Em um cenário em que inteligência artificial, computação em nuvem e serviços digitais elevam a criticidade da infraestrutura tecnológica, a escolha de um data center deixou de ser uma decisão exclusivamente técnica para se tornar um tema estratégico de negócios. Questões como latência, continuidade operacional, dependência de fornecedores, conectividade, localização e flexibilidade da infraestrutura passaram a influenciar diretamente a competitividade das empresas.
Esses desafios estarão no centro do “End Users Panel: Como grandes empresas escolhem data centers na prática”, um dos destaques da programação do Data Center World Brasil 2026, que a Informa Markets promove de 6 a 8 de outubro, no São Paulo Expo. O debate será realizado na segunda-feira (6), às 14h, com moderação de Cristiano Valério Ribeiro, diretor de Estratégia, Inovação e Novos Negócios do Grupo ELV, e reunirá executivos que lideram operações de tecnologia em algumas das maiores empresas do país.
Participam da discussão Elio Nazareth, Head de Infraestrutura de TI da Riachuelo; Bruno Tiburcio, Head of Technology da Rappi; e Carlos Mesquita, ex-Technology & Media Operations Lead da Netflix. A proposta é apresentar experiências concretas de empresas que enfrentam diariamente decisões sobre infraestrutura crítica, compartilhando fatores que vão além de preço ou capacidade instalada.
Entre os temas debatidos estarão os critérios que motivam a escolha ou a troca de um data center, casos reais em que problemas de latência impactaram operações e experiência do cliente, além dos desafios relacionados à dependência de provedores de cloud e fornecedores de infraestrutura.
O painel também discutirá como conectividade, flexibilidade operacional e estratégias para reduzir riscos passaram a influenciar decisões de longo prazo. "A decisão de investir em alta disponibilidade costuma parecer cara no primeiro momento, mas, quando se coloca na conta o impacto das interrupções, das perdas operacionais e dos reembolsos contratuais, ela deixa de ser um custo e passa a ser um investimento. No nosso caso, o ganho em estabilidade, escalabilidade e capacidade de crescimento compensou rapidamente esse movimento", afirma Bruno Tiburcio, Head de Tecnologia da Rappi.
Durante muitos anos, as discussões sobre data centers foram conduzidas principalmente pelos fornecedores de tecnologia. “Neste painel, queremos inverter essa lógica e ouvir quem está do outro lado da mesa, tomando decisões que impactam diretamente a operação de grandes empresas. São experiências reais que ajudam todo o mercado a compreender quais fatores realmente pesam na escolha de uma infraestrutura crítica", destaca Leonardo Benedicto, diretor do Data Center World Brasil.
Outro ponto de destaque será a evolução dos serviços esperados pelos usuários corporativos. Além do modelo tradicional de colocation, as empresas buscam parceiros capazes de oferecer soluções integradas, suporte especializado, escalabilidade, segurança e serviços que contribuam para a continuidade do negócio. A localização física da infraestrutura também ganhou relevância diante das exigências de disponibilidade, redundância, desempenho e expansão das operações.
"Colocation por si só já não é suficiente. O diferencial está na qualidade do suporte, na capacidade de resposta e na previsibilidade que o fornecedor entrega. Além disso, a localização deixou de ser apenas uma questão geográfica: ela envolve disponibilidade de energia, conectividade e condições para sustentar o crescimento da operação", ressalta Tiburcio.
Ao reunir líderes que atuam diretamente na gestão de dados, o painel pretende aproximar fornecedores e usuários finais, oferecendo uma visão prática sobre como grandes organizações avaliam riscos, desempenho e retorno dos investimentos em infraestrutura digital. A proposta é transformar experiências reais em referência para empresas que enfrentam desafios semelhantes em um mercado cada vez mais orientado por dados e aplicações de inteligência artificial.
O debate integra a programação do congresso do Data Center World Brasil 2026. Ao longo de três dias, o evento reunirá especialistas, operadores, fabricantes, provedores e executivos responsáveis pelos maiores projetos de data centers da América Latina para discutir inteligência artificial, cloud computing, conectividade, eficiência energética, segurança cibernética, ESG, automação e expansão da capacidade instalada no Brasil.
O DCW será realizado simultaneamente ao Futurecom, principal evento dedicado à economia digital e inovação da América Latina.
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