A brasileira Alessandra Ginante, vice-diretora de RH da Diageo North América, não tem dúvida: a tecnologia ajuda a ganhar a guerra por talentos. Por meio de aplicativos, ela consegue localizar profissionais que interessam à empresa em qualquer parte do mundo e faz as entrevistas à distância, economizando seu tempo e o do candidato.

“As interações são ágeis, fáceis e inspiradas na academia”, explica a executiva, que também usa tecnologia em atividades rotineiras, como fazer e distribuir relatórios, analisar retornos, cobrar pendências, montar estatísticas. Tudo isso fica a cargo do Robotics Process Automation (RPA), um software que atua como trabalhador virtual. “Assim, os profissionais de RH deixam de fazer coisas aquém da sua capacidade e vão realizar outras, com maior valor agregado”, diz ela.

Alessandra Ginante, diretora de RH da Diageo EUA.

Mas o que mais sensibiliza as empresas ao usar tecnologia no RH é o ganho financeiro: um RPA pode reduzir os custos entre 25% e 50% e está disponível 24 horas por dia, durante os sete dias da semana, o ano inteiro, conforme lembra Martins Tonnus, Partner People Advisory Service da EY, empresa que desenvolveu o  software.  O executivo calcula que 90% das atividades do RH são repetitivas e dessas, 65% podem ser robotizadas.

Oliver Kamakura, People Advisory Service da EY, acrescenta que o RPA também ajuda na seleção de candidatos, inclusive em larga escala, como aconteceu na contratação de 70 mil voluntários que trabalharam nas Olimpíadas do Rio de Janeiro, no ano passado. “Nós criamos um portal para inscrição de candidatos e aplicamos filtros, como fluência com a língua, experiência, educação. Um algoritmo, com 300 variáveis, permitiu identificar o candidato adequado para cada função em 65 locais diferentes”, lembra ele.

O Reach é outra plataforma que ajuda a selecionar candidatos com base em algoritmos que investigam afinidades entre empregadores e candidato. Usado por grandes empresas como Colgate, Natura e Decathlon, o aplicativo funciona como o Tinder, aplicativo de paquera, promovendo o “catch” entre profissionais e oportunidades de trabalho.

O Tinder também inspirou o aplicativo de empregos Jobr, assim como outros, dirigidos a grupos específicos.  O da Prolancer, com 165 mil profissionais e 20 empresas em cadastro, agrega vagas permanentes e temporárias com foco em trabalhos remotos, como programação, web design, tradução e redação.  O Talentix produz e hospeda videocurrículos de talentos nas áreas de Engenharia e TI, que funcionam como pré-entrevistas para recrutadores. Há aplicativos para arrumar trabalho em diferentes fases da vida, desde o Trampo, para estagiários, até o Mature Jobs, para profissionais com mais de 50 anos. Há, ainda, aplicativos que dão prioridade a candidatos que moram próximo às empresas, como é o caso de Empregos, que reune ofertas de vagas do Indeed, maior site de empregos do mundo.

 

Fonte: http://experienceclub.com.br/robotica-e-recrutador-digital-inovam-rh-experience-club/