Com aplicativos e plataformas que agregam serviços, setor está precisando se reinventar também para lidar com uma demanda millennial

Nos últimos anos, o setor de locação de carros na Índia foi direcionado para ganhar vigor principalmente devido à tendência urbana de alugar automóveis ao invés de ter um, em especial da geração millennial. Segundo estudiosos locais, a próxima geração de consumidores indianos têm uma necessidade inata de explorar tudo o que está ao seu redor, e para isso começou a olhar por meios alternativos de transporte que podem suprir esses objetivos sem empobrecê-los.

De acordo com um relatório da Indian Brand Equity Foundation (IBEF), o mercado de aluguel de carros indiano tem imenso potencial de crescer também por causa da entrada de várias empresas nacionais e internacionais no mercado de grandes cidades, criando novas oportunidades para o desenvolvimento de passes diários de uso. O texto diz que o setor deve crescer 12% por ano no país asiático e que, em cinco anos, pode movimentar até US$ 15 bilhões (R$ 60,6 bilhões).

O exemplo da Índia é utilizado por consultorias internacionais como exemplo de como o negócio -- que existe há muito tempo na Europa e nos Estados Unidos -- está mudando por causa da nova demanda e da tecnologia. Aplicativos e serviços online revolucionaram o jeito que pessoas se locomovem entre um lugar e outro sem se preocupar com despesas extras nas grandes cidades. Com custos pré-fixados, carros registrados e facilidades de seguro, se mover usando veículos alugados está se tornando normal nos principais centros urbanos do planeta.

Inspirado nessa tendência, o setor se organizou em muitas dessas metrópoles: as locadoras estão agora apostando na integração dos serviços com inovações tecnológicas e colocando seus veículos em diferentes plataformas agregadas para expandir suas receitas -- um modelo chamado de on-demand.

Além dele, o serviço de locação de carros ainda passou a oferecer -- por necessidades do mercado -- facilidades extras, como GPS, sugestões de rota, serviços de manutenção e até motoristas, com o objetivo de maximizar seus negócios para atrair um espectro maior de consumidores. Com a tecnologia como um facilitador, os locadores convencionais estão se dedicando incansavelmente a vender a si mesmos como parte do mercado de carros como um todo. Além disso, dirigidos por um ecossistema amigável de startups e empreendedorismo, muitas pessoas estão começando a comprar automóveis não para uso privado, mas para negócio.

Aluguel de longo prazo

A última tendência que chegou ao Brasil foi alugar carros por longos períodos, seja para trabalho ou para uso privado. A ideia é ter a disposição um veículo novo ao custo de uma mensalidade única, sem gastos com documentação, seguros, impostos e serviços de manutenção. O modelo já está disponível em algumas capitais brasileiras por meio da contratação de programas de carros por assinatura.

A ideia surgiu nos Estados Unidos onde, durante a crise financeira do período de 2008 a 2010, a indústria automobilística sofreu um rápido declínio na venda de carros novos. Circunstância que precipitou uma diminuição concomitante no número de veículos usados no mercado e, consequentemente, um aumento de seus preços. Diante da diminuição do ritmo da depreciação dos preços, os valores dos aluguéis dos carros novos caíram, transformando-se em uma opção bem mais barata do que a compra e a manutenção de um veículo novo.

Atualmente, para se ter uma ideia do tamanho desse mercado nos Estados Unidos, cerca de metade dos carros comprados ao ano nesse país são direcionados para locação.

Durante os últimos anos, o Brasil também passou por uma grave crise no setor automobilístico depois de uma grande bolha de consumo. A venda de carros diminuiu drasticamente, representando um encolhimento de mais de 40% do mercado. Aqui, diferentemente do caso estadunidense, o ritmo de depreciação do preço dos carros usados não diminuiu significativamente. Entretanto, as expectativas em relação a esse novo modelo de negócios, de aluguel de carros novos a longo prazo, são bastante positivas, inclusive como forma de reação ao declínio da venda de carros.

Essa nova modalidade de negócios desenvolveu-se no país, nos últimos anos, a partir de iniciativas para atender, principalmente, às necessidades das empresas. E, nos dias atuais, começaram a ser testados novos formatos voltados para o grande público, tais como os programas de assinatura de carros. Programas que prometem ser mais vantajosos para os clientes do que a compra do carro novo – principalmente, para aqueles consumidores que trocam de carro a cada dois anos e tem um uso anual de mais de 25 mil quilômetros.