A corrida pela Inteligência Artificial no Brasil avança em ritmo acelerado, mas a maior parte das empresas ainda não conseguiu transformar a tecnologia em ganho real de produtividade. Pesquisa da Abiacom publicada pela Exame em janeiro de 2026 mostra que 72% das companhias brasileiras seguem em estágios iniciantes ou experimentais na adoção de IA, o que evidencia um cenário de entusiasmo crescente acompanhado por baixa maturidade estratégica. Enquanto isso, um estudo da McKinsey divulgado em abril de 2026 aponta que empresas que redesenharam processos inteiros em torno da IA alcançaram até dez vezes mais velocidade operacional com metade do custo, ampliando o contraste entre adoção tecnológica e transformação efetiva dos negócios.
Fabio Seixas, CEO da Softo e especialista em inteligência artificial aplicada a produtos e processos, acompanha esse movimento de perto após mais de 30 anos atuando no setor de tecnologia e liderando empresas digitais no Brasil. “O maior erro das empresas hoje é acreditar que basta adicionar IA em estruturas antigas para gerar eficiência. Quando a organização mantém processos lentos, áreas desconectadas e decisões pouco orientadas por dados, a tecnologia apenas acelera os mesmos problemas que já existiam antes”, afirma o executivo, que atualmente lidera equipes focadas no desenvolvimento de soluções com IA aplicada para operações corporativas.
O cenário brasileiro também expõe desafios estruturais importantes para a consolidação dessa transformação. Um levantamento realizado pela SAP em parceria com a Oxford Economics, com 200 líderes empresariais brasileiros, revela que companhias que implementaram IA de forma estruturada já registram retorno médio de 16% sobre o investimento, com projeção de chegar a 31% nos próximos dois anos. Ao mesmo tempo, 70% dessas empresas relatam dificuldades para integrar dados entre áreas internas e 80% demonstram preocupação com o uso de IA sem aprovação formal dentro das operações, o que reforça os riscos de adoções desorganizadas e sem governança.
Para Seixas, o debate sobre IA no Brasil precisa deixar de ser centrado apenas na ferramenta e passar a discutir cultura organizacional, revisão de processos e responsabilidade estratégica. “As empresas que vão liderar os próximos anos não serão necessariamente as que compraram mais ferramentas, mas as que entenderam como reorganizar suas operações para trabalhar com IA de forma integrada. Existe uma diferença enorme entre automatizar tarefas e transformar o modelo de negócio, e muitas empresas brasileiras ainda não perceberam isso”, diz.
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