A chave para acompanhar o cibercrime não é tecnológica

A chave para acompanhar o cibercrime não é tecnológica

Por Allan Costa, Vice-Presidente de Operações da ISH Tecnologia

Na guerra contra o cibercrime, a impressão que se fica muitas vezes é de que se trata de uma guerra desigual, desnivelada. Se uma equipe de cibersegurança possui algumas dezenas ou centenas de profissionais para defendê-la, o outro lado tem atacantes na casa dos milhares. Monitoramos os mais diversos pontos de entrada, enquanto o invasor só precisa encontrar uma brecha.

Além disso, trata-se de um trabalho, de certa maneira, de bastidores. Investir em cibersegurança é, em última análise, investir para que nada aconteça. A sensação é de estar enxugando o gelo, o hacker sempre parece estar um passo à frente. Então como mudar essa situação? É possível que fiquemos em pé de igualdade com eles?

Para chegar a uma resposta, precisamos rever alguns conceitos. Inovação, cibersegurança, são fenômenos tecnológicos? Dizem respeito apenas à tecnologia? Não. São fenômenos humanos e assim devem ser pensados. O hacker que invade é uma pessoa, e as brechas por onde ele entra são abertas por pessoas.

Então, só a tecnologia não resolve o problema. Pouco adiantará uma nova e milagrosa solução, se ela não faz sentido para quem ultimamente irá se beneficiar dela. A palavra-chave passa a ser educação. É necessário implementar uma mentalidade de segurança.

Encontramos exemplos dessa necessidade no nosso dia a dia. Pergunte aos seus colaboradores quais deles utilizam algum tipo de programa de antivírus em seus computadores de trabalho, e a resposta será alta (ou pelo menos assim se espera). Faça a mesma pergunta, mas dessa vez com o celular, e veja os resultados.

Faz sentido? Um aparelho onde acessamos instituições bancárias, e-mail corporativo, que possui muitas informações sensíveis, estar desprotegido dessa forma? Esteja certo de que o hacker não vai se esquecer desse “pequeno detalhe”.

A maioria dos ataques não são planejados levando em consideração eventuais falhas tecnológicas, e sim padrões de comportamento. E exatamente por isso, focar no fator humano pode ser nosso ponto de virada nessa incessante luta. Pessoas atacam, erram e protegem, e são essas mesmas pessoas a nossa melhor chance de reagir.

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