No próximo ano, a Inteligência Artificial (IA) se consolidará, não apenas com o ganho de maturidade na adoção, mas também experimentará uma expansão significativa em várias frentes. Espera-se que a IA se integre ainda mais ao cotidiano das pessoas. Essa tecnologia irá automatizar tarefas simples da rotina e, consequentemente, liberar tempo para que elas possam focar em decisões mais estratégicas.
Apesar das perspectivas positivas, a IA enfrentará desafios importantes no próximo ano. Um deles será o desenvolvimento de modelos de linguagem mais compactos e eficientes, com o objetivo de otimizar o consumo de energia. Outro desafio será a criação de tecnologias de IA segmentadas, capazes de atuar de forma especializada em diferentes profissões, em contraposição a um modelo único e genérico para todas as aplicações.
Confira as cinco tendências para 2026, na avaliação de Pétala Tuy, head de IA e Machine Learning da Atos, companhia global de serviços de TI:
1 - Expansão da IA no dia a dia da sociedade
A IA passará cada vez mais a fazer parte do nosso dia a dia de forma invisível. Ela deixará de ser uma ferramenta “destino” e passará a ser o meio, incorporada em todas as atividades passíveis de aplicação. A maior expansão ocorrerá em setores onde a complexidade de dados é alta, mas a tolerância a erros é gerenciável com supervisão, como no desenvolvimento de software e na análise financeira. Por outro lado, o movimento será mais regulado em áreas que exigem alto grau de confiança, empatia humana e julgamento ético complexo, como decisões médicas críticas sem supervisão humana e julgamentos judiciais automatizados.
O impacto na vida de cada um será a transição do “operador” para o “editor”. Passaremos menos tempo fazendo o trabalho braçal cognitivo (escrever, codar, calcular) e mais tempo definindo a intenção e curando o resultado. Isso exige um aumento urgente da literacia digital.
2 - Expansão da IA agêntica para execução de ações
Estamos exatamente na transição dos chatbots para as IAs agênticas. Se a IA generativa foi sobre criar conteúdo, a IA agêntica é sobre executar ações. A chave não é apenas o modelo de IA, mas a integração. Para um agente marcar um médico, ele precisa 'conversar' com a API da clínica, com sua agenda pessoal e com o sistema de pagamentos. A Atos está focada na orquestração e governança.
Não basta que o agente saiba fazer; ele precisa ter permissões e segurança para fazer. Para alguns clientes, estamos ajudando a desenhar a estratégia de implementação governada e segura, e para outros clientes já implementamos agentes que automatizam fluxos inteiros, reduzindo processos de dias para minutos, com um processo de curadoria orquestrado e seguro.
3 - Convergência das IA espacial, IA Ubíqua e a IA Corpórea
Essas três IAs representam o fim da tela como única interface. A convergência dessas IAs pode transformar desde logística doméstica até saúde preventiva, mas também exigirá novas normas de segurança física e privacidade. Em termos práticos: menos tarefas domésticas repetitivas, cidades mais seguras e serviços personalizados em tempo real, mas também debates intensos sobre custo, acesso e regulação. O desafio aqui é infraestrutura física, então o impacto cotidiano massivo virá em ondas, começando pela indústria antes de chegar totalmente às nossas casas.
O grupo Atos é um parceiro tecnológico que fornece infraestrutura e serviços para implantação de digital twins e workloads de inferência/treino, oferece serviços gerenciados/cloud/edge para produção segura de robôs comerciais, além de ter investimentos para levar agentes autônomos para automação universal de processos corporativos. Nossa força está na automação inteligente, nos dados e na infraestrutura.
4 - Modelos de IA menores que rodam e gastam menos energia
O principal desafio deixou de ser capacidade e virou eficiência. Os modelos atuais são grandes consumidores de energia. A nova fronteira não é apenas criar modelos maiores, mas criar modelos de linguagem menores que rodam gastando pouco. Estamos ampliando nosso compromisso com a descarbonização interna, reduzindo emissões e ampliando o uso de energia renovável nos nossos sites.
5 - Segmentação das IAs e investimentos em infraestrutura
O mercado de IA está crescendo em ritmo acelerado e diversificado. Vemos investimento em modelos generativos cada dia mais potentes, mas também há um forte movimento de verticalização, em que IAs são treinadas especificamente para Direito, Medicina, Engenharia, em vez de modelos genéricos para tudo. Além disso, grande parte dos investimentos recentes vai para infraestrutura de dados, cibersegurança para IA e plataformas de engenharia de IA. As empresas entenderam que sem dados organizados, a IA não funciona. Por outro lado, começa a cobrança real pelo ROI nas aplicações.
Então, projetos de IA isolados (as famosas PoCs de estimação) e que não resolvem dores reais do negócio têm menor tração e são frequentemente cancelados. Segmentos que exigem forte regulação ou que enfrentam fricções de adoção (alguns usos em saúde clínica sem supervisão, julgamentos legais automatizados, e certas aplicações de vigilância privada) tendem a crescer mais devagar também devido a barreiras legais e éticas.
Imagem: https://pt.vecteezy.com/foto/73760689-uma-mao-lancando-uma-de-madeira-quadra-numero-dentro-tijolo-parede-fundo-a-partir-de-5-para-6-simbolizando-transicao-ano-a-partir-de-2025-para-2026