Por Jorge Monteiro, COO da Essence e da Imobme
O discurso sobre modernização costuma destacar ganhos de eficiência, escalabilidade e agilidade, mas existe uma camada menos visível, e raramente debatida, que se tornou um dos principais desafios das operações corporativas atuais. Em boa parte dos casos, a velocidade da inovação foi maior do que a capacidade das organizações de sustentar os impactos gerados por ela.
Hoje, muitas empresas atuam em ambientes híbridos, conectando sistemas legados, aplicações em nuvem, APIs, ferramentas de automação, plataformas de dados e integrações terceirizadas que dependem umas das outras para manter a operação funcionando. Um estudo da IDC Brasil aponta que cerca de 56% das organizações no país funcionam com estratégias que combinam infraestrutura local, nuvem pública e serviços terceirizados, ampliando significativamente o nível de integração entre sistemas e a complexidade da gestão operacional. O avanço desse modelo reforça como os ecossistemas tecnológicos corporativos se tornaram mais distribuídos, dependentes e desafiadores de sustentar nos últimos anos.
O problema é quando as empresas enxergam eficiência apenas pela ótica da redução de custos, demonstrando uma visão limitada sobre o tema. E quando isso chega à operação, o que vemos é um cenário de dependências excessivas entre sistemas, aumento do retrabalho, dificuldade de integração e crescimento constante do esforço necessário apenas para manter os ambientes funcionando de forma estável. O resultado é que, muitas vezes, a operação passa a consumir mais energia tentando sustentar a complexidade existente do que criando espaço para evolução.
Dados do Uptime Institute mostram que, embora a frequência geral das interrupções em data centers tenha diminuído nos últimos anos, os impactos financeiros e operacionais dos incidentes mais graves continuam crescendo. O relatório Annual Outage Analysis 2025 aponta que falhas relacionadas a TI e redes já representam 23% das interrupções críticas, impulsionadas principalmente pelo aumento da complexidade em ambientes híbridos, integrações com serviços terceirizados e dificuldades de gerenciamento de mudanças e configurações.
É fundamental garantir que toda a operação consiga sustentar seu crescimento com estabilidade. Para isso, empresas como a Essence vêm desenvolvendo projetos de atualização de ambientes SAP capazes de gerar ganhos de velocidade operacional, compliance e eficiência sem ampliar a complexidade de gestão. Porque, no fim, modernizar uma operação não significa necessariamente simplificá-la, mas construir ambientes mais organizados, integrados e sustentáveis. Sem estratégia, governança e sustentação adequadas, muitas empresas acabam apenas substituindo antigos gargalos por estruturas ainda mais difíceis de coordenar, integrar e sustentar ao longo do tempo.
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