De ferramenta a produto central: o novo papel do software nos negócios em 2026

De ferramenta a produto central: o novo papel do software nos negócios em 2026

Para este ano, a tendência é que empresas já nasçam digitais ou transformem processos para colocar a tecnologia no centro da operação. Case da WePsy mostra como propósito, validação e estratégia se unem à tecnologia no desenvolvimento de um produto sustentável

Em 2026, o software promete ocupar um novo espaço nas empresas brasileiras. Startups e pequenas empresas já vêm nascendo com a tecnologia como base da operação, enquanto os negócios tradicionais começam a se remodelar para transformar sistemas, dados e inteligência artificial em pilares de crescimento e eficiência. O que antes servia apenas como suporte às operações agora vem se tornando o próprio negócio.

Para Cristiano Suk, head de IA da Lughy, unidade do Grupo DB1 especializada em desenvolvimento de soluções com base em software, essa mudança representa o amadurecimento da transformação digital no país. “Hoje, trabalhamos com dois perfis principais: os que já nascem com o software no centro do negócio e os que buscam reestruturar processos para se tornar digitais. Em ambos os casos, a tecnologia deixou de ser um apoio e passou a ser o motor da operação”, explica.

Segundo Suk, a diferença entre um projeto de software e um produto digital está na forma como ele é concebido. “Quando o software é o produto do negócio, o desafio não está apenas em desenvolver tecnologia, mas em garantir que essa solução tenha mercado, propósito e escalabilidade. É preciso alinhar estratégia, marketing e investimento contínuo. Na Lughy, nossa atuação é consultiva, vamos além da entrega técnica para ajudar o cliente a validar a ideia e construir um produto sustentável.”

Essa abordagem reflete o novo comportamento do mercado. Hoje, aproximadamente 80% dos projetos da Lughy são de empresas que buscam criar soluções do zero. “Com o uso da IA no desenvolvimento, muitas vezes é mais eficiente e vantajoso construir um produto novo do que tentar modernizar um sistema legado. Isso reduz custos em até 80% e permite entregas em cerca de 30 dias, com código validado e qualidade técnica garantida. O desenvolvimento com IA trouxe uma velocidade de inovação que antes só estava ao alcance das grandes empresas”, afirma Suk.

Ele destaca que a principal barreira para transformar uma ideia em produto não é a tecnologia, mas o ciclo de execução do MVP (Produto Mínimo Viável). “Muitos empreendedores acreditam que precisam lançar algo completo. Mas o sucesso vem de colocar uma versão funcional no ar rapidamente, ouvir o usuário e aprimorar continuamente. O MVP não é uma versão inacabada, mas a primeira etapa do aprendizado. Validar cedo é o que garante escalabilidade e evita desperdício.”

A Lughy estrutura cada projeto com base em um processo que une visão de negócio e validação técnica. “Antes de aceitar um cliente, avaliamos o impacto do que será desenvolvido. Perguntamos: esse produto resolve uma dor concreta? Tem viabilidade econômica? Está alinhado a uma proposta de valor clara? O WePsy chamou nossa atenção exatamente por isso, uma missão bem definida e impacto social genuíno”, explica Suk.

Para o executivo, o grande diferencial da Lughy está em enxergar tecnologia como alavanca de negócio. “Nossa contribuição vai além da programação. Trabalhamos para que cada projeto tenha base estratégica, sustentabilidade financeira e arquitetura preparada para crescer. Não basta o software funcionar, ele precisa escalar com o negócio, suportar a operação e se manter competitivo.”

Em um mercado cada vez mais digital, Suk acredita que a combinação entre inteligência artificial e validação de mercado será o divisor de águas. “A IA é hoje a competência técnica e estratégica mais essencial, mas ela precisa estar a serviço de um propósito. O empreendedor de 2026 precisa dominar tecnologia, validar problemas reais e iterar rápido, porque é esse ciclo que transforma uma solução pontual em um produto de mercado”, afirma.

O executivo também aponta tendências para os próximos anos: “Vemos um avanço forte em gamificação, wellness, fintechs e soluções que combinam IA a experiências personalizadas. As empresas que já nascem digitais estão redesenhando o conceito de produto e é nesse cenário que a Lughy atua, ajudando ideias a se tornarem negócios sustentáveis.”

WePsy: quando o propósito se transforma em produto digital

A WePsy nasceu de uma inquietação pessoal da psicóloga Marina Kleinschmidt doutoranda em Psicologia, ao perceber um descompasso entre dois mundos que deveriam se encontrar naturalmente: profissionais de saúde mental e pessoas em busca de atendimento. “Existem muitos psicólogos procurando pacientes e muitas pessoas precisando de atendimento, mas esses grupos não se encontram. A WePsy surgiu para preencher essa lacuna e facilitar esse encontro de forma ética, segura e personalizada”, explica.

A plataforma, desenvolvida pela Lughy, permite que o usuário busque profissionais por região, especialidade ou palavras-chave, com filtros inteligentes e perfis detalhados. Para os psicólogos, oferece um ambiente completo, com espaço para vídeos de apresentação, fóruns de troca profissional e até criação de grupos terapêuticos. Tudo isso sem cobrança de comissões nem ranqueamentos. “Nosso modelo é simples: facilitar conexões reais sem interferir na relação terapêutica”, afirma Marina.

O projeto começou como um sonho acadêmico e ganhou corpo empresarial a partir da necessidade de controle total sobre a plataforma. “Nenhuma ferramenta existente atendia nossas demandas. Precisávamos criar algo do zero, com liberdade para que o profissional e o paciente fossem protagonistas. Por isso, optamos por desenvolver uma plataforma proprietária”, diz.

Mas transformar a ideia em produto exigiu mais do que vontade. “No começo, enfrentamos orçamentos altos e prazos longos. Algumas empresas nem quiseram pegar o projeto, achando pequeno demais. A Lughy foi a primeira a olhar para nossa proposta com seriedade e empatia. Eles entenderam nosso propósito, ajustaram o escopo do nosso orçamento e entraram no projeto”, lembra Marina.

A parceria começou com uma imersão intensa de UX, conduzida pela equipe da Lughy. “Foi a etapa em que a ideia ganhou rosto. Tivemos reuniões três, quatro vezes por semana, e o time absorveu nossa visão com precisão. O designer captou nossa essência desde a primeira conversa e ajudou a moldar a identidade da marca antes mesmo de termos um logotipo”, conta.

Durante o desenvolvimento, a liderança do projeto ficou a cargo de Daniela Freitas, gerente da Lughy, que trouxe metodologia e ritmo. “Ela mudou a forma de conduzir as etapas. No início, envolveu a gente em tudo; depois, quando o código começou a rodar, deu liberdade para o time avançar e entregar com velocidade. Tudo dentro do orçamento e sem perder o foco no resultado”, diz Marina.

O resultado foi uma plataforma funcional e leve, que reflete o propósito da marca: tornar o cuidado emocional mais acessível, ético e humano. “A tecnologia não substitui o contato humano, ela o potencializa. Nosso objetivo é aproximar pessoas, não criar barreiras, e a IA e o software, nesse caso, são pontes que ampliam o alcance do cuidado emocional”, afirma.

A WePsy hoje segue em fase de crescimento e aprimoramento contínuo. “Quando o software é o coração do negócio, o trabalho nunca termina. Estamos sempre ouvindo os usuários, adaptando funcionalidades e implementando melhorias. No digital, é preciso aprender o tempo todo”, diz Marina.

Para a fundadora, a principal lição é o valor do propósito. “Empreender com tecnologia exige clareza sobre o ‘porquê’. Quando o propósito é forte, todas as decisões ficam mais fáceis. A WePsy nasceu para dar voz a quem cuida e acesso a quem precisa de cuidado, e a Lughy foi fundamental para transformar essa missão em um produto viável e escalável.”

Imagem: https://pt.vecteezy.com/foto/12520582-estrategia-de-tecnologia-de-transformacao-digital-iot-internet-das-coisas-transformacao-de-ideias-e-adocao-de-tecnologia-nos-negocios-na-era-digital-aprimorando-as-capacidades-globais-de-negocios-ai

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