Escrito a quatro mãos por Luiz Alfredo Santoyo e Bernardino Costa Neto

INICIO DA MICROFILMAGEM NO BRASIL
No Brasil, a microfilmagem teve origem em 1943, quando o tenente da Marinha de Guerra Hélio Barthem trouxe equipamentos de microfilmagem para o país. Ele acreditava que aqui havia potencial para o surgimento de um mercado especializado nessa técnica. Mas, pela falta de suporte legal, seu projeto fracassou. Porém, com o rápido crescimento do Brasil na época, a administração pública necessitava de um bom método para armazenar os grandes volumes de documentos mantidos em suas repartições, que precisavam ser compactados para a liberação dos espaços por eles ocupados, sem que seu conteúdo fosse prejudicado.

Em função disso surge e é temporariamente aprovado o Decreto 1.976 de 1963, que regulamentava o serviço geral e arquivo da aeronáutica e também autorizava a microfilmagem. Após sua tramitação no Congresso Nacional, o decreto finalmente foi transformado na Lei nº 5.433 de 1968, a primeira de uma série de tentativas de se conseguir implementar uma legislação que facilitasse o gerenciamento dos arquivos e da informação. Com isso, o microfilme começou a ser usado em larga escala em todo o território nacional.

No entanto, paradoxalmente, em 1944, a Biblioteca Nacional já havia adotado o processo de microfilmagem alegando um importante e avançado meio de preservação documental devido às suas características de durabilidade.

BREVE RESUMO DA HISTÓRIA DAS ASSOCIAÇÕES DE GERENCIAMENTO DA INFORMAÇÃO NO BRASIL
Muitos de vocês poderão estar perguntando porque decidimos escrever sobre as diferentes entidades que representaram ao longo da história a indústria da microfilmagem, da imagem e da informação no Brasil. Na realidade observamos que nos últimos 50 anos as tecnologias foram sendo adaptadas, evoluídas e/ou substituídas, novos processos foram desenvolvidos pelo próprio dinamismo da economia, muitas pessoas pioneiras ligadas ao setor saíram de cena, enquanto que a legislação andou a passos de tartaruga. Acreditamos que toda essa história de alguma maneira deveria ter sido preservada, para apresentar aos que militam na área hoje quanto esforço foi dedicado para que a indústria de gestão documental pudesse chegar até os dias de hoje. Acreditem que para tentar compor este breve resumo tivemos que ir buscar no fundo da memória, tanto mental como documental, para que pudéssemos apresentar uma sequência lógica das diferentes associações que foram criadas ao longo do tempo e alguns personagens que fizeram história do nosso setor. Infelizmente aqui também se aplica o ditado, em casa de ferreiro espeto de pau.

Quando conversando com o Eduardo acordamos sobre o tema deste artigo, logo me lembrei de meu amigo Bernardino Costa que tem uma memória proporcional ao seu tamanho e que vivenciou pessoalmente junto comigo, e com outros personagens dessa história, vários momentos desse tempo que muitas vezes se torna saudoso pela garra existente e amizade entre os que participavam do mercado. Hoje fala-se muito em start ups de novos seguimentos, e aí nos vem uma comparação, ainda que um pouco distanciada com o desenvolvimento das empresas dos idos de 70 voltadas ao gerenciamento da informação, baseadas na microfilmagem e na guarda de documentos. Era um tempo de inflação astronômica, com pouca disponibilidade de recursos financeiros para investimento, falta de linhas de crédito acessíveis, equipamentos todos importados (muitos com restrições por reserva de mercado), ou seja, tudo o que dificultava o início e a continuidade de uma nova empresa da área. Mesmo assim no início de 1990 existiam no país mais de 110 empresas de microfilmagem, mais de 50 empresas de gerenciamento de documentos e algumas de sistemas COM.

A partir de 1970, com o crescimento do setor surgiu a necessidade de se normatizar as atividades, criando-se padrões e processos de qualidade que pudessem atestar junto aos clientes a seriedade das empresas envolvidas. E, assim surgiram as Associações de Classe, fundadas e administradas por verdadeiros pioneiros que sem remuneração se dedicavam a defender os interesses técnicos e operacionais de todos os que acreditavam em uma iniciativa válida, mas incipiente e que exigia que a concorrência entre os vários membros fosse deixada de lado. Óbvio que sempre houve um interesse em que o crescimento do mercado trouxesse benefícios comerciais. Mas na maioria das vezes isso era deixado em segundo plano.

Surgiram assim as associações ligadas ao microfilme, além de outras que se correlacionavam com a área de gestão da informação, e gerando espaço para desenvolvimento de trabalhos conjuntos entre os diferentes setores. Apesar de as vezes nos considerarmos tiranossauros da área, a memória pode nos enganar e por isso mesmo, vamos procurar apresentar uma sequência cronológica aproximada dessas várias associações, que acaba por se transformar em uma sopa de letrinhas.

ANM – Associação Nacional do Microfilme
Fundada no início da década de 70, mais precisamente no ano de 1971. Ela é oficialmente mencionada quando do decreto 85.059 de 21 de agosto de 1980 como uma participante da comissão que criaria uma Comissão Especial para propor a atualização da legislação sobre microfilmagem no Brasil.

ABM – Associação Brasileira do Microfilme
Em sequência à ANM surge nos idos de 1975.
Oficialmente o nome da ABM surge em documentos emitidos pelo IRIB como sendo a responsável por sugestão encaminhada ao Ministério da Justiça sobre regulamentação da microfilmagem no país. Observamos que em vários documentos oficiais há confusão entre os nomes ANM, ABM e AMB

AMB – Associação Micrográfica Brasileira
A ABM se transforma em AMB no ano de 1980.

ABGII – Associação Brasileira do Gerenciamento da Imagem e
Informação
Em agosto de 1987, ocorreu um encontro de três dias realizado na cidade de Campos do Jordão, reunindo várias empresas de microfilmagem e alguns fornecedores de equipamentos. Desse encontro resultaram diretrizes que levaram a um reposicionamento da Associação com revisão estatutária e alinhamento com o que estava acontecendo com o seguimento ao redor do mundo, envolvendo a imagem que dava seus primeiros passos no Brasil. Um verdadeiro “salto quântico”.

Em alguns artigos oficiais ela surge com a sigla ABGI.

ABESCOM – Associação Brasileira das Empresas de COM
Fundada por volta de 1985 congregava as empresas que desenvolviam atividades de Computer Output Microfilm, gerando microfichas a partir de arquivos de computador – na sua maioria fitas magnéticas (ver imagem abaixo).

ABGA – Associação Brasileira das Empresas de Gerenciamento de Arquivos
Fundada no ano de 1994 rapidamente cresceu tendo como seus associados as principais empresas de guarda de documentos do Brasil. Em 1998 promoveu uma viagem histórica de estudos aos EEUU quando seus representantes puderam visitar 14 das maiores empresas do setor daquele pais absorvendo práticas que modernizaram sua forma de atuação. Por consenso entre os associados, infelizmente encerrou suas atividades em 1999.

ABGD – Associação Brasileira das Empresas de Gerenciamento de Documentos
Podemos considerar que a ABGD foi a sucessora natural da ABGA, pois a maioria dos associados desta última optaram por abrir uma nova associação com as mesmas características só que, desta feita, incorporando o BPO – Business Process Outsourcing e ECM – Enterprise Content Management aplicado às soluções. Foi filiada à PRISM dos EEUU tendo participado como conferencistas de alguns dos eventos desenvolvidos anualmente naquele país.

AAB - ASSOCIAÇÃO DOS ARQUIVISTAS BRASILEIROS
Fundada em 1971 tinha sua sede no Rio de Janeiro, mas com núcleos regionais em outros Estados, tinha por finalidade contribuir para o desenvolvimento e aperfeiçoamento dos profissionais de arquivo e da Arquivologia. Em 2005 encerrou suas atividades e os núcleos passaram a ter atividades autônomas.

CONARQ – CONSELHO NACIONAL DE ARQUIVOS
Criado em 1994 , é um órgão colegiado, vinculado ao Arquivo Nacional do Ministério da Justiça e Segurança Pública, que tem por finalidade definir a política nacional de arquivos públicos e privados, como órgão central de um Sistema Nacional de Arquivos, bem como exercer orientação normativa visando a gestão documental e a proteção especial aos documentos de arquivo.

CENADEM
O CENADEM – Centro Nacional de Desenvolvimento do Gerenciamento da Informação foi fundado em 1976 por Antonio Paulo de Andrade e Silva. Era uma empresa que aproveitando o desenvolvimento emergente da microfilmagem e depois da imagem, surgiu para cobrir uma lacuna comercial com a qual as associações não se preocupavam. Desta forma desenvolveu cursos, seminários, treinamentos, congressos e feiras, das quais destacou-se a INFOIMAGEM, a qual durante quatro dias congregava os principais palestrantes do país e, por vezes, do exterior, além de uma exposição das maiores novidades do setor e que premiava as principais personalidades e iniciativas inovadoras do setor.

UM PONTO DE INFLEXÃO PARTE LEGAL
Em 1995 ocorreu um fato que pode demonstrar o interesse conjunto de executivos, empresas e associação da área, focando no desenvolvimento de legislação especifica que validasse a imagem como fator de comprovação legal. Um de nossos colegas, o José Rosa, voltando do trabalho com o rádio na voz do Brasil, ouviu que o Senador Sebastião Rocha estava defendendo a tese de que a digitalização de documentos deveria ter valor de base legal. Imediatamente entrou em contato comigo, que acionei o Walter Koch, o Bernardino Costa e a ABGII e formamos uma força tarefa, fazendo reuniões com o Senador em Brasília, participando de grupos de trabalho junto com a Marinha e a Aeronáutica e colaborando na preparação do primeiro projeto de lei sobre o assunto, o PLS 22/96. Infelizmente por contingências diversas não conseguimos uma continuidade deste projeto. Porém, ele serviu de referência à uma série de novos projetos, culminando na lei 12.682. Um fator extremamente positivo surgiu desse trabalho. O da criação de um embrião de conscientização de que juntos poderíamos muito e de que o mercado estava pronto para impulsionarmos a aprovação de uma legislação especifica. A partir daí foram anos de muito trabalho que persiste até hoje.

A IMPORTÂNCIA DA ABEINFO
A ABEINFO é um novo e grande desafio para um grupo de especialistas e visionários da área da informação que, dedicando seu tempo e conhecimento, procuram criar as melhores práticas para dinamizar o setor. Podemos considerar que ela é uma sequência natural de todas as associações mencionadas acima porém com responsabilidades muito maiores, como:

Congregar as principais inteligências do segmento do gerenciamento da informação em busca de propósitos comuns de aprimoramento técnico através do intercâmbio de conhecimento;

Consolidar a comunidade em torno de uma única bandeira profissional da ética e valores no relacionamento com o mercado. Algumas das associações indicadas antes acabaram por priorizarem a parte comercial;

Conscientizar as autoridades públicas sobre a importância de uma legislação clara, objetiva e que esteja alinhada às novas tecnologias e tendências da indústria da informação;

Implementar atividades de treinamento e atualização tanto técnica como legal facilitando a disseminação de soluções que impulsionem o setor.

Acredito que todos os envolvidos neste trabalho, que certamente garantirá a consolidação de nosso setor, conseguirão obter sucesso em suas empreitadas e a ABEINFO será um novo e positivo marco reforçando a vontade de todos, e dos pioneiros anteriores, na estruturação de nosso setor.