Muitas organizações estão passando por momentos de incertezas nos negócios em decorrência da pandemia de Covid-19. O estudo "O RI como o guardião do valor em tempos de crise", realizado entre junho e julho pela Deloitte, em parceria com o IBRI (Instituto Brasileiro de Relações com Investidores), mostra como os líderes de relações com investidores e áreas relacionadas estão se organizando para manter os resultados e promover a segurança do negócio junto aos stakeholders. O grande aumento de demanda por informações rápidas, oportunas e, principalmente, de qualidade, estimulou o RI a melhorar seu planejamento e o modo como lidava com os investidores.

O momento trouxe grandes desafios para as empresas. "Atender às demandas dos stakeholders por informações relacionadas às incertezas do cenário se tornou prioridade. De acordo com o estudo, esse fator cresceu 10 pontos percentuais durante a pandemia de Covid-19, em comparação a 2019. Frente a esses desafios, os RIs buscaram adaptar os planejamentos e inovar em processos e tecnologias para gerar respostas mais tempestivas e promissoras", afirma Ronaldo Fragoso, sócio-líder da Deloitte para as Respostas de Negócios à Covid-19.

As principais demandas desses stakeholders identificadas pela pesquisa foram por informações financeiras atualizadas (75%), plano de continuidade dos negócios (63%) e gestão de riscos (57%). Além disso, o aumento de iniciativas digitais cresceu significativamente: 94% das empresas concordam com a realização assembleias virtuais de acionistas; webcasts, aplicativos, influenciadores, plataformas de educação financeira e chatbots também tendem a ganhar uma grande relevância nos próximos dois anos, acelerados em razão do cenário atual decorrente da pandemia.

"O cenário atual fez o RI se adaptar a inúmeras externalidades e movimentos de mercado. O profissional de RI é ainda mais exigido em momentos de crise e mudanças, seja na sociedade ou no ambiente de negócios, cujas demandas estão evidenciadas na pesquisa", Declara Bruno Brasil, Diretor- Presidente do IBRI (Instituto Brasileiro de Relação com Investidores)

A maioria das empresas (73%) realizou campanhas de esclarecimento sobre a crise da Covid-19 junto aos stakeholders. No contexto da pandemia, a capacidade de responder de forma rápida, assertiva e estratégica ficou ainda mais decisiva. Outro ponto de destaque, adotado por 22% dos respondentes, foi o aprimoramento de novos formatos de reportes que sejam mais tempestivos, para uma compreensão mais clara por parte dos investidores.

É importante ressaltar que as adequações à LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados) e os indicadores ESG (Environmental, Social and Governance) estiveram no topo das ações conduzidas em 2019 por grande parte das 63 empresas respondentes, 48% e 46% respectivamente. Estabelecer governança de banco de dados e garantir a privacidade são os maiores entraves em relação à LGPD para as organizações. Esse resultado reforça a percepção de que as empresas que já estavam se adaptando às novas tecnologias, leis de compliance e inteligência de mercado estão conduzindo melhor seus negócios durante a crise.

Tendências e o futuro da função de RI

A cada dia, a função de RI se torna mais estratégica. Dados da pesquisa mostram as habilidades necessárias para o profissional do futuro: agilidade e assertividade em responder o investidor (79%); visão estratégica sobre os objetivos da organização (75%); pensamento crítico e analítico (56%); e bom relacionamento interpessoal com as demais áreas (52%). O líder de RI não está usualmente apenas em uma área, a função dele é plural e integrada com outros setores, principalmente a área financeira (82%); além disso, de acordo com a pesquisa, 90% das empresas aumentaram ou mantiveram, em 2019, seu quadro de funcionários em relação ao ano anterior.

Metodologia

A pesquisa "O RI como o guardião do valor em tempos de crise" contou com a participação de 63 empresas de todas as regiões do Brasil, entre as quais 70% estão listadas em bolsa. Seis em cada dez respondentes estão em cargos executivos.