Por Alessandre Trintim, CEO da Essence
A adoção de inteligência artificial deixou de ser uma agenda experimental para se tornar uma prioridade estratégica nas empresas. Em um curto espaço de tempo, a IA passou a ocupar o centro das decisões corporativas, pressionando lideranças a entregar resultados concretos em eficiência, produtividade e geração de valor. Hoje, conselhos e investidores demandam respostas rápidas.
Segundo a Boston Consulting Group, 61% dos CEOs afirmam sofrer pressão direta para acelerar iniciativas em IA. No entanto, existe um desalinhamento relevante entre expectativa e realidade. Enquanto há uma percepção de prontidão, muitos executivos ainda enfrentam limitações estruturais importantes, especialmente em governança, integração e capacidade de execução. Esse é o ponto central da discussão atual. O desafio deixou de ser apenas tecnológico. Implementar IA sem uma base sólida pode amplificar complexidade, gerar inconsistências e comprometer a operação.
A verdadeira transformação está na capacidade de integrar inovação com previsibilidade e controle. Nesse contexto, a modernização dos sistemas core ganha protagonismo. A evolução dos ERPs, impulsionada pelo fim do suporte ao SAP ECC e pela necessidade de suportar automação e analytics em escala, passa a ser um habilitador crítico. É aqui que o conceito de SAP como Autonomous Enterprise ganha relevância: uma arquitetura orientada à automação inteligente, processos integrados e decisões baseadas em dados confiáveis.
Os ERPs deixam de ser apenas sistemas transacionais e passam a ser o núcleo da inteligência empresarial. Sem essa base estruturada, iniciativas de IA tendem a amplificar ruídos em vez de gerar eficiência. Isso ajuda a explicar por que, segundo o MIT, 95% dos projetos corporativos de IA ainda não conseguem capturar valor relevante. Ao mesmo tempo, o mercado evolui rapidamente. Em muitos casos, o problema está menos na tecnologia e mais na dificuldade de conectar áreas e garantir consistência na execução.
Ao mesmo tempo, o mercado começa a entrar em uma nova etapa da inteligência artificial. A IDC projeta que, até 2027, metade das empresas globais adotará agentes de IA para transformar as pessoas e a tecnologia trabalhando juntas. A IA deixará de ser suporte e passará a atuar diretamente na execução de processos, influenciando decisões e resultados em tempo real. Esse cenário redefine o papel da liderança em tecnologia. As conversas deixam de girar apenas em torno de inovação e passam a priorizar previsibilidade, integração e geração de valor mensurável.
A pressão por velocidade contínua, mas fica claro que acelerar sem organizar a base compromete a escalabilidade. A nova liderança em tecnologia precisa equilibrar dois vetores: evolução e consistência. Não se trata apenas de adotar IA, mas de construir um ambiente capaz de sustentar uma transformação contínua, com eficiência operacional, governança e capacidade de adaptação. No fim, a vantagem competitiva não estará em quem adota a IA primeiro, mas em quem consegue integrá-la de forma estruturada, escalável e alinhada ao negócio.
Imagem: https://pt.vecteezy.com/foto/69631774-robotico-braco-interagindo-com-teclado-artificial-inteligencia-e-automacao-conceito