Guia mostra que empresas deixam de medir impactos financeiros dos e-mails transacionais, enquanto IA e validação de listas elevam entregabilidade e conversão
Mesmo com o avanço da inteligência artificial e da comunicação omnichannel, milhões de mensagens corporativas continuam sem chegar ao destino. Um levantamento da Sinch Mailgun revela que 15% de todos os e-mails enviados nunca chegam à caixa de entrada, enquanto 7% são direcionados diretamente para a pasta de spam, comprometendo vendas, relacionamento com clientes e operações críticas. Os dados fazem parte do guia "Além da Orquestração: A Renascença do E-mail", desenvolvido pela Sinch em parceria com a consultoria M15.
O estudo mostra que o problema vai muito além da comunicação promocional. Entre as empresas afetadas por falhas de entregabilidade, 37,5% afirmam que clientes deixam de receber informações importantes, 15,9% relatam danos à reputação da marca e 13,4% dizem enfrentar aumento da insatisfação dos consumidores.
"Durante muito tempo o mercado concentrou seus esforços em aumentar taxas de abertura e cliques. Hoje o desafio começa antes disso: garantir que a mensagem realmente chegue ao inbox. Sem entregabilidade, não existe estratégia de relacionamento, independentemente do canal utilizado", afirma Mario Marchetti, CEO Latam da Sinch.
Outro dado chama atenção para um ponto pouco explorado pelas empresas: o retorno financeiro dos e-mails transacionais. Segundo o levantamento, 32% das organizações não medem o ROI dessas mensagens, enquanto 25% sequer sabem se esse indicador é acompanhado. Embora confirmações de compra, redefinições de senha, notificações de envio e alertas de segurança não tenham caráter promocional, elas influenciam diretamente a experiência do cliente, reduzem custos operacionais, evitam fraudes e sustentam futuras conversões.
O guia também aponta que a inteligência artificial está assumindo um papel estratégico na otimização da comunicação por e-mail. Atualmente, 79% dos remetentes já utilizam ou pretendem utilizar IA em suas estratégias, principalmente para geração de conteúdo (41%), otimização de linhas de assunto (37%), personalização (36%), criação de conteúdo dinâmico (29%) e definição do melhor horário de envio (27%).
Na prática, os resultados já aparecem. Campanhas que utilizam recursos de Send Time Optimization, baseados em inteligência artificial, registram 10% de aumento nas taxas de abertura e até 25% mais cliques quando comparadas a envios realizados sem otimização de horário.
A pesquisa também mostra que ações relativamente simples podem produzir ganhos relevantes. Empresas que realizam validação de endereços antes dos disparos conseguem reduzir em 21% a taxa de bounces e aumentar em 65% as taxas de abertura, reforçando a importância da qualidade das bases de contatos para o desempenho das campanhas.
Segundo a Sinch, esse cenário exige uma mudança na forma como as organizações avaliam seus fornecedores de e-mail. Mais do que observar apenas taxas de entrega, empresas precisam acompanhar indicadores como Inbox Placement, reputação junto ao Google Postmaster Tools e Microsoft SNDS e processos automáticos de validação de listas.
Além da infraestrutura de envio, o relatório destaca que tecnologias como AMP for Email e recursos avançados de personalização estão transformando o e-mail em um canal interativo. Em um dos casos analisados, a plataforma de e-commerce Ecwid registrou aumento médio de 82% nas vendas recuperadas após implementar AMP em mensagens de carrinho abandonado, com alguns lojistas alcançando crescimento de até 300% nessa métrica.
Para Mario Marchetti, CEO Latam da Sinch, o papel do e-mail está mudando dentro das estratégias digitais. "O e-mail deixou de ser apenas um canal de comunicação. Com inteligência artificial, personalização e maior controle sobre a entregabilidade, ele passa a funcionar como uma plataforma estratégica para relacionamento, geração de receita e proteção da experiência do cliente."
Imagem: https://pt.vecteezy.com/foto/3320142-mao-usando-smartphone-com-envio-e-mail-no-fundo-azul