Não há tendência sem IA na tecnologia em 2024 e o que isso significa para os negócios

Não há tendência sem IA na tecnologia em 2024 e o que isso significa para os negócios

Por Alessandro Buonopane, CEO Brasil da GFT Technologies

Chegamos ao último mês de um ano bastante desafiador no mundo da tecnologia, com muitas análises sobre o que passou e o que virá no futuro. Diante da velocidade do ambiente de inovação, é cada vez mais difícil fazer previsões certeiras, mas eu me arrisco a fazer uma aqui: em 2024, a Inteligência Artificial (IA) seguirá soberana e intensamente integrada aos negócios e à vida das pessoas.

Ou seja, não há tendência possível em tech que não tenha a participação da IA em algum nível. De acordo com um estudo recente, mais de US$ 500 bilhões deverão ser gastos em todo o mundo em 2027 com essa ferramenta. Isto ajuda a entender o motivo de que especialistas apontem que até 70% das tomadas de decisão e seus processos tenham a participação da IA até 2030. A expectativa é de que, até lá, já exista uma consolidação do movimento em torno dos grandes modelos de linguagem (LLMs), que caminham para se tornar menores e com maior desempenho.

Quando vamos aos detalhes para onde a IA caminha, aparecem várias dúvidas. Uma primeira envolve as iniciativas de código fechado e mais comerciais, as quais estão em desenvolvimento em algumas das principais companhias do mundo, e outra por modelos de IA com código aberto, com múltiplas contribuições de forma menos comercial – e, em alguns casos, com resultados semelhantes aos concorrentes. Em comum, a busca por uma linguagem cada vez mais natural nas interações entre homem e máquina.

Quando falamos em plataformas e em linguagens, não podemos perder de vista os dados. Instituições com amplos bancos de informações aparentam estar em vantagem, porém a adaptação para os diversos ambientes digitais é um elemento a sempre estar em consideração estratégica, pois a valoração de dados nos negócios por meio da IA Generativa ganha corpo e forma quase sempre com o seu enriquecimento, unindo passado e futuro, sejam nas informações ou nas tecnologias empregadas.

Feita essa ressalva, não seria de se espantar que tenhamos vendas e aquisições em razão de bancos de dados mais ricos, amplos e eficientes, de acordo com a estratégia de cada empresa. Ainda na esfera corporativa, a aplicação cada vez maior da IA em alinhamento com políticas ESG – como, por exemplo, a redução das emissões de carbono – é outro aspecto com espaço para expansão, enquanto fabricantes de chips prometem novos lançamentos a curto, médio e longo prazo que entreguem mais resultados consumindo menos energia.

Além de analisar e valorar dados, a IA também já produz conteúdo e informações multiplataforma. Por isso, existe uma preocupação por parte de autoridades e órgãos reguladores sobre o que é real, criado por humanos, e o que é feito por plataformas de IA, com base em métodos de aprendizagem. É um debate intenso que não irá embora tão cedo, mas que eu acredito que não possa bloquear o caminho da inovação – é a minha única certeza no momento.

Diante das muitas oportunidades que, como se vê, a IA abre e possibilitará nos próximos anos, será preciso investir na educação, seja dentro das empresas que adotem essa tecnologia em suas cadeias produtivas, ou até mesmo para a população global que, sem dúvida, terá oportunidades de experimentar benefícios. Fazer compras no Metaverso, ter diagnosticadas doenças de forma preditiva e remota ou fazer investimentos com a ajuda da análise prévia feita pela IA: nada vai escapar ao olhar dos algoritmos e dos LLMs.

Logicamente, vemos no nosso trabalho diário a ansiedade dos nossos clientes de absorver a IA dentro das suas companhias. A possibilidade de usar a IA de maneira Preditiva, assim como a Generativa, é um chamariz interessante, mas que demanda estratégia para entregar os ambicionados resultados positivos. O Customer Experience (CX) deve seguir em alta, sobretudo com a amplitude que o universo Open (Open Banking, Open Finance, Open Insurance, Open Investment, Open Telecom e afins) e os seus compartilhamentos de dados dos seus respectivos clientes podem causar no mercado nacional e internacional.

Para os executivos, o meu conselho segue sendo o mesmo: encontre qual modelo é o mais estratégico para ser utilizado no seu ramo de atuação, considerando o perfil cultural da sua empresa. Um erro de diagnóstico aqui pode sepultar qualquer tentativa de sucesso com a IA. Além disso, ter ricos e amplos bancos de dados não são garantia, já que tenho conhecimento de casos concretos que envolveram ajustes e consertos nessas bases para então ser possível extrair valor – e construir arquitetura tecnológicas seguras, já que o uso de IA por “jailbreaks” existe e deve ser combatido com boas práticas de cibersegurança.

Velocidade e agilidade impulsionam a inovação, eis algo que a IA nos mostra com vigor diariamente. Entretanto, não podemos embarcar nessa e em quaisquer tendências sem o devido cuidado e responsabilidade. Uma melhor produtividade já é visível, trabalhadores e clientes estão cada vez mais envolvidos com a tecnologia – seja operando ou consumindo –, e novas possibilidades de ofertas e negócios (algumas que ainda serão criadas) estão saindo do forno. O quanto fina será essa sintonia entre homem e máquina, real e digital, é algo que devemos esperar para ver.

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