Pelo terceiro ano consecutivo, a Arieso apresentou, em um novo relatório, as últimas tendências no uso de dados móveis. Utilizando a tecnologia ariesoGEO, que permite compreender a natureza de bilhões de conexões móveis, a mais recente pesquisa da Arieso revela novos desafios para as operadoras mundiais, a partir de 2013. Apesar da onda de tablets que domina o mercado, os usuários de smartphones, pela primeira vez,  ultrapassaram os usuários desses dispositivos no consumo de dados móveis. Como o consumo global de dados móveis continua a crescer, impulsionado pelos novos dispositivos e conteúdos mais sofisticados, o estudo sugere que usuários mais intensos estão começando a migrar para redes LTE, não havendo, entretanto, uma queda nas redes já existentes.

“Constatamos, mais uma vez, que novos padrões de uso, novas tecnologias e idiossincrasias regionais estão conspirando para tornar cada vez mais difícil a vida das operadoras móveis, no sentido de satisfazer às expectativas dos consumidores. A habilidade para conduzir pesquisas detalhadas como essa é crucial para fornecer às operadoras uma fonte valiosa de inteligência capaz de ajudar a melhorar o desempenho da rede e enriquecer a experiência do usuário”, afirma Michael Flanagan, autor do estudo e CTO da Arieso.

Tablets, ‘phablets’ e smartphones
Pela primeira vez, os usuários de smartphones estão consumindo, consistentemente, mais dados móveis do que os usuários de tablets. Dos dez aparelhos mais vorazes (excluindo os modems USB), seis eram smartphones, três tablets e um ‘phablet’ (combinação de smartphone e tablet). Os usuários de tablets ficaram em 4°, 8°e 9° lugares.

“Isto é muito pouco intuitivo, mas parece que os recursos dos novos smartphones - não os tablets – estão liberando uma demanda do usuário ainda maior. Se nos afastamos de estatísticas de consumo bruto, a descoberta mais notável é o modo como as pessoas usam smartphones e tablets", acrescenta Flanagan. “Independente  do tipo de aparelho e sistema operacional, há pouquíssima variação na ‘assinatura’ do uso entre usuários de smartphones e de tablets. Com isso, verificamos que os ‘phablets’ capazes de efetuar chamadas – como o Galaxy Note II da Samsung - estão  sendo usados atualmente como smartphones, não tablets. Se você pode usá-lo para realizar uma chamada telefônica, o "phablet' não se parecerá mesmo com um tablet”.

Apple iPhone é ainda popular: mas por quanto tempo?
Dos 125 aparelhos avaliados, os usuários do modelo mais recente de iPhone provaram ser os consumidores de dados mais vorazes. Mas, pela primeira vez em três anos, esse domínio está sendo desafiado.

Usuários de iPhone 5 consomem quatro vezes mais dados do que os do iPhone 3G e 50% mais que usuários de iPhone 4S (o de maior demanda no estudo de 2012). Entretanto, usuários do Samsung Galaxy S III geram (para enviar arquivos, em vez de baixar fotos, vídeos, etc.) quase quatro vezes a quantidade de dados em relação aos usuários de iPhone 3G, ultrapassando os usuários de iPhone 5 - que estão em terceiro lugar no uso de uplink de dados, atrás do Samsung Galaxy Note II (em segundo). E no mercado em rápido crescimento do tablet, usuários de Samsung Tab 2 10.1 afirmaram seu domínio, consumindo 20% mais dados que usuários de iPad.

Modem USB migra para LTE
No ano passado, o estudo da Arieso revelou que 1% dos usuários era responsável pelo consumo de 50% dos dados de downlink em redes 3G/UMTS. Neste ano, o 1% mais faminto consome 40%, na medida em que a tecnologia LTE começa a causar impacto.

“A região que estudamos neste ano lançou a tecnologia LTE recentemente e já estamos observando usuários intensos - especialmente aqueles com modem USB - começando a migrar para 4G”, afirmou Flanagan. “Sob muitos aspectos, isso é uma boa notícia – redes LTE estão cumprindo sua missão. Entretanto, os níveis de consumo e padrões de uso de LTE são muito diferentes do que as operadoras poderiam esperar do 3G. É uma situação complexa, fluida e de risco crescente para as operadoras lidarem. Ter soluções de engenharia de desempenho que possam revelar a experiência do consumidor, por meio de múltiplas tecnologias, será essencial para entender a evolução.”

Resposta de operadora de rede: LTE, SON e pequenas células
O LTE introduz uma largura de banda muito requisitada e reduz a pressão nas redes UMTS. Entretanto, as operadoras não podem relaxar e desviar sua atenção do planejamento, otimização e desempenho de rede - o LTE traz um risco perigoso.

“Há três anos, temos observado como a adoção de melhores tecnologias levam a um maior consumo de dados pelos usuários. Com base em nossa experiência de ajudar as operadoras, em todo o mundo, a preparar suas redes para a evolução da demanda de dados, supomos que o LTE sozinho não ‘resolverá’ o problema de dados – irá exacerbá-lo”, alerta Flanagan.

A Arieso está descobrindo que, para satisfazer eficientemente as necessidades e expectativas dos clientes de LTE e usuários intensos, é preciso uma abordagem diferente de projeto de rede. Pequenas células (small cells) serão importantes, mas a disposição e gerenciamento desses ativos de rede deverão ser controlados com uma precisão ainda maior.

“Ao voltarmos à história, a NGMN (Next Generation Mobile Networks, ou redes móveis de próxima geração) definiu um número de casos de uso para ‘Redes Auto-organizadoras’. Um dos primeiros foi a disposição das estações radiobase. Com recursos de localização exata e inteligência permeando a rede - identificando-se, por exemplo, onde os usuários intensos de LTE estão concentrados –, as operadoras saberão imediatamente onde colocar seus ativos de pequenas células," afirma Flanagan. “SON (Self-Organized Network) para pequenas células também ajudará as operadoras a superar alguns dos outros desafios com as redes heterogêneas, como gerenciamento de interferências, migração para tecnologia de acesso via rádio e otimização de capacidade e cobertura.”

Diferenças regionais
Os dados deste estudo têm origem em uma grande operadora europeia, mas são relevantes para operadoras do mundo todo, porque o consumo relativo entre  dispositivos de usuários permanece constante nas diferentes áreas geográficas. As diferenças regionais, portanto, estão relacionadas às condições de operação em cada mercado:

América Latina: As operadoras de rede na região estão experimentando uma ‘verdadeira tempestade’. Inúmeros relatórios preveem taxas de crescimento substanciais para o consumo de dados móveis na América Latina, mas a maioria das redes foi projetada e otimizada somente para voz. As características dos dados móveis indicam que qualquer aumento substancial no uso irá reduzir drasticamente a cobertura e qualidade dos serviços de redes otimizadas em voz. Ao mesmo tempo, o desempenho que está sendo construído também sofrerá. O impacto manifestou-se rapidamente, com os reguladores nacionais intervindo com sanções agressivas no Brasil. Os resultados do estudo confirmam as razões pelas quais as operadoras da América Latina estão usando a tecnologia da Arieso para obter rapidez no planejamento, organização e otimização de suas redes - e, com isso, estarem preparadas para o crescimento do uso de dados, que os novos smartphones possibilitam aos consumidores.

Ásia/Pacífico: Operadoras de rede instaladas na região desenvolvida da Ásia/ Pacífico – especialmente no sudeste da Ásia – deverão experimentar taxas de crescimento de dados semelhantes às da América Latina, mas começam com uma base muito mais alta. Ao mesmo tempo, muitas operadoras nessa região estão muito mais familiarizadas com as demandas de consumidores de dados móveis e de redes LTE. Entretanto, mesmo com a nova largura de banda e eficiência de espectro fornecidas pelo LTE, as operadoras não conseguem sustentar projeções de crescimento de dados a longo prazo. A aceleração de estratégias efetivas de pequenas células - incluindo o uso de SON – será crítica, se as operadoras da Ásia/Pacífico quiserem evitar a saturação de espectro e a atenção dos reguladores, como ocorreu recentemente em Cingapura.

Outras regiões encontram-se avaliadas no relatório completo.

“Onde quer que estejam localizadas, as operadoras têm de lidar com desafios semelhantes criados pelo uso extremo de dados”, concluiu Flanagan. “A cada ano, a situação torna-se mais difícil e mais complicada. Mas é importante lembrar dois pontos relevantes. Primeiro, que esses desafios resultam somente do sucesso de nossa indústria em criar dispositivos, serviços e redes que bilhões de pessoas desejam usar a todo momento, todo dia. Segundo, que esses quebra-cabeças são resolvidos à medida que as necessidades dos assinantes sejam atendidas, onde eles demandarem por serviços de rede”.

A Arieso publicou os resultados detalhados dos seus últimos estudos realizados, utilizando sua solução de inteligência de localização ariesoGEO, junto com uma análise ampla e detalhada em seu relatório “Smartphones Trump Tablets: Tendências Recentes em Dados Extremos", que está disponível por meio de solicitações.