A transformação digital e tecnológica, amplamente acelerada no cenário de pandemia do último ano, fez com que diversas empresas abrissem um leque de novas formas de utilizar as tecnologias disponíveis. Entre elas, a realidade virtual e as experiências imersivas chegaram para dominar o mercado e já estão sendo utilizadas em diversas áreas, como, por exemplo, vendas, indústria, cultura, entre outras.

Apesar de a busca pela realidade virtual ter aumentado, não é de hoje que ela se apresenta como uma das tecnologias mais promissoras na evolução das interfaces e na maneira como interagimos e nos conectamos virtualmente, possibilitando o desenvolvimento de um mercado bilionário e transformador.

Em recente estudo, a Juniper Research - referência em pesquisas e business intelligence no setor de tecnologia online e móvel - revelou que só o mercado de jogos em Realidade Virtual atingirá 8,2 bilhões de dólares em 2023, representando um crescimento de 580% para os próximos 4 anos.

Esse crescimento será puxado pelo acesso à rede 5G e à maior disponibilidade de software e hardware (óculos e sensores) para dispositivos móveis. Mas nem só de jogos vive esse mercado.

No Brasil, algumas empresas já estão aproveitando o potencial inovador da realidade virtual e aplicando em diferentes áreas de negócio. A startup carioca, Media Glass, por exemplo, desenvolve aplicativos para devices Smart Glass nos modelos Google Glass, Vuzix e similares. Eles desenvolvem softwares de manutenção remota, checklist de instruções de trabalho e ferramentas para gestão de estoques e inspeção de qualidade.

"Criamos a Media Glass com o intuito de trazer para as empresas brasileiras um novo conceito de que por meio da tecnologia fosse possível aumentar a eficiência dos trabalhos e diminuir os custos. Além de que, nosso principal objetivo é criar novas formas de interação com o trabalho, aumentando a produtividade e, também, fazer parte da 4ª Revolução industrial", afirma Flávio França, CEO da Media Glass.

Além de desenvolver aplicativos para devices Smart Glass, a empresa também cria aplicativos para plataformas Android e iOS, principalmente com foco em aplicações de Realidade Aumentada (AR), com a utilização de ferramentas como Wikitude e ARCore, constrói experiências imersivas em Realidade Virtual para realização de treinamentos corporativos, simulações, games e experiências imersivas para eventos e marcas (branding) e elabora Tour Virtual 360 por meio de Escaneamento 3D com uso da tecnologia MatterPort ou similar.

"Com nossas criações e tecnologias, conseguimos criar diferentes cases para empresas como a Novo Nordisk, indústria farmacêutica, Monte Carlo, joalheria, Ocyan, empresa que promove soluções para a indústria de óleo e gás. Além disso, também realizamos uma exposição virtual 360 no Museu de Arte Moderna no Rio de Janeiro, entre outras", comenta o CEO.

Crescimento

De acordo com um levantamento da startup de inteligência em ações da Bolsa SABE Invest, apenas o setor de tecnologia ficou imune à crise gerada pela pandemia do coronavírus.

A Media Glass também conseguiu superar a pandemia e apresentou um crescimento de 230% em 2020. Para o CEO, a realidade virtual é uma tendência inevitável para a indústria 4.0 e por isso vem sendo implementada em diferentes áreas.

Para 2021, a empresa espera atingir o primeiro milhão em faturamento anual e está contratando mais dois desenvolvedores para conseguir atender ainda mais clientes que desejam facilitar a interação com o trabalho e aumentar a produtividade por meio da tecnologia.

Indústria 4.0

A indústria 4.0 mistura as revoluções industriais passadas com as últimas tecnologias de hoje. Ela irá impulsionar a eficiência de fabricação coletando dados e usando esses dados para produzir insights que irão influenciar positivamente as decisões operacionais. Simuladores de processos irão testar e garantir a qualidade destas decisões. Os processos manuais de decisão estão sendo re-imaginados graças a estas novas técnicas amigáveis.

Bilhões de máquinas, sistemas e sensores em todo o mundo se comunicarão entre si e compartilharão informações. Isso torna crítica a análise da enorme quantidade de dados que as indústrias vão coletar de seus processos de fabricação.

É aí que entra Media Glass. Os usuários, por meio das tecnologias desenvolvidas pela empresa, serão capazes de controlar todos os elementos de suas fábricas em 3D com suporte colaborativo remoto. Isso permite que a visualização interativa das instalações industriais obtenha informações e forneça soluções para problemas sem interromper a produção.