Pesquisa revela também que transações corporativas e inteligência artificial ganham protagonismo nas estratégias empresariais
As ameaças à segurança cibernética e à privacidade de dados são apontadas como o principal risco para os negócios nos próximos 12 meses, sendo consideradas prioridade máxima por 26% dos CEOs brasileiros, segundo a mais recente edição do CEO Outlook, estudo global da EY-Parthenon. Em um ambiente de crescente digitalização e maior exposição a riscos tecnológicos, essa preocupação supera outras questões relevantes, como tensões geopolíticas, instabilidade e conflitos (16%), incerteza regulatória ou política (14%), interrupções no comércio e na cadeia de suprimentos (12%) e volatilidade macroeconômica, incluindo inflação, taxas de juros e desaceleração do crescimento (10%). O acesso reduzido à capital também aparece entre os principais desafios, mencionado por 10% dos executivos. Já a escassez de talentos ou as lacunas nas competências da força de trabalho foram citadas por 6% dos respondentes.
Diante desse cenário de múltiplos riscos e de um ambiente de negócios cada vez mais complexo, as organizações vêm direcionando suas decisões estratégicas para fortalecer a competitividade e acelerar o crescimento de longo prazo. Ao considerar possíveis aquisições ou desinvestimentos nos próximos 12 meses, o alinhamento estratégico com as prioridades de crescimento desponta como o principal critério de decisão, apontado por 18% dos respondentes. Também ganham relevância fatores relacionados à intensidade de capital e ao impacto no balanço patrimonial (14%), além da capacidade de ampliar recursos tecnológicos ou de inteligência artificial (14%). Aspectos ligados à ESG e sustentabilidade, bem como ao perfil de margem e retorno sobre o capital investido, foram mencionados por 12% dos CEOs cada.
Essa busca por crescimento e posicionamento estratégico se reflete diretamente na disposição das empresas em realizar transações corporativas. Nenhum dos entrevistados afirmou que pretende permanecer inativo nos próximos 12 meses, evidenciando uma agenda robusta de movimentações. As joint ventures lideram as intenções dos CEOs, com 52% das citações, seguidas de perto pelas fusões e aquisições (50%). Os desinvestimentos também aparecem em destaque, mencionados por 32% dos executivos, enquanto alianças estratégicas foram citadas por 24%. Outras iniciativas incluem vendas estratégicas para patrocinadores financeiros, como fundos de private equity (14%), e ofertas públicas iniciais (IPOs) de subsidiárias ou unidades de negócios (12%).
“Os resultados mostram que os CEOs continuam comprometidos com investimentos que apoiem o crescimento e a transformação dos negócios, mas com uma abordagem cada vez mais criteriosa diante do cenário de incertezas. A confiança permanece elevada em iniciativas voltadas à expansão e à inovação, 76% dos executivos se dizem otimistas em relação aos investimento na infraestrutura tecnológica existente, sendo 28% muito otimistas e 48% um tanto otimistas, enquanto 72% demonstram confiança em investimentos em novas áreas, como joint ventures e fusões e aquisições, sendo 40% muito otimistas e 32% um tanto otimista”, diz Leandro Berbert, sócio de Estratégia e Transações da EY-Parthenon.
O forte interesse por operações corporativas é acompanhado por uma visão amplamente positiva em relação ao mercado de fusões e aquisições. Entre os CEOs que planejam realizar M&A, todos esperam ampliar seu apetite por negócios em comparação com 2025. A maioria (64%) prevê um aumento moderado, enquanto 36% acreditam que esse crescimento será significativo.
“Por outro lado, observamos uma postura mais cautelosa em relação às operações existentes e às condições do mercado financeiro. Esse cenário sugere que as lideranças continuam apostando no crescimento de longo prazo, mas com maior seletividade na alocação de capital e foco em iniciativas com potencial mais claro de geração de valor”, pondera o sócio.
Apesar das incertezas do ambiente de negócios, a resposta das empresas tem sido marcada pelo fortalecimento da resiliência e das capacidades internas, em vez da adoção de medidas defensivas mais drásticas. A principal estratégia apontada pelos CEOs é o investimento em capacitação, ampliação do leque de talentos e uso de tecnologia para impulsionar a produtividade, citado por 28% dos entrevistados. Em seguida, aparecem iniciativas voltadas ao fortalecimento do balanço patrimonial por meio de refinanciamento ou captação de recursos (24%), além da realização de fusões e aquisições seletivas para gerenciar riscos e capturar oportunidades (16%).
Os resultados também indicam foco na disciplina financeira, com 12% dos executivos priorizando ações para reforçar a resiliência por meio da realocação de capital, controle de custos e preservação de caixa. Já a aceleração dos investimentos em tecnologia digital e inteligência artificial (8%) e a reestruturação das cadeias de suprimentos ou da presença operacional (8%) complementam a estratégia das organizações para navegar em um cenário de maior volatilidade.
Investimentos em Inteligência Artificial
Nesse contexto, a inteligência artificial se consolida como uma das principais frentes de investimento corporativo. 72% dos executivos consultados pretendem aumentar os recursos destinados à IA, enquanto 28% pretendem mantê-los nos mesmos níveis.
Os resultados já são percebidos nas funções centrais dos negócios. Operações principais ou produção, atendimento e experiência do cliente, além de estratégia e tomada de decisões, aparecem empatados como as áreas em que a tecnologia gera os impactos mais significativos, com 42% das respostas cada. Na sequência, aparecem a cadeia de suprimentos e compras (38%), inovação de produtos ou serviços e vendas e marketing (26% cada), finanças e gestão de riscos (24%) e recursos humanos e gestão da força de trabalho (22%).
“Os resultados mostram que a tecnologia segue como uma das principais apostas dos CEOs para impulsionar o crescimento dos negócios. O nível de confiança é especialmente elevado em relação aos investimentos em tecnologias emergentes, 90% dos executivos se dizem otimistas, sendo 36% muito otimistas e 54% um tanto otimistas. Esse dado reforça a importância da inovação como motor de competitividade e transformação”, diz Berbert.
À medida que a adoção da IA avança, também aumentam os desafios relacionados à regulamentação. Para 46% dos CEOs, as atuais estruturas regulatórias ampliam os requisitos de conformidade e a complexidade operacional. Outros 30% afirmam que as regras oferecem algum grau de clareza, embora ainda sejam fragmentadas ou estejam em evolução, enquanto 16% consideram que elas fornecem orientações claras para apoiar a estratégia e a inovação. Apenas 6% apontam que a regulamentação limita a inovação ou desacelera o desenvolvimento de produtos, e 2% acreditam que ela é excessivamente restritiva e gera desvantagem competitiva internacional.
Nos próximos três anos, os CEOs esperam que a inteligência artificial transforme suas estratégias de força de trabalho principalmente por meio da qualificação dos profissionais e da adaptação das funções existentes. Entre as prioridades apontadas estão o aumento das contratações para funções ligadas à IA, dados e áreas digitais, com 22%, a requalificação e o aprimoramento em larga escala dos funcionários atuais, com 20%, e o redesenho de funções para combinar capacidades humanas e de IA, também com 20%. A alteração da distribuição geográfica da força de trabalho foi citada por 18% dos entrevistados, enquanto o aumento do uso de talentos temporários ou externos aparece com 16%. Apenas 4% apontam a redução das contratações em determinadas funções como prioridade.
“Observamos uma postura mais cautelosa em relação à infraestrutura tecnológica existente. Embora 76% dos CEOs mantenham uma visão otimista sobre esses investimentos, o percentual é inferior ao registrado para tecnologias emergentes, indicando uma priorização cada vez maior de iniciativas voltadas ao futuro e à geração de valor de longo prazo”, complementa o sócio.
Apesar do avanço da adoção da IA, as empresas ainda enfrentam desafios relevantes relacionados à gestão de talentos. A principal limitação apontada para a geração de valor por meio da tecnologia é a falta de caminhos de carreira claros em uma organização impulsionada por IA, mencionada por 28% dos respondentes. Em seguida, aparece a dificuldade de manter a cultura empreendedora durante as transformações impulsionadas pela tecnologia, com 26%. A atração de talentos especializados em IA e as limitações de habilidades em IA e dados na força de trabalho atual foram citadas por 12% cada. Infraestrutura inadequada de treinamento e aprendizado e capacidade insuficiente de liderança para conduzir a mudança aparecem com 8% cada, enquanto a resistência cultural à mudança foi apontada por 6%.
Sobre o estudo: Em março e abril de 2026, o material ouviu 50 CEOs de empresas de diferentes setores no Brasil, como Consumo e saúde, Serviços financeiros, Indústria e energia, Infraestrutura, e Tecnologia, mídia e telecomunicações. O objetivo da pesquisa foi fornecer informações valiosas sobre as principais tendências e desenvolvimentos que impactam as empresas líderes globais, bem como as expectativas dos líderes empresariais em relação ao crescimento futuro e à criação de valor a longo prazo. A amostra do estudo é composta majoritariamente por CEOs de empresas de grande porte. Entre os participantes, 28% representam organizações com receita anual entre US$ 5 bilhões e US$ 9,9 bilhões no último ano fiscal.
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