Uma nova pesquisa da Infoblox Threat Intel revela que proxies residenciais já são uma presença comum em redes corporativas, criando riscos ocultos que vão muito além das equipes de segurança da informação.
Historicamente, os proxies residenciais eram vistos como um problema periférico da internet. No entanto, uma nova pesquisa da Infoblox Threat Intel sugere um cenário bem diferente. Desenvolvido em colaboração com a Synthient e dando continuidade às descobertas anteriores da Infoblox sobre a botnet Kimwolf, o estudo mostra que os proxies residenciais representam uma exposição muito mais ampla para as empresas.
Após identificar que cerca de 25% de seus clientes possuíam o domínio Kimwolf em suas redes - um fenômeno impulsionado pelo uso de proxies residenciais -, as equipes ampliaram a investigação, analisando bilhões de consultas DNS e dados de telemetria de rede associados em toda a base de clientes. Os resultados revelaram um cenário ainda mais abrangente: em 2026, mais de 65% dos clientes do Infoblox Threat Defense Cloud realizaram consultas a domínios associados a redes de proxies residenciais, evidenciando o quanto esses serviços já estão incorporados aos ambientes corporativos reais.
Os proxies residenciais direcionam o tráfego de internet por meio de dispositivos de uso cotidiano, como roteadores domésticos, smartphones, dispositivos de Internet das Coisas (IoT) e sistemas que executam aplicativos com recursos de proxy integrados. Com isso, as conexões passam a aparentar ter origem em usuários reais, e não em datacenters.
Embora essa tecnologia possa ser utilizada para finalidades legítimas, como coleta automatizada de dados na web (web scraping) e acesso a conteúdos com restrições geográficas, essas mesmas características a tornam atrativa para agentes maliciosos. Os proxies residenciais podem ser usados para contornar sistemas de reputação de IP, driblar mecanismos de prevenção a fraudes e processos de verificação, além de permitir que atividades maliciosas se misturem ao tráfego legítimo de usuários comuns.
No ambiente corporativo, essa dinâmica pode transformar um ponto cego técnico em um problema real de negócios. Se terceiros identificarem atividades maliciosas originadas de um endereço IP associado à sua organização, a empresa poderá ser apontada inicialmente como a fonte dessas ações, o que pode gerar impactos reputacionais, jurídicos e operacionais.
Os dados mostram que esse fenômeno está em expansão. Entre janeiro de 2025 e abril de 2026, o volume mensal de consultas a domínios associados a proxies residenciais saltou de quase 400 bilhões para mais de 500 bilhões, um crescimento de aproximadamente 25%. Segundo a Infoblox Threat Intel, um dos principais impulsionadores é o web scraping relacionado à IA, onde proxies residenciais ajudam o tráfego a se misturar como se viesse de consumidores reais, em vez de sistemas automatizados.
Igualmente relevante é a forma como esses serviços costumam chegar aos ambientes corporativos: por meio de ferramentas e dispositivos de uso cotidiano, e não necessariamente por malware. A pesquisa aponta VPNs gratuitas, aplicativos de streaming, protetores de tela, aplicativos de produtividade e dispositivos IoT de baixo custo como alguns dos meios mais comuns pelos quais sistemas podem ser incorporados, muitas vezes sem que os usuários compreendam plenamente o que está acontecendo.
Entre as principais descobertas da pesquisa, destacam-se:
- Mais de 65% dos clientes do Infoblox Threat Defense Cloud apresentaram atividade DNS relacionada a proxies residenciais em 2026.
- O volume mensal de consultas a domínios associados a proxies residenciais cresceu cerca de 25% entre janeiro de 2025 e abril de 2026, ultrapassando a marca de 500 bilhões de consultas por mês.
- Pelo menos 40% dos clientes de todos os segmentos analisados apresentaram esse tipo de tráfego. Os índices superaram 90% nos setores farmacêutico e de alimentos e bebidas, e ultrapassaram 60% entre organizações governamentais e instituições bancárias.
- O tráfego relacionado a proxies residenciais pode gerar um volume desproporcional de alertas para os profissionais de defesa cibernética, aumentando a carga de análise e investigação de equipes de segurança que já operam com recursos limitados.
“Os proxies residenciais permitem que terceiros utilizem seus recursos para cometer crimes e causar danos na internet usando a reputação e a identidade de endereço IP”, afirma a Dra. Renée Burton, vice-presidente da Infoblox Threat Intel. “Na maioria dos casos, esses pontos de acesso são tecnicamente criados com o consentimento do usuário, por meio da aceitação dos termos e condições de um software. No entanto, essas informações costumam estar escondidas em textos jurídicos extensos, muitas páginas adiante no documento. Os formuladores de políticas públicas precisam avaliar os riscos que os proxies residenciais representam para a internet, os requisitos para um consentimento verdadeiramente informado e o papel que os provedores desses serviços devem desempenhar na prevenção de abusos. Já as empresas precisam adotar uma abordagem multifacetada para enfrentar essa ameaça, incluindo o uso de DNS protetivo para controlar conexões com serviços de proxy indesejados.”
Embora nem todo proxy residencial seja utilizado para fins maliciosos, a preocupação está no fato de que muitas organizações desconhecem se esses serviços estão presentes em seus ambientes, por que foram incorporados ou quais riscos representam. Isso faz com que empresas operem sem visibilidade sobre uma categoria de exposição que cresce rapidamente.
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