Passar por transformação digital e ser 4.0 se impõem à indústria de manufatura, adverte especialista

Passar por transformação digital e ser 4.0 se impõem à indústria de manufatura, adverte especialista

Um levantamento de 2022 da Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostra que, em cinco anos, o setor está mais digital: 69% das empresas industriais utilizam pelo menos uma de 18 aplicações apresentadas na pesquisa. Em 2016, eram 48%. Entretanto, a quantidade de tecnologias empregadas ainda se mantém baixa: só 7% adotam dez ou mais recursos tecnológicos. Os indicadores apontam que a transformação digital (também chamada de Indústria 4.0) é um caminho a ser percorrido.

Para o especialista Reginaldo Ribeiro, fundador e CEO da COGTIVE, startup que desenvolve software aplicado ao chão de fábrica da indústria de manufatura, a transformação digital é uma necessidade que se impõe ao setor. E isso vale para os mais diversos segmentos e para empresas de todos os portes. “A transformação digital deixa de ser um diferencial e passa a ser obrigatória para a sobrevivência de negócios que envolvem manufatura”, afirma.

Reginaldo Ribeiro, fundador e CEO da COGTIVE

Há iniciativas neste sentido. A própria CNI criou em 2022 um grupo de trabalho de transformação digital, dentro do projeto “Mobilização Empresarial pela Inovação”. “O tema ocupa lugar cada vez mais importante na agenda política dos países na medida em que a transformação digital avança nas empresas e na economia como um todo. A despeito disso, as empresas brasileiras ainda se encontram, em média, em níveis intermediários de maturidade em transformação digital”, assinala o texto de divulgação do projeto.

Ribeiro considera que esforços como o da CNI e a conscientização do industrial brasileiro sobre a importância da transformação digital são imprescindíveis para a manufatura voltar a ter peso no produto interno bruto (PIB) brasileiro. O CEO da startup, citando dados do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (IEDI), lembra que, nos anos 1980, essa participação era de 25%, atualmente, está na casa dos 10%.

“Evidentemente”, diz ele, “quando falamos em transformação digital não estamos nos referindo apenas à digitalização de processos, trâmites, operações, procedimentos. Tampouco da automação de máquinas e equipamentos. Estamos falando de um estágio em outro patamar. É inteligência artificial, internet das coisas”.

Ainda de acordo com o executivo, as inovações em tecnologias da informação (TI) e comunicação se tornam indispensáveis “para que tenhamos processos mais ágeis, com menos desperdício, menos sujeitos a gargalos, interrupções, atrasos. As soluções que startups e outros empreendimentos em TI colocam no mercado vêm para atender essa necessidade”.

Dessa forma, cita a solução da própria COGTIVE, cujo software homônimo, do tipo SaaS (Software as a Service, ou “software como um serviço”, em tradução livre), traz recursos de inteligência artificial, internet das coisas, aplicativos e câmeras para o acompanhamento em tempo real de todo o processo produtivo na planta fabril.

“Em tempo real, há coleta de dados de forma precisa e prática dos processos nas linhas de produção, bem como o monitoramento de sua operação. Dessa forma, previnem-se interrupções, detectam-se gargalos e outros problemas, e se obtêm subsídios para que os gestores tomem decisões rápidas e eficazes. Entre os benefícios, estão ganhos de produtividade e impactos positivos nos resultados da fábrica”, destaca Ribeiro.

A solução atende os segmentos farmacêutico, de cosméticos, de vestuário, de alimentos e bebidas, química e plástico, eletroeletrônico e automobilístico. Além de clientes no Brasil, a COGTIVE fechou em 2022 contrato com uma multinacional de medicamentos genéricos situada no Oriente Médio. E, também, no final de 2022, se instalou em Chicago, Estados Unidos (no hub 1871), para fornecer ao mercado norte-americano.

“Isso é importante mencionar, para reforçar a seguinte mensagem: o industrial brasileiro não precisa ir para o exterior em busca de soluções para sua transformação digital. Há produtos desenvolvidos aqui, mais perto do que se imagina. Não é preciso recorrer à importação de tecnologia para impulsionar a transformação digital de seu negócio”, assinala o CEO da COGTIVE.

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