Até onde vai a inteligência artificial?

Até onde vai a inteligência artificial?

Por João Teodoro da Silva, presidente do Sistema Cofeci-Creci

A fim de reconhecer importantes realizações e contribuições técnicas e profissionais nas áreas de informática e tecnologia da informação, a ACM - Association for Computing Machinery ideou o Prêmio A. M. Turing, mais conhecido como “Prêmio Nobel da Computação”. A honraria foi criada em homenagem a Alan Mathison Turing, que viveu entre 1912 a 1954. Matemático e cientista britânico, Turing desenvolveu a arquitetura dos computadores, os algoritmos, a formalização da computação e a sensação do momento, a inteligência artificial (IA).

Cognitividade é a capacidade das pessoas para adquirir ou absorver conhecimentos. Geofrey Everest Hinton, nascido em dezembro de 1947, além de psicólogo cognitivo, é um cientista da computação. Anglo-canadense, tornou-se conhecido pelo trabalho que desenvolveu sobre redes neurais artificias: sistemas de computação, com nós interconectados, que funcionam como neurônios do cérebro humano. Algoritmo é uma sequência de instruções bem definidas, executadas passo a passo, com o objetivo de se chegar a um resultado determinado.

Por meio de algoritmos, redes neurais podem reconhecer padrões ocultos e relações entre dados brutos. Na sequência, pode agrupá-los e classificá-los. Com o passar do tempo, como a mente humana, consegue “aprender” com eles e melhorar continuamente seu “aprendizado”. Em 1943, os cientistas Warren MaCulloch e Walter Pitts publicaram artigo sobre o funcionamento dos neurônios e, com base nesse conhecimento, criaram uma rede neural simples com circuitos elétricos, abrindo caminho para a aplicação das redes neurais em inteligência artificial.

Pois bem! Geofrey Hinton, por dez anos, foi diretor da Google, no desenvolvimento de estratégias de IA. Em abril de 2023, porém, alegando arrependimento do trabalho que executou, decidiu abandonar o emprego. Ao The New York Times declarou que, fora da Google, tem liberdade para alertar sobre os riscos da inteligência artificial para a humanidade. Hinton e outros críticos vêm apontando erros das big techs na imparável busca por novos produtos baseados em IA. Ele e dois de seus alunos fundaram a DNNResearch, comprada pela Alphabet/Google.

A DNNResearch desenvolveu a primeira rede neural cognitiva, abrindo caminho para a criação de ferramentas como Google Bard e ChatGPT (Microsoft). Hinton imaginava que o atual estágio da IA só chegaria em 30, 50 ou mais anos. Por isso, está assustado. Segundo ele, há muitos riscos à vista, como a substituição de empregos e a disseminação de falsas informações. Entretanto diz que se consola. Se não fosse ele a participar das descobertas sobre as redes neurais, seria outra pessoa. Baseado em IA, o ChatGPT é a grande estrela do momento.

A disputa Google x Microsoft no desenvolvimento da inteligência artificial é mesmo preocupante. Para Hinton, ela é tão intensa que só vai parar se alguma regulamentação global vier a ser implementada. Mas isso será muito difícil. Não há como saber se as empresas operam ou não em segredo. A melhor esperança, diz, é que os principais cientistas do mundo colaborem na busca por maneiras de controlar a tecnologia, até que consigam fazê-lo. Para nosso gáudio, a IA só aprende com dados, mecanicamente. Ela jamais terá ou agirá com sentimentos humanos!

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