Casas conectadas são promissoras, mas enfrentam desafios

Você entra em casa e as portas se abrem automaticamente. As luzes já estão acesas e o ar condicionado já está na temperatura adequada, porque você o configurou pelo smartphone antes de chegar em casa. Em seguida, você verifica que a sua geladeira já identificou os produtos que estão em falta e fez um pedido para o supermercado. Parece algo muito futurístico? Os lares conectados já são uma realidade ー pelo menos fora do Brasil.

A internet das coisas (IOT, na sigla em inglês) é um termo para designar objetos e itens comuns do cotidiano capazes de serem conectados à internet. Com essa facilidade, as pessoas podem ter muitos recursos a mão, além do conforto, como no exemplo acima. Diversas marcas já desenvolvem eletrodomésticos conectados, com acesso a notícias, comandos por voz e uma grande base de dados com algoritmos para tornar a nossa vida mais prática.

Com a tecnologia você pode controlar quase tudo com um smartphone, desde as luzes da sua casa até o ciclo de lavagem da sua máquina de lavar. Até 2020, esse mercado deve movimentar cerca de US$ 100 bilhões em todo o mundo, de acordo com mapeamentos realizados pela WGSN, agência global de previsão de tendências.

Na edição de 2019 da Consumer Electronics Show, um dos principais eventos de lançamento de produtos tecnológicos e protótipos, foram anunciados alguns dispositivos inteligentes. Uma nova geração refrigeradores, por exemplo é capaz de conectar os membros da família,  fornece acesso a aplicativos, faz o controle de alimentos e listas de compra. A novidade deve chegar ainda neste ano no Brasil.

Os assistentes pessoais por voz também são uma grande aposta do setor para impulsionar ainda mais o desenvolvimento de casas conectadas e eletrodomésticos inteligentes. Alguns dos principais players desse mercado de assistente pessoal são a Apple, Google e Amazon. Mas eles não ficam restritos a essas companhias, podendo ser integrados a outros dispositivos, como geladeiras, fogões e TVs.

Nos Estados Unidos, a disponibilidade desses dispositivos é mais presente. No Brasil, no entanto, o cenário é diferente. Das 63 milhões de residências no país, apenas 300 mil possuem alguma automação, segundo a Aureside (Associação Brasileira de Automação Residencial e Predial). As dificuldades são relacionadas com a democratização desses produtos, já que muitos possuem um preço exorbitante. O fato de muitos assistentes pessoais ainda serem limitados para responderem a comandos em português também é outro desafio. Mas, até 2020, a estimativa é que o Brasil tenha 2 milhões de residências com algum tipo de automação.

Além dos desafios técnicos e de negócio, existe uma polêmica no centro do debate: a privacidade e segurança dos usuários. A praticidade e o conforto tem um preço e não é só monetário ー as empresas podem utilizar os dados coletados para alcançar de forma mais assertiva os consumidores. Portanto, impedir que haja uma hipervigilância dos cidadãos é o grande desafio de empresas, sociedade e governos.