*Por Carlos Kazuo Tomomitsu

Constantemente, consumimos conteúdos relacionados ao tema "como vender melhor". Mas, num cenário sem precedentes de crise econômica em decorrência da pandemia do Coronavírus, vemos uma retração no mercado, que significa redução de vendas. Oras, se o faturamento é a primeira alternativa para manter o caixa saudável, mas sabemos que este aspecto não é possível controlar, pois tudo depende da movimentação econômica, os custos passam a ser o foco de controle. E reduzir os gastos nas compras é uma das medidas para manter o caixa equilibrado.

De acordo com o último Boletim Focus divulgado, é esperado um recuo de 5,31% no crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) do Brasil ao longo de 2020. Diante dessas previsões indicando que, mesmo com a retomada das atividades, é necessário traçar novos caminhos para a conquista da saúde econômica do País e, consequentemente, das empresas, se for possível comprar economizando, melhor. Para isso, basta utilizar a inteligência fiscal.

Tome como exemplo a compra dos respiradores - fundamental para a contenção das consequências da pandemia, a qual, segundo um levantamento divulgado na imprensa, os governos estaduais compraram, desde o início de março, em torno de 7 mil respiradores e, entre eles, houve uma variação de preço de R$ 40 mil a R$ 226 mil, uma diferença muito expressiva. Deixando a politicagem de lado e fazendo uma analogia dessa situação sob o ponto de vista das empresas, aqui, se essa ação fosse realizada pelo Governo Federal e este fosse uma instituição privada, o processo de compra poderia ter sido centralizado, calculando o percentual tributário de cada Estado para a busca de uma redução de custos nos impostos e uma compra mais inteligente e econômica como consequência.

Saindo do exemplo dos respiradores, temos uma situação em comum nas empresas: a aquisição de materiais de uso interno, os chamados facilities. Essas compras indiretas, sejam elas internalizadas ou terceirizadas, podem ter seus custos reduzidos quando são analisados os valores e os custos tributários de cada material a fim de obter a informação do cenário mais favorável para compra.

A tecnologia já permite a adoção da inteligência fiscal nas compras e esta condição também promove a internalização desse processo quando existe um terceiro executando, ou seja, as empresas podem reduzir os custos analisando os tributos, além de diminuir os erros das prestadoras de serviços, comuns nesta rotina. E nas demais compras realizadas pelas empresas, o acesso às informações que possibilitam uma economia se tornou um diferencial.

Utilizando tecnologias como Big Data, Analytics, Inteligência Artificial e Robotic Process Automation, que munem os tomadores de decisões com informações sobre "onde está o melhor preço e o menor imposto", é possível utilizar a inteligência fiscal sistêmica para um "respiro" financeiro nesse momento de incertezas com quedas no faturamento.

Já superamos a fase mais tortuosa da pandemia do Coronavírus. Agora o caminho é usar a criatividade e as possibilidades já existentes no mercado com o objetivo de retomar o fôlego e seguir em frente.

*Carlos Kazuo Tomomitsu é CEO e mentor da KeepTrue, empresa de Tecnologia da Informação especializada em soluções integradas na nuvem para otimizar processos, reduzir custos e aumentar a produtividade, detentora do Taxfy, primeiro Big Data Fiscal brasileiro.