Phishing concentra mais de um terço das ameaças detectadas no Brasil no primeiro semestre de 2026, aponta ESET

Phishing concentra mais de um terço das ameaças detectadas no Brasil no primeiro semestre de 2026, aponta ESET

O phishing foi a principal categoria de ameaça detectada no Brasil durante o primeiro semestre de 2026, respondendo por 35,9% de todas as detecções registradas pela ESET entre janeiro e junho. A análise, baseada na telemetria da empresa, identificou a atividade de mais de 1.300 famílias de malware no período e mostra um cenário marcado tanto pela continuidade de golpes de engenharia social quanto por ondas pontuais de códigos maliciosos e ataques que exploram vulnerabilidades conhecidas.

O relatório da empresa, líder em detecção proativa, aponta que phishing e vulnerabilidades antigas seguem entre as principais ameaças para os brasileiros. Dentro do phishing, documentos PDF fraudulentos concentraram 52% das detecções da categoria. Também chama atenção o avanço das campanhas que utilizam códigos QR, que responderam por 7,2% do volume desse tipo de ameaça e tiveram crescimento de 460% nas detecções em fevereiro. A telemetria da ESET também identificou campanhas que utilizaram marcas como DocuSign, Telegram e WeTransfer como iscas para induzir as vítimas a acessar conteúdos maliciosos.

A exploração de vulnerabilidades antigas também teve participação relevante no período. Os exploits representaram 9,4% de todas as ameaças detectadas, com grande parte das ocorrências relacionada a falhas conhecidas do Microsoft Office, algumas delas identificadas ainda em 2010 e 2017. Entre os casos observados está a CVE-2017-0199, que passou de 2,2% para 50,3% das detecções relacionadas a vulnerabilidades entre fevereiro e março.

Para Jonathan Ramos, pesquisador de segurança da ESET Brasil, “o movimento reforça a importância de manter sistemas e aplicações atualizados, já que vulnerabilidades conhecidas continuam podendo ser exploradas quando permanecem presentes em ambientes sem as devidas correções”.

Outro grupo de ameaças com participação expressiva foi o dos downloaders, códigos utilizados para abrir caminho para a instalação de outros malwares. Eles responderam por 12,9% de todas as detecções do semestre, com o JS/TrojanDownloader.Agent representando 34% dos casos da categoria. Entre os droppers, que carregam o código malicioso em sua própria estrutura, o PowerShell/TrojanDropper.Agent chegou a 69,4% das detecções da categoria em março, contra uma participação que normalmente ficava entre 4% e 9%.

Picos de ameaças revelam mudanças no comportamento dos criminosos
 

Pico de atividade fraudulenta utilizando Cavalo de Troia de Acesso Remoto

Além das categorias com maior volume, a análise da ESET identificou movimentos pontuais de ameaças que, mesmo representando uma parcela menor das detecções, apresentaram aumentos expressivos em determinados momentos. Um dos exemplos foi o MSIL/XWorm, um RAT (Cavalo de Troia de Acesso Remoto) capaz de realizar ações como roubo de credenciais, captura de tela e controle remoto. A ameaça passou de uma participação de 3,6% a 3,8% de suas próprias detecções mensais entre janeiro e março para 61,4% em abril. Em maio e junho, os índices recuaram para 24,6% e 3%, respectivamente.

Os infostealers, responsáveis por 3,2% das detecções, também tiveram destaque. O Win/PSW.Amatera respondeu por 61% da categoria e apresentou concentração de detecções em janeiro e março. Esse tipo de ameaça pode roubar credenciais, cookies de sessão, carteiras de criptomoedas e outros dados sensíveis armazenados nos dispositivos.

O ransomware representou apenas 0,15% do volume total de detecções, mas continua relevante pelo potencial de impacto de um único ataque. No primeiro semestre, o Win/Filecoder.Babyk, associado ao grupo de ransomware como serviço (RaaS) Babuk, respondeu por 15,1% das detecções da categoria, sendo que 97,3% delas ocorreram em março. Outros grupos de RaaS, como Phobos, INC Ransom, BlackMatter e MedusaLocker, também apareceram na telemetria.

Entre as ameaças bancárias, que representaram 1,4% das detecções, o JS/Spy.Banker respondeu por 47% da categoria. Também foram observadas famílias como Guildma, Casbaneiro e Grandoreiro. Este último teve um pico de 21,6% de suas próprias detecções em maio. A ESET também colaborou com a Polícia Federal brasileira em 2024 durante uma operação internacional de interrupção da botnet Grandoreiro, fornecendo análises técnicas, estatísticas e informações sobre servidores de comando e controle.

A telemetria também mostra a relevância das ameaças direcionadas a dispositivos móveis. Entre as detecções de malware para Android, o Android/Exploit.Lotoor respondeu por 5,5%, seguido pelo Android/Spy.Banker, com 5,3%, e pelo Android/Spy.SpyMax, com 1,6%.

Para Ramos, os dados mostram que acompanhar apenas o volume total de ameaças não é suficiente para compreender a evolução do cenário de cibersegurança. “O primeiro semestre foi marcado pela predominância do phishing e de scripts maliciosos, mas também por ondas pontuais de ameaças mais sofisticadas. Os picos registrados principalmente em março e abril, além dos movimentos observados em torno de infecções por malware como Ransomware e RAT ajudam a identificar onde os criminosos estão concentrando esforços e quais comportamentos merecem atenção ao longo dos próximos meses” explica.

Imagem: https://pt.vecteezy.com/foto/70022298-digital-o-email-seguranca-cyber-ameacas-e-dados-protecao-dentro-a-digital-era

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