Por Diogo Lupinari *

Hoje, uma pessoa pode rapidamente solicitar um táxi ou um carro compartilhado em seu smartphone para se deslocar em qualquer ponto da cidade. Esse hábito se tornou comum nos últimos anos, mas promoveu uma verdadeira revolução nos modelos de negócios em diferentes setores.

As mudanças, contudo, não estão na eficiência do serviço prestado ao consumidor final e na geração de receitas. Não. Eles são consequências da verdadeira transformação: a consolidação de APIs nos processos, permitindo que informações digitais circulem de forma veloz e, assim, acrescentem novos recursos e valores aos produtos e serviços. É a base do conceito de API economy, que tem obrigado as organizações a se adequarem a esse novo cenário para continuarem relevantes em seus segmentos.

API é a sigla inglesa para interface de programação de aplicações. De forma resumida, pode ser entendida como um elemento computacional que conecta diferentes softwares e sistemas, possibilitando o compartilhamento automático de dados entre eles. Evidentemente, não se trata de uma novidade no mundo da tecnologia – a proposta existe desde o início da computação e acompanhou a evolução da área. A questão é que nos últimos anos as empresas descobriram que são ferramentas poderosas para inovar, desenvolver novas soluções e realizar a tão sonhada transformação digital.

Dessa forma, houve aumento exponencial na quantidade de APIs utilizadas pelas corporações que desejavam melhorar sua rentabilidade. Essa é a ideia por trás da API economy: a capacidade que as interfaces de programação têm de influenciar na lucratividade do negócio. É algo que não pode mais ser ignorado pelos empresários. Afinal, o número de softwares e sistemas utilizados no dia a dia corporativo também cresce rapidamente – estimativas indicam que uma organização chega a ter mais de 200 soluções! Sem algo que as conecte, elas resolverão apenas parte do problema e não será possível ter uma visão completa dos processos.

Hoje é preciso reconhecer que não há negócio que prospere sem a digitalização de seus procedimentos – e não há transformação digital que vá para frente se não estiver alicerçada em APIs. Apontados como “novo petróleo” para o sistema econômico, os dados por si só não acrescentam muito ao dia a dia da empresa. É preciso saber o que fazer com eles e, principalmente, identificar como essas informações podem acrescentar valor ao desenvolvimento de produtos e serviços. Em suma: com interfaces capazes de coletar, armazenar e distribuir os dados entre todos os sistemas, é possível encontrar falhas a serem corrigidas, criar medidas para atrair novos clientes e inovar com soluções diferenciadas.

Evidentemente essa percepção não vem do dia para noite. A falta de cultura organizacional orientada à digitalização e a própria inércia da organização em adotar boas práticas de gestão e de produtividade ainda são barreiras a serem ultrapassadas pelas empresas na API economy, como mostra relatório da consultoria Deloitte. No Brasil, a transformação digital ainda engatinha em muitas companhias (por mais que a pandemia de covid-19 tenha acelerado a adoção às pressas).

Não é exagero dizer que as APIs são a fundação da nova economia, centrada cada vez mais no uso da tecnologia para ofertar serviços e produtos cada vez mais inovadores e disruptivos. Sem elas, nada de inovador que aconteceu no mundo da tecnologia nas últimas décadas existiria – e nenhuma novidade irá surgir que não tenha em sua estrutura as interfaces de programação de aplicações. Da mesma forma que houve mudança em nosso hábito de solicitar um táxi, os modelos de negócios das empresas também serão remodelados. Na API economy, a transformação é uma necessidade estratégica constante.

*DiogoLupinarié CEO ecofundadordaWevo,empresa especializada em integração de sistemas e dadoswevo@nbpress.com