Estudo aponta que o domínio do Google no Brasil também é sustentado pela arquitetura dos aparelhos mais usados no país
A hegemonia do Google na busca por produtos e serviços no Brasil tem uma explicação que vai além do hábito: ela também é física. Segundo o estudo "O Mapa da Busca no Brasil 2026", da Optimiza Marketing, 78% dos brasileiros usam smartphones com sistema Android para pesquisar antes de comprar, e apenas 12% utilizam iPhone com a mesma frequência.
Em aparelhos Android, predominantes principalmente nas classes C e D, a barra de pesquisa do Google vem instalada de fábrica na tela inicial e, em muitos casos, não pode ser removida. Essa configuração cria o que a análise do estudo chama de "muro de hardware": para adotar outro buscador ou uma ferramenta de IA como ponto de partida, o usuário precisa ativamente baixar um aplicativo e romper um hábito automático, e essa fricção joga a favor do buscador que já vem pronto no celular.
O cenário muda entre os mais jovens: o uso de iPhone sobe para 21% na Geração Z, quase o dobro da média nacional. É justamente nesse grupo — que usa um hardware onde o Google não domina a tela inicial da mesma forma — que a pesquisa identifica maior tendência de fragmentar a busca para redes sociais como Instagram e TikTok.
"A gente costuma discutir SEO como se fosse só uma disputa de conteúdo e algoritmo. Mas esse dado mostra que parte da liderança do Google é decidida antes disso, na camada de hardware. Quando o ponto de entrada já vem resolvido de fábrica, qualquer concorrente, seja um app de IA, seja outro buscador, está competindo com uma barreira física, não só com uma preferência do usuário." Diz Júlia Neves, especialista de SEO e fundadora da Optimiza.
Para empresas de tecnologia e operadoras, o dado reforça que a disputa por atenção no ambiente digital brasileiro começa antes do aplicativo — começa no próprio sistema operacional do aparelho que o consumidor tem nas mãos.
Imagem: divulgação/ Magnific.