Vamos falar sobre a tão mencionada transformação digital. Temos que começar reconhecendo que o ritmo de mudança que estamos vivenciando como uma sociedade é o mais lento que conheceremos pelo resto de nossas vidas. Isso implica que, como profissionais e empresas, precisamos aceitar e compreender que a mudança é uma nova constante. E se não estamos confortáveis com a mudança, não podemos nos adaptar à sociedade atual, a menos que nos isolemos em uma pequena cidade na montanha.

O que sabemos hoje, o que acreditamos ser dominante neste momento, em cinco anos será obsoleto. Teremos que fazer as pazes com o “eu não sei”, com o “eu não posso” e nos familiarizarmos com a ideia de sermos aprendizes por toda a nossa vida. Hoje estima-se uma mudança de carreira de pelo menos três vezes durante uma jornada profissional. Isso exige que construamos mudanças em nossas vidas, fazendo da transformação um estilo de vida. É melhor, portanto nos sentirmos confortáveis com o processo.

Vivemos uma época privilegiada. Somos contemporâneos da quarta Revolução Industrial, uma mudança de paradigma que transformará o modo de vida humana. Isso significa que quando falamos em transformação digital, não está correto pensarmos que se trata de uma evolução constante de ferramentas tecnológicas, como por exemplo, “do que está dentro de um computador”. É muito mais do que isso, é um novo paradigma: pensar na rede é a nova regra.

No trabalho, se antes o chefe era quem detinha a autoridade, hoje há um nó a mais nessa rede, que só vamos respeitar se nos agregar valor. O mesmo acontece com a política; trata-se de uma conversa: nós inseridos em uma rede. O valor será dado pelo que contribuímos para os outros nós da rede. Esse olhar de rede mudou a maneira de nos relacionarmos. O modelo de negócios da Airbnb ou do Uber, por exemplo, baseia-se em empresas que são plataformas que conectam pessoas, uma comunidade que agrega valor entre os membros envolvidos.

Este é o contexto da plataforma “Experts” da Almundo. A comunidade de viagens é composta por muitos atores. Uma empresa que vende viagens ou aconselha seus usuários, nada mais é do que um nó de uma grande rede. Entendemos que teríamos mais valor se nos tornássemos uma plataforma para conectar todos aqueles que tivessem outros valores para agregar à comunidade de viajantes. Conectar tanto aqueles que viajam, como aqueles que prestam serviços.

Construímos essa plataforma de Experts, onde hospedamos aqueles que podem aconselhar outras pessoas que estão procurando fazer uma viagem. Porque certamente existem pessoas nessa rede que sabem mais do que nós mesmos sobre determinados temas. Estamos fazendo o mesmo com os fornecedores: não apenas hotéis, mas pessoas que alugam suas casas; não apenas vendedores, mas guias turísticos que oferecem seus serviços em nossa plataforma.

O mundo mudou e adaptar-se é inevitável. Na Almundo, entendemos que não podíamos mais ser uma empresa da era industrial, baseada na troca – compra e venda – de bens e serviços, e sim nos tornar uma plataforma para promover conversas e conexões dentro da rede. Na medida em que estamos trabalhando, dedicando criatividade, inovação e oportunidades na indústria.

 

Tomas Gonzalez Ruiz

Chief Product & E-Commerce Officer da Almundo