Por Carlos Baptista*

Por incrível que pareça, muita gente ainda tem medo de abraçar a tecnologia como a principal viabilizadora no mundo pós-Covid. Inovar é a palavra de ordem e insistir em métodos antigos é ficar para trás. As plataformas digitais, com todas as suas funcionalidades, indicam que as organizações precisam se transformar para sobreviver. Mas como será neste "novo normal"? Para melhor adaptação em um novo mundo, será essencial se encaixar neste novo modelo híbrido de negócios.

Pesquisa realizada em parceria pela FIA e FEA-USP indica que 70% dos executivos brasileiros se sentem motivados a continuar trabalhando no modelo home office depois do término do período de isolamento obrigatório. O trabalho remoto é uma realidade sem volta e agora é o momento de fazer as pessoas se sentirem conectadas, despertando nos colaboradores o senso de pertencimento. É preciso dar voz às pessoas para abrir caminho à construção de novas ações em conjunto.

É bem verdade que a pandemia acelerou a digitalização dos negócios a medida que o período de isolamento social foi aumentando. Mas isso não é novidade e as empresas já perceberam que essa forma de atuação promove, no mínimo, eficiência e simplificação de processos, além de novas possibilidades de estreitar relacionamentos e engajar stakeholders internos e externos.

Mas, para não se perder nesse processo é preciso ser estratégico, há que se pensar se esse modelo híbrido servirá para qualquer tipo de empresa e segmento de mercado. Mais do que isso, será fundamental avaliar a dosagem da frequência de cada modalidade, entre remoto e presencial, e a escolha da ferramenta a ser utilizada, que pode levar tanto ao sucesso absoluto quanto ao fracasso total.

O mundo ficou mais imprevisível, as pessoas e negócios descobriram novas necessidades e para este "novo normal" alguns aspectos precisam ser contemplados nessa estratégia:

Processos
A metodologia deve ser ágil, o modo antigo de gerenciamento precisa evoluir. Agilidade não é uma questão de tecnologia ou metodologia, e sim de mindset, por isso há que se evoluir para o conceito de business agility. Já passou da hora de ‘virar a chave’ e abrir a cabeça para este novo mindset. A agilidade tem que estar incutida no negócio como um todo. Para isso, mais do que adotar um modelo ou "receita de bolo" entenda a essência das metodologias e adapte à realidade do seu negócio e das suas equipes. O foco deve ser o resultado e adaptabilidade. Por isso precisa ser flexível em relação aos processos e metodologia implementada.

Pessoas
Neste novo modelo híbrido, se uma empresa tem suas equipes distribuídas entre escritório e home office, será essencial se atentar não só às questões de metodologia, mas à forma de comunicação e engajamento das equipes. Não há "guia de instruções", mas este é um caminho para manter as equipes integradas e afinadas diante desse novo modelo. Tudo deve estar embasado na cultura da empresa mas estas precisam desenvolver o senso de empoderamento e confiança no seu profissional enquanto os profissionais precisam desenvolver a autogestão, responsabilidade, a autonomia. Estes são os diferenciais para que várias empresas se mantenham neste mundo pós pandemia

Estratégia
A adoção de novas tecnologias e ferramentas deve ser parte integrante da estratégia do negócio. Independentemente da área ou tipo de negócio, o mix entre físico e digital é inevitável. A loja física precisa se atentar para a presença digital e comércio eletrônico. O negócio digital precisa manter canais que possibilitem a personificação do negócio. Estes são alguns exemplos dos novos modelos híbridos e quanto impactam na definição da estratégia. A tecnologia é a grande aliada de profissionais e clientes nestes novos modelos de negócio possibilitando mais proximidade, flexibilidade e comunicação entre todos. Mas precisamos ficar atentos para não substituir definitivamente a personalização e proximidade com o Ser Humano..

A principal certeza que temos neste momento é que tudo será diferente no mundo pós-covid. Ainda existem diversas incertezas em relação ao futuro mas alguns insights já estão se tornando realidade. Descobrimos uma nova maneira de nos relacionarmos e consumirmos. Valorizamos ainda mais a proximidade mas descobrimos os benefícios da videoconferência ou do delivery. Esta será a nova realidade e para isso os modelos precisam se transformar urgentemente para atender este "novo normal".

Sobre Carlos Baptista - Especialista em transformação digital e processos ágeis para as empresas. Professor e Coordenador do núcleo de seleção de alunos do MBA da FIAP. É empresário, consultor de negócios e mentor. Possui mais de 30 anos de experiência em TI no Brasil e Portugal.