Por Vivaldo José Breternitz, Professor da Faculdade de Computação e Informática da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

Já há alguns meses afetando seriamente a indústria automobilística, a falta de chips começa a se fazer sentir também no mercado de smartphones.

De acordo com números da Counterpoint Research, uma empresa de pesquisa de mercado baseada em Hong Kong, em 2021 quase 50 milhões de unidades serão expedidas a menos do que era estimado, tornando os números do setor piores que os de 2019, o último ano "normal" em termos de mercados.

Segundo a Counterpoint, quase todo o setor será afetado por esse problema, com um impacto mais forte neste segundo semestre. A empresa estima que o total de smartphones expedidos em 2021 deve chegar a 1,41 bilhão de unidades, enquanto as previsões anteriores falavam em 1,45 bilhão, cerca de 400 milhões de unidades a menos. No ano de 2019, 1,47 bilhão de smartphones foram expedidos.

Os fabricantes de smartphones receberam apenas 80% dos chips encomendados para o segundo trimestre de 2021. E a situação parece piorar: no terceiro trimestre, a média de pedidos atendidos deve cair para 70%. A crise atinge a todas as marcas do setor, mas a Apple deve sofrer um pouco menos que seus concorrentes mais próximos, Samsung, Xiaomi e Oppo. Além dos veículos e smartphones, a falta de chips também está sendo sentida nos setores de videogames e consoles.

O desenvolvimento e produção de chips é a chave para a competitividade nessa área, o que tem levado grandes empresas como Google e Apple a trabalhar para reduzir a dependência de fornecedores externos. O governo Biden tem apoiado fortemente esses esforços, que considera estratégicos para seu país.