A adoção acelerada de inteligência artificial na construção de software está transformando o setor. Segundo a Gartner, 75% dos engenheiros de software corporativos usarão assistentes de código com IA até 2028.
Fabio Seixas, CEO da Softo e especialista em inteligência artificial aplicada a produtos e processos, acredita que, apesar dos avanços, a inteligência artificial também traz novos desafios. Segundo ele, a tecnologia reduziu uma das principais barreiras históricas do desenvolvimento de software, a capacidade de execução, mas deslocou o gargalo para uma etapa anterior: entender corretamente qual problema precisa ser resolvido.
“A inteligência artificial resolveu o problema da execução. O gargalo agora está na definição do que construir. Equipes produzem mais rápido, mas muitas vezes resolvem o problema errado. O que separa as empresas que crescem das que apenas sobrevivem é a capacidade de chegar antes do código. Para entender o problema com profundidade suficiente e construir a coisa certa na primeira tentativa”, afirma.
Seixas destaca que um dos principais erros das empresas na adoção da IA é tratar a velocidade como o objetivo final, mas, na verdade, deveria ser apenas um meio para alcançar melhores resultados. “É isso que vejo na prática: times animados com ferramentas e ninguém sabendo se aquilo de fato impulsionou o negócio. A velocidade existe, mas ela nem sempre está a serviço do resultado certo”, continua.
Para o executivo, é essencial que as empresas se inclinem para análise e ações que vêm antes e depois da execução. “Antes do código, as empresas precisam investir parte do tempo que a IA devolveu para entender melhor o problema, validar hipóteses e colocar algo funcional na mão rapidamente, como um protótipo que roda, em vez de comprometer um time inteiro em um escopo mal resolvido”, conclui.
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