decidir o que mostrar em seguida. O primeiro deles é o comportamento, que analisa o perfil das contas que você segue, como temas de ciência, fitness ou carros. Além disso, a plataforma monitora a sua atenção, mensurando o tempo gasto em cada post, de modo que assistir a um vídeo até o final ou pausar para ler um texto sinaliza alto interesse. Por fim, há a interação ativa, composta por curtidas, comentários, compartilhamentos e o ato de salvar o conteúdo, elementos que reforçam para o algoritmo o que é relevante para o usuário.
O problema surge quando o algoritmo se torna "eficiente" demais. “Quanto mais a plataforma aprende suas preferências, maior a chance de ela mostrar apenas conteúdos que confirmem suas mesmas opiniões”, alerta Huertas. Esse fenômeno cria as chamadas bolhas de informação, que limitam o contato com perspectivas diferentes e reduzem a diversidade de repertório do usuário.
Para um consumo digital mais consciente, a especialista da FEI recomenda adotar uma postura ativa diante dos algoritmos, começando pela limpeza ativa ao deixar de seguir perfis que não agregam valor e buscando fontes imparciais. É fundamental praticar a interação estratégica, curtindo e comentando, apenas naquilo que você deseja que a plataforma priorize, enquanto ignora o indesejado ao rolar a tela rapidamente para reduzir o tempo de visualização de temas irrelevantes. Além disso, diversificar as fontes ao seguir visões diferentes sobre um mesmo assunto ajuda a ampliar o seu campo de visão, sendo sempre útil usar as ferramentas nativas das redes sociais, como a função ‘não tenho interesse’, para sinalizar as preferências de forma direta.
“O ideal é que o usuário tenha consciência de como essas plataformas funcionam. Assim, ele consegue usar os algoritmos a seu favor sem abrir mão da diversidade”, conclui a docente.
Imagem: https://pt.vecteezy.com/arte-vetorial/229568-conjunto-de-icones-de-midias-sociais-vetor-3d