Pergunte ao presidente executivo de TI do Bradesco, Laércio Albino Cezar, qual a grande ambição do banco atualmente no âmbito da inovação tecnológica e ele não titubeará: a hegemonia da imagem digitalizada no dia a dia da instituição. Para dar ideia do tamanho do desafio, a operação do Bradesco gera e faz circular mensalmente cerca de 230 milhões de documentos. Além de toda a logística e capital humano envolvidos na movimentação interna e externa, essa montanha de papel requer também a guarda em grandes armazéns físicos. O  manuseio é difícil, apesar do alto nível de formalização proporcionado pelos sistemas do banco. Cezar quer mudar esse cenário em no máximo dois anos. Este é o prazo para conclusão de projeto de digitalização e gestão de documentos, uma espécie de prolongamento do projeto de compensação de cheques por imagem. “Está em franca evolução. Ao final, mudará profundamente nossa rotina de trabalho”, diz Cezar.

Laércio Albino Cezar, VP executivo de TI do Bradesco

[private] Digitalização não é novidade no Bradesco, mas ganhou fôlego redobrado a partir de 2008, quando todos os cheque recebidos passaram a ter a imagem capturada, armazenada e colocada à disposição dos clientes. A inovação modernizou a conferência de dados dos cheques (formalística) e deu aos profissionais de TI a dimensão dos benefícios da tecnologia. “Pelo menos 80% dos cheques ‘morriam’ já nessa conferência, ou seja, não circulavam jamais”, relata o gestor.

Com a empreitada, o banco se antecipou aos requisitos do novo sistema de compensação de cheques por imagem do país, em vigor desde maio deste ano por determinação do Banco Central. Hoje, todas as agências do Bradesco estão equipadas com scanners multifuncionais aptos a capturar documentos em formatos e tamanhos variados, e não apenas cheques. Segundo o gestor, 60% das agências já capturam diretamente os cheques. As 40% restantes que ainda remetem o documento a uma centralizadora passarão a fazer a captura nos próximos meses, segundo o executivo.

Agora,  os profissionais de TI e de unidades envolvidas centram o foco na transferência para o mundo virtual de todo tipo de papel, valendo-se da infraestrutura montada e experiência adquirida. Dinheiro não falta, é o que garante o vice-presidente. Até o momento, o banco destinou cerca de 70 milhões de reais ao sistema de compensação por imagem, além dos investimentos anteriores. Tudo o que foi investido previa o prolongamento do projeto, que envolve uma miríade de tecnologias, desde softwares e equipamentos de captura e de retaguarda até plataformas sistêmicas. A instituição não descarta ajustes e a busca de novos parceiros, de acordo com a necessidade.

Entre os alvos iniciais da nova etapa estão as áreas internas que lidam com contratos. O vice-presidente cita contratos de câmbio e crédito imobiliário e operações especiais, como Finame, além de depósitos e toda a papelada envolvida na abertura de contas. “Também entra no sistema o que chamamos de movimento contábil do banco. Uma despesa com lanche, por exemplo,  gera uma ficha de contabilidade que será capturada por imagem e não precisa circular”, diz Cezar.

O Bradesco espera nada menos do que mudanças paradigmáticas na sua forma de trabalhar, com reflexos no atendimento. De imediato, a instituição ganha espaço, elimina manuseio e incrementa expressivamente a habilidade de localizar documentos e a velocidade das tarefas. “A montagem de um processo jurídico, que muitas vezes precisa localizar contratos elaborados 10 ou 15 anos atrás, será feita em poucos segundos”, diz o executivo.  A relação do banco com o usuário mudará de patamar, na avaliação do vice-presidente. “O atendimento será mais ágil e ele terá benefícios como acessar a conta via internet para visualizar e imprimir imagens de contratos firmados e outros documentos, como já faz com cheques”, ilustra.

A economia de custos também é imediata. “A imagem é mais barata, sem contar que muitos serviços do banco sequer gerarão qualquer papel, como e-mail por exemplo, que sairá direto da mídia eletrônica para um arquivo digital”, informa. No que se refere à circulação de documentos, ele dá uma ideia do potencial do projeto. “Só no transporte compartilhado exigido pela compensação a nossa economia foi de 40 milhões de reais, dos quais 50% já estão em caixa”, informa. O gestor menciona ainda o avanço no âmbito dá segurança da informação. “Estamos falando em guardar documentos em meios digitais dentro de computadores que têm sistema de backup remoto, com duplicidade online e em tempo real, de maneira que não teremos problemas no caso de incêndios ou outras catástrofes”, finaliza o executivo.

Digitalização e gestão de documentos no Bradesco

• Investimento até agora: R$ 70 milhões no sistema de compensação por imagem, além de investimentos anteriores a 2009;

• Etapa concluída: cheques;

• Agências que hoje capturam imagem de cheque diretamente: 60% (100% nos próximos 60 dias);

• Agências equipadas com scanners aptos a capturar documentos em vários tamanhos: 100%;

• Economia proporcionada pela compensação por imagem (relacionada com transporte compartilhado): R$ 40 milhões (R$ 20 milhões já em caixa);

• Etapa atual do projeto: prolongamento para outros áreas e processos do banco;

• Prazo para conclusão da etapa atual: dois anos;

• Circulação mensal de papéis no banco: cerca de 230 milhões de documentos físicos. [/private]