A inteligência artificial deixou de ser apenas uma pauta de inovação ou tecnologia e passou a entrar na conta de quanto uma empresa vale. Segundo a FMG, boutique de tecnologia especializada em transformação de negócios, investidores e fundos começam a avaliar a maturidade das organizações para usar IA de forma estratégica em operações de M&A, valuation e due diligence, considerando esse fator como um indicador de risco, potencial de crescimento e capacidade de geração de valor.
Esse movimento ganha força em um momento em que os resultados dos investimentos em IA começam a ser cobrados além do discurso. Dados da S&P Global apontam que 42% das empresas abandonaram a maioria de seus projetos de inteligência artificial. Na América Latina, apenas 17% das empresas obtêm o retorno esperado com IA, segundo a McKinsey. Em contrapartida, uma análise da Harvard Business Review indica que empresas que medem resultados antes de implantar a tecnologia têm quatro vezes mais chances de obter retorno.
“A maturidade em inteligência artificial virou um ativo invisível no balanço, e o mercado começou a precificá-lo. Assim como marca e carteira de clientes, já entra na conta a capacidade real de usar IA para melhorar a operação de forma comprovada. A questão que agrega valor é ter um método estruturado para extrair resultado da tecnologia”, explica Alex Ferreira, CEO da FMG.
Segundo ele, a diferença está entre adoção tecnológica e transformação efetiva do negócio. O executivo avalia que uma empresa que incorporou diversas soluções de IA, mas não consegue demonstrar impacto sobre receita, produtividade, custos ou outros indicadores relevantes, pode apresentar mais riscos do que uma organização com menos ferramentas, mas que sabe exatamente como a tecnologia contribui para seus resultados.
“Para um comprador ou investidor, uma empresa que não sabe usar IA não é apenas menos eficiente: ela pode ser mais arriscada e mais cara de transformar. Quando não existe clareza sobre dados, processos, governança e capacidade de capturar valor com a tecnologia, isso pode representar um passivo para quem está avaliando uma aquisição ou investimento”, alerta Ferreira.
Essa avaliação também ajuda a explicar por que o chamado AI Washing, quando uma empresa comunica uma adoção de inteligência artificial maior do que aquela efetivamente incorporada à operação, tende a perder espaço nas análises mais rigorosas.
“Em uma due diligence, é possível olhar para sinais concretos de maturidade: como a empresa utiliza seus dados, quais processos foram redesenhados, que resultados já foram alcançados e se existe uma estratégia para ampliar esse impacto. O mercado está começando a separar as empresas que simplesmente adotaram IA daquelas que realmente aprenderam a operar melhor por meio dela.”, complementa o CEO da FMG.
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