De acordo com o estudo sobre os impactos da Covid-19 nas empresas, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a pandemia provocou o fechamento de 522,7 mil empresas, o que representa 39,4% de um total de 1,3 milhão que encerraram suas atividades na primeira quinzena de junho. Os setores mais atingidos, foram: serviços, com 258,5 mil (49,5%); comércio, com 192 mil (36,7%); construção, com 38,4 mil (7,4%); e indústria, com 33,7 mil (6,4%). Entenda como algumas empresas que atuam em alguns destes setores estão lidando com os impactos do atual cenário:

Para Eduardo L’Hotellier, fundador e CEO do GetNinjas, maior aplicativo de contratação de serviços da América Latina, o período de isolamento criou novos hábitos e necessidades. "O consumidor passou a buscar mais alternativas por serviços online, uma tendência voltada à conveniência de se ter produtos e serviços no conforto e segurança dos próprios lares". O aplicativo registrou cerca de 400 mil novos cadastros de janeiro até a primeira quinzena de agosto deste ano. Além disso, o app conta com mais de 1,7 milhão de profissionais cadastrados. Neste mesmo período, o app já registrou mais de 1,6 milhão de novos clientes fazendo pedidos pelo GetNinjas.

Logo no início de março, a startup reestruturou o modelo da oferta de negócios e os serviços oferecidos para os consumidores e prestadores de serviços foram adaptados, com a ampliação da oferta de serviços online, que chegou a dobrar de quantidade e hoje já soma mais de 500 opções que estão disponíveis no app. A mudança impactou em um aumento significativo na demanda por serviços no app em agosto (74%), em relação ao mesmo período de 2019.

Rodrigo Ricco, CEO e fundador da Octadesk, empresa que auxilia marcas a venderem e atenderem via canais digitais, ressalta a importância de, em tempos de isolamento social, investir em produto e no time de colaboradores, para um melhor desempenho da plataforma e suporte ao cliente. "Contratamos cerca de 20 pessoas desde o início da pandemia, 80% delas para as áreas de produto, vendas e suporte", completa o empreendedor. A empresa, que hoje possui uma base de 1.500 clientes ativos, teve um aumento em 50% do investimento nas áreas de tecnologia e produto em comparação com o ano anterior, isso só no primeiro semestre de 2020, e projeta fechar com 100% de crescimento nas áreas até o fim do ano.

Segundo Ricco, apesar da crise, maio e junho foram os melhores meses do ano para a empresa, tanto em número de clientes, como em projetos entregues. "A crise impulsionou uma transformação digital que seria realizada em anos, para semanas. Entre algumas implementações internas, criamos cargos definitivos na empresa para profissionais que residem em outros estados. Já temos funcionários de Sergipe, Brasília, Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul". Com sede em São Paulo, a Octadesk está aproveitando o período para desenvolver novas soluções que estarão disponíveis em breve no mercado, e ainda projeta uma expansão internacional até o fim do ano.

A e-thinkers, empresa de gestão de e-commerce, viu a procura pela digitalização aumentar bruscamente durante a pandemia, fazendo com que a empresa crescesse em 80% seu faturamento e o número de clientes aumentou em 50%. Como carro-chefe de atuação, a e-thinkers trabalha com o formato de co-gestão das lojas virtuais, por meio desse braço a empresa é responsável pelas áreas de Tecnologia, Design, Marketing, Comercial e Produção de cada cliente. Para auxiliar pequenas marcas brasileiras que ainda não possuem uma estrutura de venda online, a e-thinkers, lançou durante a pandemia dois novos produtos de atuação, o DIY - plataforma em que o cliente tem acesso aos templates e funcionalidades criadas pela empresa durante seus sete anos de existência, mas implementa o site sem o auxílio do time e-thinkers - e o 4Hands - a marca que contrata trabalha diretamente com o time de design, cadastro e programação da e-thinkers para montar sua loja virtual.

Outras empresas como a Connekt, plataforma inteligente de recrutamento digital, também buscaram investir em tecnologia. "Nós já somos uma plataforma digital e vimos um aumento de acesso em nosso site. Para se ter uma ideia, registramos 60 mil novas candidaturas em maio e 90 mil em junho", afirma Eduardo Hupfer, product manager da startup. A Connekt afirma que desde o início do ano está investindo em tecnologia e a pandemia acelerou este processo. Neste trimestre pretendem mudar softwares da plataforma e devem investir também em Inteligência Artificial. "Hoje, cerca de 30% de nossa receita é reinvestida em tecnologia, como uma HRtech, esse tipo de investimento é sempre um dos nossos carros chefe", finaliza o especialista.

Já a LAR.app, primeira administradora digital do Brasil, tem como principal canal de investimento o setor de tecnologia. Nos próximos meses, o objetivo é aumentar o setor e lançar novas funcionalidades para o mercado. Atualmente, 45% do investimento total da empresa é para tecnologia. "Também notamos uma série de mudanças e acompanhamos isso. Nossos contatos por canais digitais como Whatsapp, e-mail e chat ficaram muito mais constantes e acompanhamos as assembleias dos condomínios, que agora acontecem no formato online, por meio digital, devido a pandemia", explica Rafael Lauand, CEO da proptech.