Choque de realidade na IA: Prejuízos de bilhões da OpenAI acendem alerta sobre custos de tecnologia nas empresas

Choque de realidade na IA: Prejuízos de bilhões da OpenAI acendem alerta sobre custos de tecnologia nas empresas

A corrida bilionária das gigantes de Inteligência Artificial começa a mostrar seu custo real. A OpenAI, dona do ChatGPT, registrou prejuízo operacional de US$ 20,92 bilhões em 2025, com despesas de pesquisa e desenvolvimento que consumiram US$ 19,18 bilhões, valor que, isoladamente, já supera a receita total da empresa. Na ponta corporativa, o efeito colateral já apareceu: uma empresa teria gasto cerca de US$ 500 milhões com o uso do Claude AI em um único mês, e Uber e Walmart começaram a limitar o uso de IA por parte dos funcionários para conter o descontrole orçamentário. 

Para Rafael Franco, engenheiro de software e CEO da Joya Solutions, empresa especializada em arquitetura de sistemas e soberania digital corporativa, esse cenário já era previsível e serve como alerta para o ecossistema empresarial brasileiro.

"O mercado viveu uma euforia onde parecia que bastava plugar o negócio a um modelo gigante de IA para resolver todos os problemas. O que vemos agora é o choque de realidade: Inteligência Artificial consome infraestrutura bruta. Sem eficiência de engenharia e arquitetura tática, a conta não fecha, nem para as Big Techs, nem para quem depende delas", afirma Franco.

A armadilha dos sistemas genéricos

Segundo o especialista, a crise de custos que hoje pressiona os criadores dos grandes modelos de linguagem reflete um erro recorrente em empresas de médio e grande porte no Brasil: a dependência de soluções de terceiros inflacionadas e engessadas. Um estudo do MIT estimou que 95% dos projetos de IA em empresas não geraram retorno financeiro mensurável, um retrato direto do que F ranco chama de "automatizar o caos". 

Para ele, tentar rodar operações complexas de faturamento, logística ou governança corporativa adaptando o negócio a softwares SaaS genéricos ou APIs de IA hiper-robustas sem otimização é "programar o próprio ralo invisível de capital".

"Colocar IA em uma empresa com processos bagunçados ou sem fundação de dados sólida é automatizar o caos a um custo altíssimo. Na Joya Solutions defendemos o oposto: soberania digital. Empresas de grande porte precisam de tecnologia proprietária, softwares sob medida e modelos de IA integrados milimetricamente ao seu método de sucesso", explica o CEO.

O futuro: modelos verticais e governança de dados

Na visão do especialista, o mercado vai se dividir entre empresas que consomem tecnologia como commodity, reféns das oscilações de preço das Big Techs, e aquelas que tratam a tecnologia como ativo financeiro próprio. A tendência não é o uso indiscriminado de ferramentas generalistas e caras, mas o investimento em modelos verticais e infraestruturas locais blindadas.

"O jogo corporativo de elite exige governança e previsibilidade tática de dados. Se a inteligência e os dados da sua empresa dependem de sistemas externos que mudam regras ou operam no vermelho, sua governança está vulnerável. O futuro pertence a quem é dono do próprio ecossistema tecnológico", conclui Rafael Franco.

Imagem: https://pixabay.com/pt/illustrations/terra-rede-blockchain-globo-3537401/

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