IA, Pix e setor público: os vetores que colocam o Brasil no centro das ameaças cibernéticas

IA, Pix e setor público: os vetores que colocam o Brasil no centro das ameaças cibernéticas

Inteligência artificial está acelerando a sofisticação dos ataques digitais, enquanto ameaças locais como o BANANA-RAT evidenciam os riscos crescentes para empresas, instituições financeiras e órgãos públicos brasileiros

O avanço da inteligência artificial, a consolidação do Pix como principal meio de pagamento do país e a crescente digitalização de serviços públicos e privados estão ampliando a superfície de ataque para grupos cibercriminosos no Brasil. Segundo a TrendAI, líder global em cibersegurança, esse cenário acompanha uma transformação global em que a IA passa a remodelar toda a cadeia do crime digital, tornando os ataques mais automatizados, adaptáveis e rápidos.

De acordo com o relatório The AI-fication of Cyberthreats, produzido pela companhia, 2026 deve marcar a industrialização completa do cibercrime, com operações capazes de escalar ataques, identificar vulnerabilidades e adaptar estratégias em velocidade superior à capacidade de resposta humana.

"A inteligência artificial está alterando profundamente a dinâmica da cibersegurança. Estamos vendo criminosos utilizarem automação para escalar ataques, personalizar golpes e reduzir barreiras técnicas que antes limitavam a atuação de grupos menos experientes. Isso eleva o nível de risco para organizações de todos os setores", afirma Joe Soares, Engenheiro de Soluções Sênior e Consultor de Ameaças Estratégicas da TrendAI.

Fraudes financeiras e ameaças locais ganham força

O setor financeiro continua entre os principais alvos dos criminosos, sobretudo em países com alta digitalização bancária como o Brasil. O crescimento das transações instantâneas ampliou as oportunidades para golpes que combinam engenharia social, roubo de credenciais e malware especializado.

Um exemplo recente identificado pela equipe de pesquisa da TrendAI é o BANANA-RAT, trojan bancário desenvolvido para atacar usuários brasileiros. A ameaça utilizava arquivos maliciosos disfarçados de documentos legítimos, como notas fiscais eletrônicas, para comprometer dispositivos e obter acesso a informações financeiras.

A investigação revelou uma operação que tinha como alvo clientes de 16 grandes instituições financeiras brasileiras e plataformas de criptomoedas, evidenciando uma tendência observada pelos pesquisadores: o desenvolvimento de ameaças cada vez mais adaptadas ao contexto local.

"O BANANA-RAT demonstra que o Brasil não é apenas alvo de campanhas globais. Também existem operações desenhadas especificamente para o mercado brasileiro, explorando comportamentos locais e mecanismos amplamente adotados por empresas e consumidores", explica Soares.

Setor público está entre os principais alvos

Além das fraudes financeiras, organizações públicas e infraestruturas críticas vêm ocupando posição de destaque no radar dos atacantes.

Em uma análise de 418 incidentes de ransomware realizada pela TrendAI em 2026, setor público e governo responderam por 16% dos casos registrados, ficando atrás apenas dos segmentos de consultoria e serviços profissionais (19%). Na sequência aparecem tecnologia, mídia e telecomunicações (12%), energia, recursos e agricultura (10%), manufatura (10%), produtos industriais e consumo (9%) e ciências e saúde (8%).

Segundo a companhia, a atratividade desses ambientes está relacionada ao volume de informações sensíveis armazenadas, à importância dos serviços prestados e ao potencial impacto causado por interrupções operacionais.

IA impulsiona uma nova geração de ataques, mas também de defesa

A TrendAI observa que a inteligência artificial já está sendo utilizada para automatizar etapas inteiras dos ataques cibernéticos. O relatório da empresa prevê que campanhas de ransomware evoluam para modelos altamente automatizados, incluindo bots capazes de conduzir negociações de resgate e adaptar estratégias de extorsão de acordo com o perfil da vítima.

Ao mesmo tempo, a falta de visibilidade sobre ambientes digitais amplia os riscos. A pesquisa mostra que 47% das organizações não conseguem visualizar completamente seus ativos em nuvem, enquanto cerca de 75% já sofreram incidentes graves relacionados a erros de configuração desses ambientes.

Para a companhia, esse cenário exige que empresas, instituições financeiras e órgãos públicos avancem para modelos de segurança baseados em inteligência de ameaças, monitoramento contínuo, resposta gerenciada e uso estratégico da própria inteligência artificial na defesa.

"Estamos em uma era em que a disputa entre atacantes e defensores também será uma disputa tecnológica. A mesma inteligência artificial que pode ser utilizada para potencializar ataques precisa ser aplicada à proteção dos ambientes digitais”, destaca Soares. O executivo ressalta ainda que “as organizações que conseguirem transformar inteligência em capacidade de antecipação estarão mais preparadas para enfrentar os desafios dos próximos anos".

Imagem: divulgação.

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